José Eliton diz como fez escolha do secretariado: “Busco aliar qualidade técnica com indicação”

Prestes a assumir o governo, José Eliton diz que novo secretariado reflete composição de forças visando as eleições de outubro

A dois meses de assumir o governo e em meio a definições para formação de chapa para o pleito de outubro, José Eliton (PSDB) diz que pensa numa “agenda para preparar Goiás não como governo, mas como Estado”. Ao O POPULAR fala também sobre a escolha de seu secretariado.

Existem alguns nomes confirmados na reforma administrativa, mas ainda faltam definições. Como está isso?

Estamos definindo os nomes com base em critérios técnicos e que estabeleçam também uma relação de compromisso com as alianças partidárias que temos. É nesse cenário que estamos construindo a equipe que concluirá essa gestão.

A posse do secretariado será dia 31 de janeiro, data previamente marcada para saída de quem será candidato?

Eu e o governador Marconi estamos acertando os últimos nomes da equipe, mas cabe ao governador a definição desta data.

O sr. confirmou o nome do do ex-governador Irapuan Costa Junior para assumir a Secretaria de Segurança Pública. A que se deve a escolha?

O convite foi formalizado a ele, que para minha alegria aceitou. É um homem que governou o Estado, que foi deputado federal e senador eleito, e que tem um preparo intelectual singular. É engenheiro e tem conhecimento da gestão pública como poucos no Brasil. Muitos tentam atrelar suas posições a extremos, mas ele tem convicções democráticas muito fortes. Nas eleições de 1982, esteve presente apoiando Iris Rezende (PMDB) ao governo e Mauro Borges (à época no PMDB, disputou o Senado); em 1986, compôs chapa com o governador eleito Henrique Santillo (PMDB), sendo candidato ao Senado. É também uma pessoa que tem credenciais e formação na área de segurança pública, sendo capaz, portanto, de garantir avanços na área.

O sr. teve divergências com o atual secretário de Segurança Pública, Ricardo Balestreri. Isso pesou na decisão de trocar o titular da pasta?

Em absoluto. Até porque sei respeitar a independência intelectual. Sem capacidade para compreender opiniões distintas, não há capacidade para governar. Sempre tive mais afinidades que discordâncias com o professor Balestreri, que é um homem extremamente qualificado, elegante em todos os aspectos, e que executa um trabalho forte na área de segurança, dando continuidade à metodologia que estabelecemos em 2016 e avançando em processos internos de modernização. O resultado disso é que fechamos o ano com queda em praticamente todos os índices, o que é um ganho qualitativo. Então, fico grato a ele, tanto que fiz o convite e ele aceitou compor nosso governo sendo o secretário-chefe do Gabinete de Gestão de Assuntos Estratégicos do Governo e terá um papel fundamental dentro do que penso para Goiás nos próximos anos.

Qual seria esse papel?

Estamos desenvolvendo uma política parecida com o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). Trata-se de um programa que visa acompanhar todas as pessoas que nascerem no Estado desde a concepção até a primeira infância. Aproximadamente 90 mil pessoas nascem, por ano, em Goiás. As crianças serão acompanhadas em todas as áreas: na saúde, verificando se as vacinas estão em dia; na educação, queremos saber se a criança entrou na escola e, se não, por quê. Houve evasão escolar? Quais os motivos? Obviamente, os frutos serão colhidos pela próxima geração, mas o projeto me deixa entusiasmado. Então, o Gabinete de Assuntos Estratégicos, comandado por Balestreri, terá o papel de coordenar isso.

Como estão as definições nas outras pastas?

Estamos discutindo e devemos anunciar nos próximos dias. O Goiás de 2018 é diferente do de 1998. Então, precisamos consolidar essas conquistas e olhar para o futuro, para as demandas da sociedade. É nesse sentido que estamos fazendo a formação dessa equipe, que terá nomes novos e que representam as forças políticas que convergem conosco para que possamos organizar uma base administrativa que dê vazão ao espírito deste governo, liderado pelo governador Marconi e conhecido como “Tempo Novo”, e que agora segue nova etapa de renovação. Nesse sentido, João Furtado deixa a Fazenda e vem para a Secretaria de Governo, que terá atribuições de gestão interna. Também já conversamos com Manoel Xavier, que deve substituir Furtado na Fazenda.

Manoel Xavier é o atual presidente do Detran-GO. Já definiu quem irá ocupar essa vaga?

Eu e o governador estamos conversando sobre isso. A Manoel Xavier delegamos a prioridade número um do governo nesses nove meses em que estaremos à frente do Estado, que é garantir o equilíbrio fiscal. Não farei nenhum compromisso que possa afetar a saúde financeira do Estado e tudo será feito com olhar estrito na Fazenda. Tenho discutido isso com Manoel, Furtado e Joaquim Mesquita, que deve permanecer na Secretaria de Gestão e Planejamento. A partir dessa prioridade, vamos desenvolver o conjunto de ações do Estado, que trata de oferta de serviços e infraestrutura. Devem permanecer em suas respectivas pastas também os secretários Leonardo Vilela e Raquel Teixeira, que comandam pastas referências no Brasil.

O sr. fala que a prioridade será o equilíbrio fiscal. O governo aprovou leis que controlam as contas públicas, uma delas, o teto de gastos, passou a vigorar neste ano. Como isso deverá influenciar seu governo, principalmente em relação à folha de pagamento?

Se hoje temos um Estado que se modernizou, se deve fundamentalmente à visão do governador Marconi. Lá atrás, fizemos, sob liderança dele, um ajuste fiscal que diminuiu a estrutura do Estado e equilibramos as contas, nos preparando para passar pela crise mais profunda que se abateu sobre o País nos últimos anos e o fizemos de maneira muito melhor que outros Estados. E tanto a lei do teto quanto a lei de eficiência casam no sentido de garantir a eficiência do gasto público. Com esse conjunto de ações, se estabelece principalmente uma política de ação e precaução. É onde a oposição se equivoca, porque torce para que o Estado esteja em dificuldade ao invés de procurar observar os dados com profundidade. O balanço fiscal tem indicadores salutares e o que precisamos fazer é essa saúde permanecer.

O Estado está acima do limite prudencial já há algum tempo e fechou o ano com uma folha acima de R$ 1 bilhão. O sr. cita o ajuste fiscal, que à época diminuiu o número de comissionados, que agora voltou a crescer. Paralelamente, o Estado anunciou novas contratações. Como fica isso?

Fizemos um planejamento antes de autorizar a realização de concursos públicos. De 2014 para 2015, tivemos que reduzir uma quantidade significativa de benefícios que o Estado concedia a servidores e também revimos contratos temporários, comissionados e uma série de outros instrumentos. Evidentemente, com o passar do tempo, recomposições são feitas onde há necessidade. Agora, muitas vezes querem atribuir aos comissionados o desequilíbrio da folha. Temos no Estado aproximadamente 170 mil servidores, entre ativos e inativos, que têm diversos benefícios e estamos olhando para isso com muita atenção. Quando estabelecemos as metas prioritárias, o fazemos com o olhar no orçamento do Estado. No orçamento aprovado para 2018, já está previsto todo o impacto de todas as medidas anunciadas no final do ano.

Ser governador por alguns meses deve ajudá-lo na disputa pelas eleições, mas o sr. também terá que responder pelo desgaste natural de 16 anos de poder do grupo ao qual pertence. Como encampar um discurso novo?

Pertencer a um grupo que transformou Goiás tem ônus e bônus. O ônus é justamente o desgaste do tempo que turva um pouco a visão das pessoas em relação ao efeito comparativo. É bom lembrar que quem tinha 10 anos quando o “Tempo Novo” iniciou em 1998, hoje tem 30 anos e vivenciou esse período, mas não tem o comparativo com o período anterior. Agora, temos a oportunidade de falar sobre as oligarquias que por décadas se alimentaram como carrapatos da estrutura estadual e que até hoje têm representantes na política. Temos que olhar para frente e dialogar com a sociedade, que é multifacetada. Temos muito a mostrar.

Como estão as conversas com os partidos, visando a composição para a eleição de outubro, na qual o sr. deverá ser candidato ao governo?

Tenho conversado com todos os partidos e, naturalmente nesse período de formação de governo, os partidos que nele estiverem estarão alinhados com o projeto político-eleitoral. Temos dialogado muito com as siglas da base e com aqueles que estão vindo para a base. A aliança foi de 16 partidos em 2014 e esperamos ampliar esse grupo. Ninguém governa sozinho. Agora, a formação da chapa será amadurecida de maneira natural até o período das convenções partidárias, mas estou feliz com o diálogo programático que temos tido com os partidos.

Há pelo menos três nomes na disputa por cadeiras ao Senado: Wilder Morais (PP), Lúcia Vânia (PSB) e Vilmar Rocha (PSD). Diz-se nos bastidores que o PSB teria indicado Murilo Mendonça para a secretaria Cidadã. Essa reaproximação da senadora com a base do governo significa uma conversa avançada na formação da chapa majoritária?

Todos que compõem o governo almejam estar presentes na chapa majoritária. PTB já manifestou isso publicamente; PSD, PSB, PP e SD também. Cabe a nós, estabelecidas essas bases da aliança, ter a maturidade de construir o projeto para, na hora das convenções, filtrarmos quem tem o melhor perfil para compor a chapa. Temos a posição de vice-governador, duas vagas ao Senado e quatro suplentes de senador. Todas são objeto de discussão com os partidos políticos e cada um dos nomes citados na sua pergunta tem credenciais que os qualificam de maneira muito sólida para ocupar qualquer uma dessas vagas. Fico feliz de participar de uma base que tem tantos nomes qualificados. Triste é ser candidato sem ter nem um nome à vice e ter que sair laçando alguém para compor sua base. Não é nosso caso.

De o Popular

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