Policial civil de Goiás mata empresário após discussão em Taguatinga, no DF

Um homem morreu e outro ficou ferido após serem atingidos por tiros disparados pelo agente da Polícia Civil Paulo Roberto Gomes Bandeira, de 51 anos. Ele está preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) de Brasília. O caso ocorreu na tarde deste sábado (12), após uma briga de bar na entrequadra QNL 9/11, em Taguatinga Norte, no Distrito Federal.

A imprensa teve acesso à ocorrência do crime, registrada pela 12ª Delegacia de Polícia. Segundo a polícia, a confusão começou durante uma briga de bar, no momento em que uma das vítimas foi chamada de “neguinho”.

O bancário Carlos Augusto Moreira Galvão, de 26 anos, levou um tiro no braço esquerdo. No depoimento, ele afirmou que a confusão começou quando ele e o amigo, o empresário Gustavo Gero Soares, de 25 – que foi morto com um tiro no peito – pararam para urinar na rua, entre uma casa e um carro.

Paulo Roberto, por sua vez, afirmou à polícia que estava em um bar – onde ingeriu “cinco latas de cerveja” – e, ao ver a cena, recriminou os homens, dizendo: “Vocês estão errados, tem um monte de banheiro por aqui”. Segundo Carlos Augusto, Gustavo o respondeu. “Não estamos matando ninguém, só mijando”, disse.

Em seguida, os dois homens foram ao bar comprar bebida alcoólica. Carlos Augusto afirmou no depoimento ter ouvido o policial dizer: “Olha lá o ‘neguinho’ encarando a gente”. Na delegacia, Paulo Roberto confirmou a ofensa racial.

‘Você vai atirar?’

A ofensa se transformou em discussão. Em seguida, Gustavo acertou o rosto do policial com um soco. Ele caiu no chão, se levantou, foi ao carro, pegou uma pistola calibre .40 e colocou na cintura. Ao ver a arma, de acordo com Carlos Augusto, Gustavo questionou: “Você tá ficando louco? Você vai atirar?”.

Testemunhas informaram que, em seguida, o policial disparou dois tiros em direção aos jovens – um acertou o peito de Gustavo; o outro, o chão. Carlos Augusto, ao ver o amigo ferido, atacou o policial, que disparou outra vez, o atingindo no braço esquerdo.

Amigos prestam homenagem a Gustavo Gero. No centro (camisa roxa), Carlos Augusto, ferido pelo policial (Foto: Reprodução/Facebook)

Amigos prestam homenagem a Gustavo Gero. No centro (camisa roxa), Carlos Augusto, ferido pelo policial (Foto: Reprodução/Facebook)

O bancário tomou a arma do policial e deu dois socos na cabeça dele. Paulo Roberto afirmou à polícia que, após um dos golpes que recebeu, “ficou atordoado, não vendo mais nada”.

No momento em que a Polícia Militar chegou ao local, Gustavo Gero já havia morrido. Carlos Augusto foi levado para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) e Paulo Roberto, para o Hospital Regional de Taguatinga (HRT).

O policial foi preso em flagrante por homicídio e tentativa de homicídio, e teve a arma apreendida. O caso foi encaminhado à corregedoria da Polícia Civil de Goiás.

No depoimento, o policial afirmou ter agido em legítima defesa e argumento que “não tinha intenção de atingir ninguém, tampouco matar, pois a arma disparou acidentalmente quando tentaram tomá-la”.

Histórico de problemas

De acordo com a Polícia Civil, o policial que cometeu o crime está afastado para “tratamento de ansiedade” no Núcleo de Proteção a Saúde do Servidor da Polícia Civil – órgão que presta atendimento a saúde física e mental dos policiais civis e suas famílias –, mas “estava à disposição da Polícia Civil” em caso de necessidade.

Paulo Roberto está na Polícia Civil goiana há 27 anos. O histórico dele na corporação mostra que o agente ficou afastado por 17 dias em 2013, pela suspeita de ter envolvimento em uma fuga de presos em um presídio de Goiás.

Comoção familiar

Nas redes sociais, uma prima de Gustavo postou uma carta de protesto contra a violência e o racismo do policial. “Até quando a violência policial vai passar impune? Em meio à dor, fica um pedido por justiça”, pediu Gabriela Cabral.

“Estou arrasada, ainda não caiu a ficha que isto de fato aconteceu. Vemos esse tipo de notícia sobre violência policial todos os dias na TV, mas nunca pensamos que acontecerá com alguém próximo”, lamentou.

J – Fonte: G1-Distrito Federal

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