Saiba quais são os possíveis caminhos do Brasil após o jogo contra a Sérvia

Pela segunda Copa consecutiva, Seleção chega à terceira rodada da fase de grupos sem saber seu destino

 Moscou — A locomotiva do maquinista Adenor Leonardo Bachi na Rússia virou trem fantasma. Os passageiros do vagão pentacampeão do comboio rumo ao hexa fizeram uma parada estratégica na capital russa, palco da final da Copa do Mundo, em 15 de julho, mas desembarcaram na terceira rodada sem saber o destino da próxima viagem.

Em caso de classificação para as oitavas de final com empate ou vitória diante da Sérvia, hoje, às 15h, no Spartak Stadium, a próxima estação será em Samara, destino do primeiro colocado do Grupo E. Se avançar em segundo, a rota indica São Petersburgo. Uma terceira hipótese não é descartada por Tite: a Seleção ir direto ao aeroporto se repetir a vergonha de 1966 — única vez em que a equipe deu adeus à Copa na fase de grupos.
Pela segunda Copa consecutiva, o time verde-amarelo chega ao fim da linha da fase de grupos sem estar classificado. Foi assim na edição de 2014. Desta vez, o risco de o trem descarrilar é maior. Brasil, Sérvia e Suíça disputam duas vagas. Os pentacampeões avançarão até em caso de derrota, porém, dependeriam de uma vitória da Costa Rica sobre a Suíça, no mesmo horário, em Nizhny Novgorod.

Melhor técnico do país, Tite amargou, em 2010, o maior vexame da carreira ao ser eliminado da Pré-Libertadores pelo Deportes Tolima, da Colômbia. Na época, o comandante do Corinthians contava com Ronaldo e Roberto Carlos na equipe. Sincero, assumiu a possibilidade de a Sérvia manchar o currículo dele. “Todas as situações são possíveis. Todo aprendizado que trouxe do passado, eu não descarto. Com uma diferença. Aquilo que não tinha contra o Tolima, hoje tem forte. Mas pode ser. É da vida”, comentou o maquinista verde-amarelo.

Os problemas a bordo do trem fantasma se acumulam. Principalmente entre os passageiros do lado direito do vagão. Como se não bastasse a lesão de Daniel Alves antes da convocação, o substituto Danilo se lesionou e Fagner precisa de ritmo de jogo. Willian jogou mal contra a Costa Rica e quem entrou no lugar dele foi vetado pelo departamento médico. Douglas Costa sentiu lesão muscular e falou demais. Disse para a esposa que isso é resultado de treinos puxados. A repercussão foi a pior possível na comissão técnica.

Consequentemente, o mecanismo do lado direito do Brasil está comprometido. Na maioria das vezes, a saída de bola é pelo lado esquerdo. O time confia muito mais em Marcelo, Coutinho e Neymar, do que em Fagner, Paulinho e Willian.

Oficina

Tite ordenou aos operários Cléber Xavier, Sylvinho e ao filho Matheus Bachi a manutenção com o trem em movimento. O ataque vive um drama. Dono da camisa 9, Gabriel Jesus ainda não fez gol. Antes de chegar a Moscou, o técnico testou Fernandinho no lugar do menino. O time que iniciará a partida é o mesmo da vitória sobre a Costa Rica.

Por falar em Gabriel Jesus, o atacante precisa exorcizar a maldição da camisa 9. Quem usa o número mítico consagrado, entre outros, por Ronaldo, não marca em Copas desde o gol de Fred contra a Camarões, em 2014, no Mané Garrincha, pela terceira rodada da fase de grupos.

O jejum inclui duelos com Chile, Colômbia, Alemanha, Holanda, Suíça e Costa Rica. No último jogo, Tite chegou a usar Jesus e Firmino juntos na operação abafa realizada no segundo tempo.

O passageiro Paulinho está sem brilho. Parece perdido no vagão. Além de não fazer gol — seu diferencial —, foi substituído duas vezes por Tite. Isso é raro. Em tese, a utilização do quarteto formado por Neymar, Coutinho, Willian e Jesus prejudicou Paulinho.

“Olha a trajetória do Willian e do Paulinho. Olha o quanto foram consistentes e decisivos. Não posso desconsiderar isso. O foguetinho (Willian) vai para um contra um direto. Ou dá para esquecer o jogo do Paulinho contra o Uruguai?”, questionou o comandante, referindo-se aos três gols no Centenário, em Montevidéu, na goleada por 4 x 1.

 

CB/D.A Press

O dia de “São João”

Personagem da estreia da Seleção Brasileira, ao ser empurrado por Zuber no gol de empate da Suíça, na primeira rodada do Grupo E, o zagueiro João Miranda de Souza Filho, o popular Miranda, será o capitão contra a Sérvia. A primeira vez na Copa. No rodízio, Marcelo liderou o time contra a Suíça, e Thiago Silva, diante da Costa Rica.

Aos 33 anos, o zagueiro que mais usou a braçadeira na era Tite provou a razão de ter tanto respeito do técnico. Seguro e cheio de personalidade, explicou que o choro compulsivo de Neymar após a vitória sobre a Costa Rica é assunto resolvido no vestiário. E até abriu mão de erguer a taça se a equipe chegar à final, em 15 de julho, e for hexacampeão no Estádio Luzhiniki.

“Fico feliz por, mais uma vez, representar todo o grupo de capitães, todo o grupo da Seleção. Se eu chegar à final e ganhar, sendo capitão ou não, a minha felicidade vai ser imensa”, comentou o primeiro líder da era Tite. A faixa foi dele no triunfo por 3 x 0 sobre o Equador, em Quito.

Segundo Miranda, a Seleção terá nervos de aço contra a Sérvia. Inclusive, o camisa 10 Neymar. “O jogo passado foi resolvido, o importante era a vitória. Não temos de pensar no individual”, argumentou.

Tite usou a resposta de Miranda para reforça a defesa de Neymar. “No primeiro jogo contra o Equador, o Tite chorou. Quando liguei para a minha esposa, chorei de alegria, de satisfação, porque é nossa característica emocional”, contou. “Chorei de prazer, de orgulho. Entendo que razão e emoção têm de estar equilibradas, e que há o momento do gelo, da calma, da lucidez.”

Temor

O risco de a Seleção repetir o fiasco de 1966, com uma eliminação precoce na fase de grupos, preocupa o elenco. “A gente sabe da importância de lidar com essa pressão. Somos a Seleção Brasileira, estamos habituados. Ao mesmo tempo, se a gente ganhar, vai passar como em todas as Copas, provavelmente em primeiro lugar”, ponderou.

Nem a possibilidade de enfrentar a Alemanha assusta Miranda. “A Seleção não pode escolher adversário. A gente joga para ser primeiro. Nossa Seleção chega bem. Houve melhora grande do primeiro para o segundo jogo, vamos melhorar muito mais e buscar a vitória”, disse.

Miranda afirma que o Brasil está pronto psicologicamente para o duelo com a Sérvia. “Acho que é um conjunto. Tanto o lado emocional quanto o técnico e o físico vão existir. Todos os aspectos foram trabalhados, chegamos muito bem preparados para fazer um grande jogo.”

Miranda e Thiago Silva formam uma dupla de zaga que sofreu apenas um gol na Copa, igualando o desempenho de Lúcio e Juan na fase de grupos de 2006, na Alemanha. Auxiliar de Tite, Cléber Xavier elogia a parceria, mas destaca o coletivo. “A gente sempre busca equilíbrio. Defendemos com todos. Nossa defesa não é Thiago Silva e Miranda, a linha de quatro.” (MPL)

“Tanto o lado emocional quanto o técnico e o físico vão existir. Todos os aspectos foram trabalhados, chegamos muito bem preparados para fazer um grande jogo”
Miranda, capitão contra a Sérvia

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Número de gols de Miranda com a camisa da Seleção, um deles no Estádio Luzhniki, contra a Rússia

Análise da notícia

Maus tempos
Foi-se a época em que o terceiro jogo da Seleção servia para cumprir tabela, decidir se o Brasil avançava em primeiro ou em segundo lugar, dar experiência a menino. Pela segunda Copa consecutiva, os pentacampeões não conseguiram 100% de aproveitamento nas duas primeiras partidas e deixaram a definição para a última hora. Em 2014, deu certo, na goleada por 4 x 1 sobre Camarões, em Brasília. Hoje, haverá suspense. Nada será pior do que o 7 x 1, em casa, numa semifinal de Copa. Mas ser eliminado na fase de grupo em 2018, como foi na Copa da Inglaterra, em 1966, seria outra vergonha e tanto para o futebol brasileiro.

1966
Única edição da Copa em que o Brasil foi eliminado na fase de grupos

“Todas as situações são possíveis. Todo aprendizado que trouxe do passado, eu não descarto. Com uma diferença. Aquilo que não tinha contra o Tolima, hoje tem forte. Mas pode ser (eliminação). É da vida”
Tite

Do Correio Braziliense.
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