Pequeno grande negócio: programa do Sebrae prepara empresas para setor de franquias

Doce Paladar, rede de confeitarias que nasceu em Anápolis, foi uma das empresas selecionadas no programa

Após participarem do Goiás Franquia, empresários goianos relatam como ingressaram no ramo e contam sobre os desafios e conquistas nessa nova fase de seus negócios.

Ao contrário do que muitos devem pensar, empresas de pequeno porte também podem ser franqueadoras. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem oferecido suporte para aqueles que desejam alargar os horizontes de seu empreendimento. Em Goiás, estabelecimentos de vários setores estão ampliando os limites físicos e econômicos ao se habilitarem como rede de franquias por meio do Goiás Franquia, programa realizado pela entidade e que concluiu a formação da primeira turma no último mês de maio. Após receberem certificação, os empresários têm pela frente desafios e conquistas nessa nova fase de expansão de seus negócios.

Lançado em junho do ano passado, o Goiás Franquia tem o intuito de fomentar o sistema de franquias do Estado, estruturando empresas com potencial de crescimento. Entre os empreendimentos que participaram do projeto estão a Doce Paladar Confeitaria, a Drogaria MedFácil e a HD Tecnologia. Durante 12 meses, essas empresas, que foram selecionadas após avaliação técnica do Sebrae, receberam orientações quanto a formatação básica para ser uma franqueadora. Ao final dos trabalhos, elas receberam a tão almejada Circular de Oferta de Franquias, documento necessário para a abertura e operação no ramo.

Hdir Gondim, sócio-diretor da
HD Tecnologia: “A expectativa é abrir duas franquias já neste ano”

“A gente sempre teve esta demanda”, revela Gabriel Rebelo, um dos sócios da Doce Paladar, confeitaria que já acumula mais de duas décadas de história. No início dos anos de 1990, em Anápolis, seus pais Else e Rubens deram início ao empreendimento que passou a crescer cada vez mais. “Em 2000, inauguramos a matriz e achamos que seria o suficiente, mas depois de três anos vimos que era pequeno e decidimos abrir mais lojas”, conta. Com lojas espalhadas por Goiânia, Valparaíso, além da cidade-mãe anapolina, o franqueamento parecia destino certo.

Após a recomendação de um amigo, Gabriel diz que inscreveu a confeitaria no Goiás Franquia e acabou sendo selecionado para o programa. “Como era a primeira turma, pensei que seria mais difícil, mas o Sebrae apresentou um material superorganizado, com um consultor muito experiente, e tivemos acesso a várias ideias que puderam nos ajudar”, afirma. Segundo o empresário, os procedimentos ao longo da formação foram dados de maneira que cada responsável pela empresa participante preenchesse a própria circular, disponibilizando maior contato e conhecimento quanto aos processos burocráticos.

Hoje, Gabriel está estruturando seus planos para o futuro da Doce Paladar com bastante organização e diligência. “É importante muita análise antes de dar um passo como esse. Acredito que para ser franqueadora, a empresa precisa de uma experiência sólida no mercado”, diz. De acordo com ele, a próxima etapa é analisar as solicitações de abertura de franquias. “Já temos algumas fichas de cadastro e iremos ter conversas para analisá-las em agosto”, revela. O empresário conta que o interesse, por enquanto, é atuar somente em Goiás.

Sócio da MedFácil, Júlio Cezar Canedo também já tem candidatos para gerir franquias da drogaria, após o recebimento de sua circular. “Estamos em fase de negociação com alguns possíveis futuros franqueados”, afirma. Com 25 anos de história, chegou a hora de a empresa se destacar ainda mais, segundo o empreendedor. Para ele, essa é uma nova conquista em termos de comercialização. “A gente acredita na gestão do negócio, não somente no farmacêutico, mas no varejo como um todo.”

A intenção de Júlio Cezar, sócio da MedFácil, é qualificar para depois expandir

A intenção de Júlio Cezar é qualificar para depois expandir. “Queremos formatar todos os processos, levando um treinamento de qualidade, para que o franqueado tenha uma boa base”, diz. O sócio acredita que é imprescindível oferecer suporte e preparação para os interessados em serem franquia. “Não temos pressa em crescer de uma hora para outra. Primeiro é preciso lapidar, para depois progredir com qualidade”, complementa.

Outro empresário que passou pelo Goiás Franquia é Hdir Gondim, sócio-diretor da HD Tecnologia. Após decisão interna, Hdir conta que foi acordado que era a hora de ampliar as perspectivas da empresa, mas alguns empecilhos complicaram o caminho. “Todas as consultorias para abrir franquias que a gente tinha pesquisado eram muito caras. Foi aí que encontramos o Sebrae, que oferece uma condição mais em conta”, esclarece. Segundo Hdir, com as dicas de formatação, a expectativa é já abrir duas franquias neste ano e outras duas em 2019.

Ainda assim, o diretor é cauteloso. “Avaliar a direção é melhor do que expandir em alta velocidade”. Para ele, antes de embarcar no negócio das franquias é necessário um processo de estruturação e organização, afinal os franqueados devem receber tudo em ordem. Hdir deixa ainda sua recomendação: “Programas como esse são importantes porque apoiam os pequenos empresários. O Sebrae é a casa de todo mundo que quer empreender e crescer”.

Economia

O setor de franquias movimentou cerca de R$ 163 bilhões, em 2017, conforme dados levantados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). A área cresceu 8%, em relação ao ano anterior, e segundo avaliações da própria entidade, a expectativa é de mais prosperidade, uma vez que a economia tem dado constantes sinais de recuperação. A ABF prevê um crescimento de até 10% no faturamento total do setor neste ano.

Além da dinâmica financeira, a abertura de franquias envolve a geração de empregos. Somente nos primeiros três meses de 2018, o franchising criou 1.199.861 vagas diretas. Quando considerados os empregos indiretos, a estimativa da pesquisa é de que as franquias geraram a abertura de aproximadamente 5 milhões de novos postos de trabalho. Ainda levando em conta os números da ABF, os setores que mais crescem no segmento são os de hotelaria, turismo e serviços.

Franchising brasileiro

Faturamento
1º trimestre de 2017 – R$ 36,890 bi
1º trimestre de 2018 – R$ 38,762 bi

Empregos
1º trimestre de 2017 – 1.188.979
1º trimestre de 2018 – 1.199.861

Como o Sebrae ajuda?

Por meio do Goiás Franquia, a entidade auxilia o empresário nos processos de padronização para que ele possa expandir seu trabalho como franqueador. A gerente da Unidade de Inovação e Competi­tividade do Sebrae-GO, Carmen Gondim, explica que a instituição auxilia na elaboração da Circular de Oferta da Franquia. “O público alvo do programa são as empresas de micro e pequeno porte sediadas em Goiás”, acrescenta.

As etapas do programa incluem: autodiagnóstico das empresas candidatas à franqueadora, devolutiva do diagnóstico, formatação básica, estudo econômico e orientações finais para implementação e gestão das franquias. O empresário pode realizar o processo por conta própria, entretanto, são ações complexas, que demandam tempo e conhecimento. “É recomendado que a formatação de franquia seja realizada por especialistas e nesse caso existem custos de contratação de consultorias.”

 

“Franquia é uma parceria empresarial”, diz gerente do Sebrae

É recomendado que a formatação de franquia seja realizada por especialistas”, orienta Carmen Gondim, gerente do Sebrae-GO

O sistema de franqueamento implica relacionamento entre o dono da marca e o operador da franquia. Para a gerente Carmen Gondim, essa ligação deve ser pautada em algumas normas, como cessão de direito do uso da marca, transmissão de conhecimentos, treinamento e apoio constante de implantação. “Em termos de negócio, o empreendedor precisa ter em mente que a franquia é uma parceria empresarial visando a expansão acelerada de novos pontos de distribuição de bens e serviços”, explica.

Além disso, antes de se aventurar no ramo, é importante que o empresário leve em consideração algumas características de seu negócio. Uma das mais substanciais é a padronização. Segundo Carmen, a Lei do Franchising exige a atuação mínima de dois anos. “Esse é o tempo razoável para uma empresa criar know how, padronizar os seus processos e compartilhar com os futuros clientes, os franqueados”, diz.

A gerente da entidade enumera os aspectos envolvidos no processo de uniformização: supervisão de rede; serviços de orientação e outros prestados ao franqueado; treinamento do franqueado e dos funcionários que atuarão na franquia; elaboração de manuais de franquia; auxílio na análise e escolha do ponto onde será instalada; layout e padrões arquitetônicos nas instalações do franqueado.

 

 

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