Brasília: encenação da Paixão de Cristo reúne 55 mil no Morro da Capelinha

No Distrito Federal, apresentação da Via Sacra, no Morro da Capelinha, ocorre há 42 anos, como em todas as edições, atrai uma multidão Wilson Dias/Agência Brasil

Milhares de pessoas acompanham a tradicional encenação da Via Sacra no Morro da Capelinha, em Planaltina (DF), que retrata momentos da Paixão de Cristo, entre eles a condenação de Jesus, o recebimento da cruz, a crucificação, a morte e a ressurreição.

A Via Sacra é realizada há 43 anos. Este ano, contou com 1.050 atores nos papéis de personagens bíblicos como Jesus Cristo, Maria, os apóstolos, Pôncio Pilatos, cavaleiros romanos e camponeses.

No público, pessoas de todas as idades, muitos jovens com camisetas de grupos de paróquias católicas e até crianças de colo. A expectativa da organização era que 130 mil pessoas assistissem ao espetáculo. A Polícia Militar estimou em 55 mil presentes.

Promessas

Ao longo do percurso da subida do morro, um dos momentos de maior emoção para o público foi a encenação da crucificação de Jesus. Mas o ponto alto da Via Sacra foi a ressurreição, que arrancou aplausos e gritos dos que acompanhavam. Milhares de pessoas disputaram o espaço para ver de perto esse momento.

A encenação começou por volta de 16h30 e meia hora depois ainda era grande o número de pessoas chegando. Bem antes do início do espetáculo, a policial civil Elizete Rodrigues do Lago, de 42 anos, já estava no Morro da Capelinha para não perder nenhuma das estações.

Elizete acompanha a Via Sacra há 15 anos, mas dessa vez teve um motivo especial para participar. A filha está internada, em tratamento, após ter sido diagnosticada com leucemia e ela veio também para pedir pela cura da adolescente.

Católica, ela disse que a encenação da Paixão de Cristo a emociona todos os anos. “Gosto muito. A encenação é marcada por muita fé. Hoje, temos aqui uma energia muito positiva e acredito que as pessoas se transformam quando chegam”, acrescentou.

Acompanhada do marido, a vendedora Maria Betânia de Sousa, de 27 anos, assistiu a encenação pela terceira vez. Ela elogiou os figurinos, a atuação dos atores e a organização do evento e afirmou que pretende vir todos os anos.

“Para mim, o momento mais emocionante foi a ressurreição de Cristo, quando temos renovada nossa fé.” Mesmo com o trajeto longo e da subida do morro, Maria Betânia disse que o esforço compensou. “É tão interessante que nem sentimos cansaço.”

O movimento no Morro da Capelinha começou ainda pela manhã, quando diversas pessoas foram ao cruzeiro no alto do morro acender velas e pagar promessas. Algumas subiram de joelhos para agradecer graças recebidas.

Depois de iniciada a encenação ainda era possível ver pessoas pagando promessas. Enquanto os atores estavam na primeira cena da Paixão de Cristo, um homem subia o trajeto arrastando uma cruz apoiada no ombro. Pouco depois, outro descia na mesma situação.

Organização e verbas

Durante quatro finais de semana os atores ensaiaram para o espetáculo que envolve 1,4 mil pessoas, entre artistas e os que trabalham nos bastidores, em equipe técnica e de apoio. Para vestir tantos atores, foram usados mais de 800 metros de tecidos. Uma equipe de nove pessoas começou a trabalhar 40 dias antes para garantir a beleza dos figurinos e cenários.

De acordo com o governo do Distrito Federal, a Via Sacra deste ano teve R$ 500 mil de emenda parlamentar e outros R$ 200 mil da Secretaria de Cultural. De acordo com a organização, o valor é menor que o esperado e, com menos recursos, a infraestrutura teve de ser reduzida e parte da decoração reciclada. O evento contou com efetivo de 490 policiais militares e foi resgitrada apenas uma ocorrência de perda de documento.

Neste mês de março, o Morro da Capelinha foi palco de um conflito judicial. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal determinou a retirada de cercas de arame farpado instaladas na área pelo dono de terras vizinhas e que inviabilizariam a realização do espetáculo de Páscoa. A ação foi movida pela Paróquia São Sebastião de Planaltina, que alegou ser a legítima dona da área de 77,1 hectares desde 1973.

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