Público do Villa Mix relata série de confusões. Jovem sofreu violência e denuncia negligência de seguranças

Ocorrências policiais marcaram o festival Villa Mix, no sábado passado, no estacionamento do estádio Mané Garrincha. Os relatos de violência e omissão por parte da organização tomaram conta das redes sociais. Em um dos casos mais graves, uma mulher foi ferida a socos e chutes e reclamou da atuação dos profissionais que trabalhavam no show. Um homem chegou a ser preso com 24 celulares furtados.

Com ingressos que custavam até R$ 700, o Villa Mix teve atrações como Wesley Safadão, Jorge e Mateus, Aviões do Forró e o DJ Alok. Antes das 14h os portões estavam abertos e as apresentações se estenderam até a madrugada. Com exceção do setor com ingresso mais barato, todo o público tinha acesso a bebidas, em esquema open bar.

A publicitária Yara Pereira de Abreu, 26 anos, nem pretendia ir ao evento. A comemoração do aniversário de uma amiga fez com que ela decidisse ir com a esposa. Ao chegar ao local, o grupo de amigos se deparou com confusões. “Vimos focos de briga e jogaram bebida na gente mais de uma vez”, relatou. Mas o pior veio depois. Yara viu um homem jogando um copo de cerveja em uma mulher loira e decidiu defendê-la. “Não vimos nenhum segurança por perto e tentamos separar a briga. Ele começou a nos peitar e saímos de perto dele. Quando íamos ao banheiro, minha mulher viu quando ele tentou me agredir pelas costas e ela tentou impedir. Quando abaixei para ajudar minha esposa, ele me chutou”, contou.

Depois da briga, a publicitária ficou com um corte na têmpora. Yara e as amigas tentaram encontrar seguranças e socorristas. O grupo teve dificuldades de obter atendimento. “Um dos seguranças chegou a duvidar de mim, dizendo que não tinha como eu ter sido agredida no evento”, afirmou, indignada. Outra amiga ouviu a recusa de um profissional, que disse não poder deixar o posto para atender a ocorrência.

Ao chegar ao posto médico, mais dificuldades. “Disseram que eu tinha que ir ao hospital, senão ficaria com uma cicatriz gigantesca. Eles não tinham instrumentos para dar pontos nem podiam deslocar uma ambulância para me levar ao hospital. Saí do evento sangrando e encontrei um policial militar que me disse que era obrigação da organização me transportar”, lembrou. Depois de muito custo, Yara conseguiu ir em uma ambulância com outros pacientes. Já no hospital, a vítima recebeu cinco pontos no local do ferimento. Ela pretende processar a organização do Villa Mix.

Tentativa de estupro nos arredores

A Polícia Militar atuou apenas na parte externa do evento. Ali, um homem foi preso com 24 celulares furtados. Ele usava duas calças e colocava os aparelhos dentro da roupa. Os policiais suspeitam que se trate de uma quadrilha que atuou no show. A PM também prendeu um ladrão de carros foragido da Justiça e coibiu a venda de ingressos falsos. A Polícia Civil, por sua vez, registrou um assalto seguido de tentativa de estupro. A vítima afirmou ter procurado um segurança do evento e teve como resposta que “esse tipo de coisa acontece”. Além disso, houve ocorrências de furtos de celular e tráfico de drogas.

Na página do evento no Facebook, as avaliações negativas deram o tom. Uma internauta se dizia arrependida de ir ao evento e criticou a organização. “Nunca vi tanta briga na minha vida, foi ridículo, não tinha segurança o suficiente. Não tinha pra onde correr. Muita gente inocente se machucou ou foi furtado”, esbravejou.

Outro depoimento mais contido destacava os mesmos problemas. “Open bar estava bom. Shows bons. Único problema foi muita briga, mas isso são as pessoas que não sabem beber e curtir”, disse. A organização do festival não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição.

 

 

 

FONTE: JORNAL DE BRASILIA

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