Cabo Gilmar se torna cabo Gisele

Primeiro caso de transexual na PM goiana é de um cabo que aguarda para fazer cirurgia

A Polícia Militar do Estado de Goiás tem seu primeiro caso de militar transexual. O cabo Gilmar Teixeira Alves se tornou a cabo Gisele sem prejuízo de seu posto, função e atribuições profissionais. Gisele é lotada no 1º Batalhão da Polícia Militar, o Batalhão Anhanguera, e exerce funções administrativas.

As mudanças de Gilmar para Gisele começaram há alguns meses, desde que o cabo comunicou a seus superiores a intenção de mudar de sexo. Alguns colegas dizem que ele se declarava insatisfeito com sua condição e omitia o quanto podia a possibilidade de realizar uma tão profunda alteração em sua vida. Após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça de abrir as portas para mudança de registro de identidade civil independente da realização de cirurgia de mudança de sexo, os casos se multiplicaram.

“Ela [cabo Gisele] teve uma mudança profunda desde que contou para os comandantes que pretendia mudar de sexo com todos os direitos, inclusive mudar seu uniforme para feminino e o nome civil, parece que é completamente outra pessoa”, comenta um oficial que acompanhou o caso. Todos, oficiais e praças, falam apenas de maneira muito reservada e em público mantêm o mais profundo silêncio. “O comando decretou sigilo absoluto sobre o caso e avisou punição para quem vazar informações”.

Gilmar Teixeira Alves ingressou na Polícia Militar em 2005 como soldado e é citado por seus colegas como disciplinado, dedicado ao trabalho e simpático com todos. Pelo critério de merecimento, ele foi promovido ao posto de cabo e saiu do serviço operacional para o administrativo, onde a vida é mais tranquila. “É um policial exemplar, de bom convívio e dedicado. Merece nosso respeito”, comenta um colega policial.

Gisele é lotada no 1º Batalhão da Polícia Militar,o Batalhão Anhanguera, e exerce funções administrativas(Fotos: Divulgação)

Transexualismo

Havia uma ligeira repressão para que indivíduos com intenção de mudança de sexo se expressassem de forma aberta. Com a decisão do STJ de permitir a adequação do registro civil sem que seja necessária a cirurgia de mudança de sexo, os casos se multiplicaram.

A própria cabo Gisele está de licença essa semana para tratar de assuntos relativos à mudança de sexo que solicitou no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. O HC-UFG tem um projeto pioneiro no Brasil e um dos poucos que atendem pelo Sistema Único de Saúde todo o procedimento para mudança de sexo. “O Projeto Transexualismo se destina a oferecer acompanhamento psicológico a pessoas portadoras de Distúrbio de Identidade de Gênero (DIG) e, quando for o caso, realizar a Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS)”, explica o diretor do HC, o médico José Garcia.

Ele lembra que o programa sofreu um pequeno revés nos últimos meses em função de licença de alguns profissionais da equipe multidisciplinar e aposentadoria de outros. Mas que, aos poucos, o grupo vai se recompondo sob a liderança da coordenadora, a ginecologista e sexóloga Mariluza Terra Silveira, uma das mais respeitadas profissionais que atuam na área. O projeto teve uma redução substancial na fila de espera, mas em média dura até quatro anos.

“Os pacientes são submetidos a rigoroso acompanhamento multidisciplinar, que inclui psicólogos para atestarem a condição dos interessados na mudança de sexo. O indivíduo precisa estar devidamente preparado, consciente e decidido para fazer a cirurgia e enfrentar todo o peso que a mudança provoca”, frisa. Tudo é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e para Goiás acorrem pacientes de outros Estados, porque o HC-UFG é referência e uma das poucas unidades que desenvolvem esse projeto.

 

Fonte: Diário da Manhã

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