Padrasto engravida menina de 12 anos na Estrutural

No mesmo dia em que campanhas contra o abuso e a exploração sexual infantil chegaram às casas dos brasilienses, devido à data nacional de luta contra o crime, um novo caso foi descoberto pelo Conselho Tutelar da Estrutural. Uma menina de 12 anos estaria grávida de seis meses após sucessivos estupros cometidos pelo padrasto. A mãe descobriu o caso ontem e participou da denúncia, levando à prisão do criminoso confesso. Casos como esse tiveram aumento de 25% no primeiro quadrimestre deste ano e demonstram a necessidade de mais segurança.

O tio da criança procurou o Conselho Tutelar da Estrutural ao desconfiar de que a paternidade seria diferente da que a garota afirmou. Inicialmente, a menina inventou que o bebê era de um namorado que ela conheceu há dois meses – supostamente o mesmo tempo da gestação. Porém, um exame feito nesta semana constatou que a gravidez tem seis meses. Ontem, a mãe a pressionou e ela confessou ter sido vítima de abusos – o último em dezembro do ano passado.

O conselheiro tutelar Clóvis de Souza Campos explica que recebeu mãe e filha após a denúncia do tio. Assim, resolveu procurar a Polícia Militar e relatar o caso. Suposto autor do crime, o catador L.P.G., 34 anos, foi encontrado na rua, perto da casa onde todos moravam e, no início, negou as acusações, mas cedeu após um tempo.

Família

A mãe da vítima morava com o suspeito há três anos. A mulher, que também é catadora no Lixão da Estrutural, tem outra filha de 11 anos, mas não há informações que ela tenha sofrido abusos. O pai das meninas morreu há alguns anos.

O outro conselheiro que acompanhou o caso, Djalma Nascimento, afirma que a vítima se manteve em silêncio durante esse tempo porque era ameaçada, e também temia que a mãe sentisse desgosto pela situação. “A vítima se sente culpada. Ela tem medo da reação dos pais, da sociedade, e por isso permanece calada”, complementa Clóvis de Souza.

Maioria dos casos ocorre em casa

Na experiência dos conselheiros, a maioria dos casos ocorre em casa e, segundo Clóvis, os abusadores não têm cara nem classe social. Por isso é preciso que os pais fiquem de olho, pois “a inocência e o silêncio da criança levam o abusador a continuar”. A análise do conselheiro condiz com os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP): além do aumento de 25% de janeiro a abril deste ano (243) em relação ao mesmo período do ano passado (195), foi descoberto que 63% desses crimes ocorreram dentro da casa da vítima ou do autor.

O subsecretário de Gestão da Informação da SSP, Marcelo Durante, salienta que em 68% dos casos existe vínculo entre abusador e o menor. “A gente identifica que em 45% das escolas do DF há crianças com sinais de violência doméstica. Campanhas são importantes por isso. Esses crimes são um problema social”, observa. As campanhas estimulam as denúncias: 23% dos casos registrados em 2017 ocorreram em anos anteriores.

 

 

FONTE: JORNAL DE BRASILIA

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