Conversas no WhatsApp detalham ação de mulher que sequestrou bebê no Hran

A Polícia Civil teve acesso a conversas de WhatsApp entre a suspeita de sequestrar um recém-nascido no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e o marido. Os textos mostram que a mulher teria avisado ao marido que o bebê havia nascido. Gesianna de Oliveira Alves, 25 anos, contou ao marido que estava no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) para uma consulta.
Em seguida, ela se passa por uma amiga, Andreia, e continua a enviar mensagens ao companheiro, dizendo que a bolsa havia rompido. A troca de mensagens ocorreu na terça-feira (6/5), dia do sequestro. Por volta das 14h45, poucas horas depois que a equipe do Hran se dava conta do sumiço do bebê, Gesianna avisa, por mensagem: “Parabéns papai, seu filho nasceu. Nasceu com 3 quilos. A mamãe está bem também.” Acrescenta que o parto foi normal e que ele pode só poderá visitá-la no dia seguinte. “Qualquer coisa me avise, por favor”, escreve o pai.
Segundo o testemunho do marido à polícia, os dois não tinham relação sexual há seis meses e o companheiro não havia visto a mulher sem roupa para identificar a farsa. Ela marcava os pré-natais no horário em que ele trabalhava e usava uma barriga falsa. Assim que ela avisou do parto, ele ficou ansioso para sair logo do trabalho e conhecer o filho, mas ela sempre falava que ele não poderia entrar na maternidade.
Em outro trecho da conversa divulgada pela Polícia Civil, o marido insiste para que a mulher peça à amiga que ela dizia tê-la acompanhado para tirar uma foto de Gesianna com o bebê, e ela envia a imagem.
De acordo com o delegado responsável pelo caso Paulo Renato Fayão, da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS), a suspeita queria cuidar do filho como se fosse dela. Nas redes sociais, ela postava fotos da susposta gravidez. “A participação da família foi de total colaboração com PCDF e decisiva na localização da autuada e do recém-nascido”, afirmou o delegado.

Motivos

Segundo a Polícia Civil, Gesianna ainda passará por avaliação psicológica. A professora Daniela Chatelard, do Programa da Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (PCL) do Instituto de Psicologia na Universidade de Brasília (UnB), observa que é preciso ter mais informações sobre o caso para avaliar as razões que podem ter levado a jovem a sequestrar o bebê. “Em primeiro lugar, é preciso analisar o histórico emocional de Gesianna. É necessário saber a história de vida dela, como era a relação com a mãe e com a avó, por exemplo. A maternidade pode estar mal resolvida na cabeça dela”, afirma.
A especialista reforça ainda a importância dessa avaliação psicológica. “Ela precisa ser avaliada. É possível que ela tenha alguma patologia, como psicopatia. Ou o sequestro pode ter sido fruto de fantasias infantis. São grandes as chances de que ela tenha algum transtorno mental, pois cometeu um crime. Mas o mais importante agora é ouvi-la, acompanhá-la, avaliá-la, para tentar entender o que aconteceu”, diz. “O desejo de ser mãe, de ter um filho, não justifica um crime. Ainda não podemos afirmar exatamente o que levou Gesianna a sequestrar o neném, pois as informações sobre ela são rasas. Ela precisa passar por uma avaliação psicológica.”
FONTE: CORREIO BRAZILIENSE
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