Funcionário denuncia à Polícia Civil gastos com bebidas alcoólicas em cartão da diocese de Formosa

Boletim de ocorrência registrado por funcionário da diocese de Formosa (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Segundo depoimento dele, foram R$ 4 mil em compras em um supermercado usando assinatura falsificada. Além do servidor, bispo preso acusado de desvio de dízimo tinha senhas da conta. Defesa dele informou que não tem conhecimento da denúncia.

Funcionário denuncia à Polícia Civil gastos com bebidas em cartão da diocese de Formosa.

Um boletim de ocorrência registrado por um funcionário da diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, denuncia gasto de R$ 4 mil indevidos no cartão da instituição com suspeita de assinatura falsa. Segundo apurou a TV Anhanguera, depoimentos apontam que parte dos gastos seria com bebidas alcoólicas. Conforme relato, tesoureiro seminarista e bispo Dom José Ribeiro tinham senhas do cartão. Defesa do bispo informou que “ainda não tomou conhecimento” da denúncia.

A denúncia é de janeiro de 2017. Conforme relato registrado pela Polícia Civil, o funcionário autor da denúncia se identificou como responsável por fazer as compras para a diocese. Ele notou o gasto em compras de supermercado que não foram feitas para a instituição, mas que teriam sido em seu nome, possivelmente com falsificação de assinatura.

Conforme depoimento, além do próprio funcionário que fez a denúncia, o bispo da cidade, Dom José Ribeiro, um tesoureiro e um seminarista também tinham as senhas e códigos do cartão. Dias após a denúncia, o mesmo servidor pediu para retirá-la com intuito de “evitar qualquer tipo de escândalo”.

O G1 Goiás tentou contato, por telefone, com o delegado responsável pela investigação, Jandson Bernardo da Silva entre 16h44 e 18h20, mas as ligações não foram atendidas. A assessoria de imprensa da Polícia Civil não soube informar se, apesar do denunciante pedir que a denúncia fosse retirada, as investigações continuam.

 Boletim de ocorrência registrado por funcionário da diocese de Formosa (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Operação Caifás

Além do bispo, o juiz eclesiástico, quatro padres e dois empresários estão presos em uma ala isolada no presídio de Formosa. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) aceitou a denúncia do MP-GO e os nove, além de outras duas pessoas, se tornaram réus no processo. Além disso, o secretário da Cúria foi liberado, embora continue respondendo ao processo.

As investigações começaram no ano passado, após denúncias de fiéis. Eles afirmaram que as despesas da casa episcopal subiram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde a chegada do bispo Dom José Ronaldo, em 2015. Na ocasião, o clérigo negou haver irregularidades nas contas da Diocese de Formosa.

No último dia 27 de março, o STJ negou a soltura deles e pediu que o TJ-GO se posicione a respeito de alegação das defesas de que houve constrangimento ilegal pela prisão. Os advogados deles defendem que eles não cometeram irregularidades.

A Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGPA) confirmou ao G1, nesta segunda-feira (2), que todos os nove investigados presos na operação continuam detidos no presídio de Formosa.

Por Vanessa Martins, G1 GO

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