Polícia faz ação para apurar desvio de R$ 395 mil em manutenção de veículos considerados sucatas, em GO

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, um deles na casa da ex-prefeita de Cidade Ocidental.

A Polícia Civil fez uma operação para investigar denúncias de fraudes em contratos para a venda de peças e manutenção da frota veículos da Prefeitura de Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal. De acordo com as apurações, a administração municipal usou R$ 395 mil para consertar 23 veículos que foram considerados sucatas e não tinham condição e rodar. Na ação, denominada Rainha da Sucata, foram cumpridos 9 mandados de busca e apreensão, um deles na casa da ex-prefeita, Gisele Araújo.

O G1 entrou em contato por e-mail às 10h30 com a ex-prefeita, que administrou a cidade entre 2013 e 2016, e aguarda retorno.

A polícia descobriu o suposto esquema após a denúncia de um vereador. No pátio da prefeitura foram encontrados veículos abandonados, entre eles uma retroescavadeira, um trator e um ônibus escolar, todos sem qualquer possibilidade de rodar.

De acordo com a delegada Tatiana Barbosa, adjunta da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) e responsável pelo caso, conforme os documentos obtidos, todos constam como veículos que deveriam ter sido consertados.

“As notas fiscais das empresas apontam que foram vendidas peças e contratados serviços de manutenção para os 23 veículos, mas nenhum passou por qualquer reparo. No total, já constatamos que foram gastos R$ 395 mil nesse veículos, mas nenhum foi arrumado”, explica.

Ainda conforme a delegada, foram empenhados nos contratos o montante de R$ 3,6 milhões, dos quais R$ 1,4 milhão foi liquidado. Por isso, a polícia suspeita que o rombo pode ser ainda maior. A polícia ainda não sabe qual o destino do dinheiro que teria sido desviado.

Os mandados foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Cidade Ocidental, em Goiás, além do Guará e Águas Claras, no Distrito Federal. A prefeitura e a casa da ex-prefeita foram alguns dos alvos.

A polícia disse que além da ex-gestora da cidade, mais sete servidores da prefeitura, incluindo secretários, são suspeitos de envolvimento. Os nomes não foram divulgados pela Polícia Civil.

Também foram recolhidos documentos das duas empresas contratadas para fornecer os serviços. Os mandados foram cumpridos nas casas dos proprietários das companhias, em condôminos de luxo de Goiânia. As identidades deles também não foram reveladas. Os suspeitos devem prestar depoimento nas próximas semanas.

Do G1 Goiás.

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