Sem estoque em 95% dos depósitos, botijão de gás de cozinha chega a ser vendido a R$ 150 em Goiás

O protesto dos caminhoneiros contra a alta no diesel provoca falta de gás de cozinha em 95% dos depósitos de Goiás, segundo o Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro-Oeste (Sinergás). Um comerciante tentou se aproveitar da situação e cobrou R$ 150 pelo botijão de 13 kg, mas foi flagrado pelo Procon e autuado nesta segunda-feira (28). Já são oito dias de paralisação, com reflexos em várias outras áreas.

Para confirmar a situação abusiva, um agente do Procon ligou para o estabelecimento, localizado na Vila Atalaia, se passando por cliente. A conversa foi gravada (ouça acima).

– Vocês estão tendo gás aí?

– Não, acabou.

– E quanto estava o gás de vocês, mal lhe pergunte?

– R$ 150, porque ele aumentou.

O proprietário será multado, pois anunciava em uma placa no depósito o botijão por R$ 77. O valor da infração, que ainda será definido, pode variar de R$ 600 a R$ 9 milhões.

O Procon seguirá fiscalizando os depósitos. Quem quiser, pode denunciar situações abusivas pelo número 151.

Anunciando gás de cozinha a R$ 150, depósito foi autuado (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Anunciando gás de cozinha a R$ 150, depósito foi autuado (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Déficit

Segundo o presidente do Sinergás, Zenildo do Vale, o estado tem 3,5 mil depósitos, dos quais 550 estão na capital. Ele avisa que, se o problema não for resolvido logo, a situação pode piorar ainda mais. Ele afirma que a situação é crítica e que não há previsão para normalização do fornecimento do produto.

Oferta e procura

A comerciante Selma Oliveira vendeu se último botijão na sexta-feira (25). A procura no depósito dela, no Setor Parque Amazônia, foi grande. Mesmo sem o produto, ela fez questão de atender todas as ligações e explicar tudo para os clientes.

“O pessoal liga pedindo. Hoje foi Cmei e restaurante procurando e a gente não tem para servir”, lamenta.

O autônomo Darlan Altino Freire rodou toda a tarde tentando encontrar gás para comprar, mas não conseguiu. “Não tem. Passei por vários bairros para tentar achar”, afirma.

Em nota, a Vila São Cottolengo, hospital filantrópico de Trindade, Região Metropolitana de Goiânia, informou que opera com apenas 40% do total de gás a granel disponível. A quantidade é suficiente apenas para as atividades de terça-feira (29).

Por conta da situação, a unidade, que atende 313 pacientes com deficiências físicas e intelectuais, decretou “situação de alerta” e está realizando medidas de contenção para continuar a prestar o serviço.

J- FONTE: G1GO

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