MP apura suspeita de contratação de servidores fantasmas pela Câmara Municipal de Buriti Alegre, em Goiás

(Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Funcionários eram assessores dos vereadores Roberto Ferreira (PP) e Felix Aparecido Alves (PRTB) e foram exonerados após início das investigações; por mês cada um recebia R$ 1,4 mil.

 

O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) está investigando a contratação de dois funcionários da Câmara Municipal de Buriti Alegre, na região sul de Goiás. Segundo o órgão, os servidores são considerados “fantasmas”, por receberem os salários, mas não trabalharem na instituição.

Conforme o MP-GO, os alvos da ação, que foram exonerados após o início das investigações, são Cássio Evangelista Borges, que era contratado como assessor legislativo do vereador Roberto Ferreira (PP), e Marta Gomes Machado, assessora do vereador Felix Aparecido Alves (PRTB).

De acordo com o promotor de Justiça Rodrigo César Bolleli Faria, ambos servidores foram ouvidos e confirmaram que recebiam, mas não trabalhavam.

“Eles assinavam esta folha de frequência quando os vereadores levavam para eles, ou quando passavam pela Câmara nos dias em que o oficial de promotoria esteve na Câmara, constatou que os assessores não estavam presentes, mesmo assim, a folha de frequência foi assinada e foi constatada pelos vereadores”.

“Todos os envolvidos foram ouvidos, tiveram oportunidade de defesa no próprio procedimento, e confirmaram que não trabalhavam efetivamente na Câmara”, disse o promotor

O G1 tenta localizar Cássio e Marta. O G1 ligou para os vereadores Félix Aparecido Alves e Roberto Ferreira, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem. Roberto afirmou, na quarta-feira, à TV Anhanguera, que não havia sido notificado e, por conta disto, não comentaria o assunto.

O G1 entrou em contato com o parlementar também por email, às 9h desta quinta-feira, e aguarda um posicionamento sobre o caso.

Relatório aponta que Cássio e Marta receberam salários em 2017, em Buriti Alegre, em Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)Relatório aponta que Cássio e Marta receberam salários em 2017, em Buriti Alegre, em Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)

Os ex-servidores aparecem no relatório divulgado pela Câmara Municipal de Buriti Alegre, do ano de 2017, confirmando que cada um deles recebeu, mensalmente, de janeiro a novembro do ano passado, cerca de R$ 1,4 mil. Diante da suspeita de crime, o promotor disse que pediu o bloqueio dos bens dos envolvidos.

Em relação aos vereadores Roberto Ferreira e Felix Aparecido Alves, o MP-GO pediu a cassação dos direitos políticos de ambos parlamentares

O repositor de mercado Hélio Mendes disse que fica revoltado ao ver colegas procurando emprego, tentando se inserir no mercado de trabalho, e, ao mesmo tempo, a cidade apurando a suspeita de pessoas recebendo sem trabalhar.

“Têm muitas pessoas que estão procurando emprego, aí diante disso pessoas recebendo sem trabalhar é meio estranho”, desabafou.

Câmara Municipal de Buriti Alegre, em Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)Câmara Municipal de Buriti Alegre, em Goiás (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Do G1 Goiás.
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