Ligação para prevenção ao suicídio se torna gratuita em todo o país

Desde o primeiro domingo de julho, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), o 188, está disponível em todo o território nacional e a ligação se tornou inteiramente gratuita. A iniciativa foi possível devido a uma parceria com o Ministério da Saúde.

O 188 já era acessível a 23 estados brasileiros desde 2017, as exceções eram Bahia, Maranhão, Pará e Paraná.

O CVV, órgão sem fins lucrativos que funciona desde 1962, é dedicado a escutar qualquer pessoa que esteja passando por dificuldades, funcionando como uma prevenção ao suicídio. Em 2017, recebeu cerca de 2 milhões de ligações. Neste ano, a previsão é ultrapassar 2,5 milhões.

Félix Flor, servidor público e voluntário há 4 anos, disse ao jornal Folha de São Paulo que as pessoas procuram a instituição porque precisam desabafar e contar histórias que, muitas vezes, amigos e familiares não aguentam mais ouvir.

“Imagina a caminhada que essa pessoa já deve ter feito para pegar o telefone e falar sobre suas angústias para uma pessoa que ela não conhece”, disse outro voluntário. “Falar do seu íntimo não é uma coisa tão simples”.

De acordo com a psicólogo e pesquisadora da USP, Esther Hwang, o suicídio é uma questão de saúde pública. “É reflexo de uma sociedade doente, e não necessariamente de uma pessoa doente”.

Segundo dados do Ministério da Saúde, todos os dias cerca de 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil.

Para os voluntários de CVV, o suicídio, em si, é uma ação impulsiva, mas há um processo por trás do ato: isolamento, desistência de hobbies, falta de contato com a família e amigos podem ser interpretados como sinais. Depressão e abuso de álcool e drogas também exigem atenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os idosos correspondem à faixa etária de maior risco para o suicídio. No Brasil, a taxa de mortalidade entre pessoas com mais de 70 anos chegou a 8,9 a cada 100 mil habitantes entre 2011 e 2015.

A taxa de suicídio também é alta entre os jovens: é a quarta maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no Brasil. Dentre os adolescentes que contatam o CVV, muitos expõem histórias de conflitos com os pais, amigos e preocupações com a escola.

Já os jovens adultos relatam o medo de não conseguir um emprego, falam sobre relacionamentos complicados e sobre sua própria solidão.

Além do número 188, o CVV disponibiliza atendimentos presenciais, por chat e por e-mail. Segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos.

Quem deseja ser voluntário do CVV precisa primeiro passar por um treinamento de cerca de 3 meses. Depois, é instalado em um posto da instituição para fazer um plantão de quatro horas por semana via telefone, chat ou e-mail.

Além dos plantões, há um grupo de apoio para o voluntário que se reúne uma vez por mês. Para não levar o peso das ligações para casa, os voluntários conversam entre si, principalmente durante as trocas de plantão, e tentam espairecer entre uma ligação e outra.

Na rede pública de saúde, quem precisa de ajuda psicológica pode recorrer aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), tais como os 2.555 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que atendem transtornos psíquicos e dependência de álcool e outras drogas.

Se necessários, os pacientes são encaminhados para leitos de saúde mental em hospitais gerais.

O Ministério da Saúde pretende atingir a meta de reduzir em 10% os óbitos por suicídio até 2020.

 

Do Diário de Goiás.

print