Brasil fica abaixo da média em ranking mundial que avalia a educação

(foto: Nicolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

Indicadores de 2018 do Pisa revelam que 43,2% dos alunos brasileiros obtiveram pontuação baixa em ciências, leitura e matemática

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou, nesta terça-feira (3/12), os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), referentes a 2018. A prova é aplicada a cada três anos a estudantes de todo o mundo matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos e abrange três áreas do conhecimento: leitura, matemática e ciências.

Apesar de ter demonstrado uma pequena evolução em comparação ao exame de 2015, o Brasil acumulou resultados inferiores à média global definida pela organização. De qualquer forma, registrou a 57ª colocação dentre 79 nações avaliadas, com 487 pontos. No ano passado, 600 mil alunos fizeram a prova.

Segundo a OCDE, 10.691 estudantes de 638 escolas se submeteram ao teste no Brasil. Em leitura, o país registrou 413 pontos; em matemática, 384; e em ciências, 404 — em 2015, o Brasil tinha feito 407 pontos em leitura; 377, em matemática; e 401, em ciências —, enquanto isso, a média dos países da OCDE, grupo formado por 37 países, foi de 487, 489 e 489 pontos, respectivamente. A nível de comparação, a China, país mais bem avaliado no ranking, alcançou 555, 591 e 590 pontos, na sequência.

A OCDE constatou que não houve mudanças significativas nos resultados brasileiros. Apesar de as pontuações terem sido superiores em detrimento à prova de 2015, o país está estagnado, de acordo com a organização. Dos países latino-americanos que aplicaram o teste, Chile, México, Uruguai e Costa Rica superaram o Brasil nos três quesitos. A Colômbia obteve resultados melhores em matemática e ciências, enquanto o Peru venceu o Brasil apenas em matemática. Os demais — Argentina, Panamá e República Dominicana — tiveram notas inferiores às dos estudantes brasileiros.

A partir das notas, os alunos foram classificados em oito níveis de proficiência. As tarefas mais simples da avaliação correspondiam ao nível 1C. Já os níveis 1B, 1A, 2, 3, 4, 5 e 6 correspondiam a tarefas mais difíceis. De acordo com os resultados do Pisa, apenas 2,5% dos alunos brasileiros alcançaram os níveis mais altos de proficiência (5 ou 6) em pelo menos uma disciplina. Enquanto isso, 43,2% obtiveram pontuação abaixo do nível mínimo de proficiência (2) nos três componentes — na América Latina, apenas Panamá e República Dominicana registraram índices inferiores, e dentre as 79 nações, o Brasil foi o 9º pior neste quesito.

Diferenças socioeconômicas e comportamento

As condições socioeconômicas dos estudantes foram determinantes para o desempenho do Brasil na avaliação. A região Nordeste, por exemplo, acumulou os piores índices: 389 pontos em leitura; 363, em matemática; e 383, em ciências. A região Sul foi a que mais se destacou, mesmo assim, teve notas abaixo das médias da OCDE: 432 pontos em leitura; 401, em matemática; e 419, em ciências.

Como consequência, muitos estudantes, especialmente os mais desfavorecidos, têm poucas ambições para o futuro, devido ao seu desempenho acadêmico. No Brasil, cerca de um em cada 10 alunos desfavorecidos e de alto desempenho não espera concluir o ensino superior. Já dentre os alunos favorecidos e de alto desempenho, a porcentagem é menor: um em cada 25 não acredita que vai terminar uma faculdade.

O Pisa ainda constatou aspectos alarmantes sobre a disciplina dos jovens brasileiros. Nas duas semanas anteriores à aplicação da prova, 50% dos estudantes faltaram ao menos um dia de aula, enquanto 44% chegaram atrasados à escola. Além disso, cerca de 41% dos alunos responderam que o professor tem de esperar um longo tempo para que toda a turma faça silêncio e concentre no conteúdo, e 29% afirmaram sofrer bullying mais de uma vez por mês.

Desempenho por gênero e família

Em todos os países e economias que participaram do Pisa em 2018, as meninas superaram significativamente os meninos na leitura — nos países da OCDE, a média foi de 30 pontos. No Brasil, o resultado foi parecido: o desempenho das meninas foi melhor em relação aos meninos em 26 pontos. Já em matemática, os meninos venceram por 9 pontos — resultado superior à média da OCDE, de 5 pontos. E em ciências, a diferença entre os dois gêneros foi pequena: as meninas, assim como na média estabelecida pela organização, ficaram à frente por 2 pontos.

O Pisa também analisou como os pais dos estudantes participam da vida escolar dos filhos. De acordo com os resultados, no Brasil, apenas 30% dos responsáveis pelos estudantes discutem o progresso dos filhos por iniciativa própria, enquanto 43% participa após serem notificados pelos professores.

Dentre as justificativas utilizadas pelos pais para não estarem muito presentes, 45% responderam que ou não acham que a sua participação é relevante para o desenvolvimento dos filhos, ou que não sabem como poderiam participar das atividades escolares ou que os filhos não querem a sua presença no colégio.

Desempenho por região em cada área de conhecimento

>>Leitura

Norte – 392 pontos

Nordeste – 389 pontos

Sul – 432 pontos

Sudeste – 424 pontos

Centro-Oeste – 425 pontos

>>Matemática

Norte – 366 pontos

Nordeste – 363 pontos

Sul – 401 pontos

Sudeste – 392 pontos

Centro-Oeste – 396 pontos

>>Ciências

Norte – 384 pontos

Nordeste – 383 pontos

Sul – 419 pontos

Sudeste – 414 pontos

Centro-Oeste – 415 pontos

Fonte: Correio Braziliense

print

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*