Japão tem número estável de coronavírus sem quarentena; como é possível?

Maquinista de metrô de máscara em Shinjuku, no Japão Imagem: Matthieu Gouiffes/Unsplash

Apesar da pandemia de coronavírus, o Japão não impediu sua população de sair às ruas, medida adotada por diversos países atingidos ao redor do mundo. Isso mesmo tendo registrado seu primeiro caso há cerca de dois meses, antes de Itália e Espanha, nações mais afetadas no momento.

O Japão possui 1.128 casos do novo coronavírus, com 42 mortes registradas até hoje. No Brasil, são 1.891 casos e 34 mortes até ontem. A diferença é que o país asiático registrou seu primeiro caso um mês antes de nós.

Uma explicação para que o Japão tenha tomado medidas menos drásticas contra a covid-19 pode ser cultural. Além disso, o país não testa todos os pacientes para verificar a contaminação por coronavírus, o que pode ser um outro fator para os números apresentados.

“O Japão, historicamente, tem uma cultura estabelecida de não-disseminação de vírus respiratórios a despeito de contextos epidêmicos, como o que a gente vive atualmente”, diz o médico infectologista e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Mateus Westin.

No Japão, foram barrados em eventos que gerem aglomerações, o que afetou principalmente as áreas área cultural e esportiva. Aulas também foram suspensas em unidades de ensino.

Mas restaurantes, bares e centros comerciais estão abertos, e o metrô funciona normalmente. O governo japonês chegou a fazer um “apelo” à população para “abster-se voluntariamente de sair”.

Apesar de eventos esportivos do Japão estarem suspensos, apenas hoje foi decidido o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que seriam realizados a partir do final de julho. Agora, eles deverão ser realizados apenas no ano que vem em razão da pandemia.

A medida mais drástica tomada está relacionada a viagens ao exterior. No Japão, há isolamento para seus cidadãos que chegam de países em que há os piores cenários do novo coronavírus, como Estados Unidos, China e nações europeias. Estrangeiros que estiveram nessas localidades são impedidos de entrar no país.

Cultura de resguardo.

o Japão, é comum que pessoas que demonstram sintomas de doenças mantenham o “afastamento social”, segundo o infectologista. “E, quando precisam sair, elas utilizam máscaras por estarem sintomáticas, tem uma etiqueta da tosse absolutamente bem estabelecida.”

O próprio governo japonês isso apresentou essa cultura de prevenção ao dar dicas de prevenção à sua população.

“Tome medidas gerais de prevenção a infecções em público em instalações de transporte, paradas e outras instalações onde um grande número de pessoas se reúne”, traz documento do governo

Westin também pontua que a população mantém as ruas sempre higienizadas, “de cada um guardar seu lixo, e dispensa em casa tudo que acumula”

Acho que tem uma questão cultural muito importante nesse aspecto, que faz com que a população, mesmo sem medidas rígidas do governo, tenha uma consciência individual de como lidar com o sintomático, de se isolar e proteger os demais. Mateus Westin, médico infectologista e professor da UFMG.

Em fevereiro, o governo japonês apresentou recomendações para o combate ao novo coronavírus. O destaque fica por conta da recomendação de quem está doente evitar sair de casa.

Menos testes

A política de testes do Japão também é diferente. Nem todos são testados, mas apenas os pacientes que os médicos julgam necessário, com especial atenção para quem tem quadro de pneumonia.

O Japão tem uma população de cerca de 125 milhões de pessoas, contra cerca de 210 milhões no Brasil. O governo pede que “pacientes com sintomas leves de gripe fiquem em casa”

“Para idosos, a recomendação é de que idosos e quem tenha outras doenças procurem “atendimento médico adequado no estágio inicial, dada a sua vulnerabilidade à infecção”.

Um quarto da população japonesa é de idosos. Desde o início dos casos no Japão, foram feitos cerca de 24.300 testes em pacientes, de acordo com dados levantados até 24 de março. Como comparação, na Coreia do Sul, cerca de 350 mil pessoas foram testadas. No Brasil, se prevê distribuir 10 milhões de testes de coronavírus.

A quantidade de testes já foi alvo de críticas, o que levou alguns especialistas ouvidos por agências de notícia internacionais a apostarem em um crescimento no número de casos.

Onde há casos confirmados de coronavírus:

Albânia
Alemanha
Andorra
Angola
Antígua e Barbuda
Argentina
Argélia
Armênia
Aruba
Arábia Saudita
Austrália
Azerbaijão
Bahamas
Bahrein
Bangladesh
Barbados
Belarus
Belize
Benin
Bolívia
Brasil
Brunei
Bulgária
Burkina Faso
Butão
Bélgica
Bósnia e Herzegovina
Cabo Verde
Camboja
Cameroun
Canadá
Catar
Cazaquistão
Chade
Chile
China
Chipre
Colômbia
Congo
Coreia do Norte
Coreia do Sul
Costa do Marfim
Costa Rica
Croácia
Cuba
Dinamarca
Djibuti
Dominica
Egito
El Salvador
Emirados Árabes Unidos
Equador
Eritrea
Eslováquia
Eslovênia
Espanha
Estados Unidos
Estônia
Etiópia
Fiji
Filipinas
Finlândia
França
Gabão
Gana
Geórgia
Gibraltar
Granada
Groenlândia
Grécia
Guam
Guatemala
Guernsey
Guiana
Guiana Francesa
Guiné
Gâmbia
Haiti
Holanda
Honduras
Hungria
Ilha da Reunião
Ilhas Cayman
Ilhas Faroé
Ilhas Turks e Caicos
Indonésia
Iraque
Irlanda
Irã
Islândia
Israel
Itália
Jamaica
Japão
Jersey
Jordânia
Kosovo
Kuwait
Letônia
Libéria
Liechtenstein
Lituânia
Luxemburgo
Líbano
Macedônia do Norte
Maldivas
Malta
Malásia
Marrocos
Martinica
Mauritânia
Maurício
Moldávia
Mongólia
Montenegro
Montserrat
Moçambique
Myanmar
México
Mônaco
Namíbia
Nepal
Nicarágua
Nigéria
Noruega
Nova Zelândia
Níger
Omã
Palestina
Panamá
Papua Nova Guiné
Paquistão
Paraguai
Peru
Polinésia Francesa
Polônia
Portugal
Quirguistão
Reino Unido
República Centro-Africana
República Democrática do Congo
República Dominicana
República Tcheca
Romênia
Ruanda
Rússia
San Marino
Santa Lúcia
Senegal
Seychelles
Singapura
Somália
Sri Lanka
Sudão
Suriname
Suécia
Suíça
São Bartolomeu
São Martinho
São Vicente e Granadinas
Sérvia
Tailândia
Taiwan
Tanzânia
Timor Leste
Togo
Tunísia
Turquia
Ucrânia
Uganda
Uruguay
Vaticano
Vietnã
Zimbábue
Zâmbia
África do Sul
Áustria
Índia
Afeganistão

Fonte: UOL

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