Na internet, grupo neonazista diz ter influência “militar”. Veja diálogos

Close up of woman's hand checking emails on smartphone against black background

Ameaças a feministas, negros e homossexuais aparecem nas conversas de grupo de extrema-direita, mas eles dizem que é tudo brincadeira

A aparente possibilidade do anonimato na internet segue terreno fértil para a propagação de discursos de ódio e de propaganda de regimes ditatoriais e genocidas. Em grupos do aplicativo de mensagens mais popular no Brasil, o WhatsApp, a criptografia prometida aumenta essa sensação, mas a reunião de pessoas desconhecidas sempre traz a possibilidade de alguém vazar prints, a exemplo dos que ilustram esta reportagem, expondo como os brasileiros, sobretudo os jovens, são seduzidos por um discurso de segregação, ameaças a minorias e fascismo.

No grupo chamado Ultradireita, criado no fim de maio deste ano, segundo um dos registros, participantes trocam figurinhas de Adolf Hitler, desejam a morte de “todas as feministas”, atacam negros e homossexuais e celebram regimes que deixaram um rastro de morte na história da humanidade. Questionados pela reportagem, alguns deles classificaram as postagens como “brincadeiras” e “liberdade de expressão”.

O discurso agressivo não se encaminha para a prática na maioria dos debates do grupo, mas um dos membros chega a fazer uma ameaça caso seja denunciado pelas postagens e diz que tem “influência militar”. “Se alguém tentar me atingir é o governo que vai derrubar a pessoa que me acusou”, promete ele.

Questionado pela reportagem, o autor dessa e de outras postagens com textos como “não aceitamos negros, homossexuais ou militantes, todos devem morrer”, disse que estava “brincando”.

“Não são coisas a ponto de serem levadas tão a sério. Afinal, fora da internet as pessoas não têm coragem de dizer pessoalmente”, argumentou ele, que disse ter saído do grupo e estar preocupado com “problemas futuros, pois isso iria atrapalhar minha vida em questões de faculdade e emprego”.

O agora ex-membro do grupo, que mora em Minas Gerais, também disse que não se considera um seguidor do nazismo. “Mas me considero um entusiasta da história, tudo que o nazismo construiu na Segunda Guerra (tirando a morte dos judeus), tudo que fez pra conquistar metade da Europa. Eu acho interessante”, disse ele, pelo WhatsApp, sem se identificar.

Veja os prints:

Os limites da lei
Em alguns casos, a linha entre a liberdade de expressão citada pelos membros do grupo e o cometimento de crimes pode ser tênue, segundo o jurista Acácio Miranda, mestre em direito penal. “O Supremo Tribunal Federal foi instado a se manifestar sobre os limites da liberdade de expressão quando do julgamento da marcha da maconha. E entendeu que há o exercício da liberdade de expressão quando se defende algo sem afetar o direito de ninguém”, explica ele.

“Em resumo, a liberdade de expressão vai até adentrar no direito de outra pessoa. Ofender alguém é crime. Ofender uma etnia é crime”, complementa o especialista, segundo o qual grupos de WhatsApp formados por pessoas que não se conhecem são considerados de caráter aberto pela Justiça, que pode usar conversas registradas ali como provas.

Fonte Metrópoles

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