PEC que prorroga eleições não encontra consenso na Câmara dos Deputados

Para parlamentares goianos, maioria de deputados federais querem alterar o projeto aprovado no Senado

Na última terça-feira, 23, senadores aprovaram o adiamento das eleições municipais para o dia 15 de novembro, quando ocorreria o primeiro turno, e segundo turno para dia 25 do mesmo mês. O projeto segue para Câmara dos Deputados, onde parlamentares não parecem afinados com a proposta aprovada.

Para o deputado federal delegado Waldir Soares (PSL), o projeto provavelmente passará por mudança quando chegar à Casa. “Uma das discussões que tem muita força hoje nos bastidores é manter as datas e promover a prorrogação de horários. Além disso ter um dia para as pessoas do grupo de risco”, afirmou ao Jornal Opção.

Segundo ele, é considerada a hipótese de realizar a votação em dois dias. “Colocar as pessoas idosas para votar no primeiro dia. Ficaria os idosos e grupo de risco para votar no primeiro dia. E no período da tarde poderia ter homens ou mulheres, o que for menos eleitores. e no dia seguinte o restante dos eleitores”, contou.

De acordo com Waldir, por ele as datas não seriam alteradas, assim como as convenções. “A gente sugere isso, e está bem forte. Vamos aguardar a próxima semana quando a PEC chega na casa”, ponderou. “O texto do senado também não é pacífico, não dialogaram com a Câmara. Poderiam ter criado uma comissão mista, mas não criaram. Caso seja alterada, a PEC tem que voltar para o Senado”, criticou.

José Nelto (Pode) também prefere manter o calendário tradicional. “Eu entendo que devemos permanecer as eleições para o dia 4 de outubro, não mexer no calendário. Isso vai criar um incômodo político, porque os candidatos já vêm trabalhando suas pré-campanhas, também os vereadores. O adiamento das eleições poderia prejudicar quem tem a máquina na mão, os prefeitos”, opinou.

“A campanha ficaria mais cara. Você tem, por exemplo, uma projeção de gastos. Se você tem 100 mil na campanha, com a máquina na mão, você gasta 200, gasta 300, 400 mil”, afirmou Nelto. “A nossa proposta é manter as eleições para o dia 4 e o TSE baixa uma normativa escalonando o horário das eleições pela idade”, defendeu o parlamentar.

“Você colocaria a votação para iniciar as 7h da manhã, iria até as 22h. Pela manhã, votariam os idosos, acima de 55 anos. Abaixo de 55 até 30 votariam de 11h às 16h. A outra parte, os mais jovem de 16 a 30 anos votariam de 16h às 22h. Você colocando termômetros nas entradas de cada escola, álcool gel, distanciamento social”, sugeriu.

“Devem ser mantidas as eleições, até porque está comprovado cientificamente que em agosto haverá queda no platô, como está acontecendo na Europa e Estados Unidos. Nos Estados Unidos estão ocorrendo eleições”, argumentou o deputado federal.

Ele acredita que esse ano os candidatos terão de adotar estratégias diferentes para conquistar o eleitorado. “Não poderá ter aglomerações, comícios. No máximo carreata, dentro de carros, com máscaras e o candidato em cima de um carro falando suas propostas. Será totalmente diferente. Dá pra fazer caminhadas, se ele passar na rua à pé com microfone falando, mas sem aglomeração. O corpo a corpo será esse, sem pegar na mão. Até porque ninguém quer pegar na mão de ninguém”, disse.

Para Nelto, no entanto, os meios mais tradicionais de se fazer campanha já estavam ficando menos populares. “Cada dia que passa, já que não se pode fazer corpo a corpo. Nas últimas campanhas, nos grandes centros, a campanha foi mais na televisão e internet”, afirmou.

Já para o deputado federal Glaustin da Fokus (PSC), as eleições deveriam ser unificadas com as gerais, em 2022. “Mas no Brasil isso é humanamente impossível, então que ocorresse na data certa mesmo”, avaliou. “É um assunto que tá correndo hoje tanto no Senado quanto na Câmara que deveria nem ser prioridade devido ao momento que estamos passando”, declarou.

“Você pega 513 deputados, imagine ter o consenso de 308 dentro de uma proposta para alterar a data para 2022, que é a vontade de muitos, mas humanamente impossível”, lamentou o parlamentar.

Já que constitucionalmente a vontade de Glaustin não tem amparo constitucional, o deputado afirmou que sua votação seria pela permanência das eleições no dia 4 de outubro. “A Câmara Federal deve permanecer com a proposta de datas atuais, não deve haver alteração”, atestou.

Mesmo assim, ele não acredita que a pandemia vá ter reduzido seus números de infectados até a data, como Nelto. “É a vontade de todos, mas infelizmente tenho visto os noticiários, o tanto de vítima e agora começa a chegar próximo a nós. A pandemia é um fato e se brincarmos com esse vírus vamos pagar um preço muito caro”, falou.

“Não consigo prever se estará tudo bem, se acabou ou não. Na minha intimidade, acho que ficará ainda mais grave. Agora, com a prefeitura abrindo tudo, os comércios, mais gente circulando, mais pessoas se movimentando, pode ser que venha com mais intensidade”, arguiu Glaustin.

“No Congresso eu disse que se permanecer na data atual, que se coloque mais locais para votação, que se consiga abrir duas horas antes e fechar duas horas mais tarde, que haja todo um ebook de procedimentos na entrada. É fazer esse zelo igual se tem hoje para entrar em alguns ambientes, álcool gel, máscara…”

 

Por Fernanda Santos – Jornal Opção 

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