Em áudio, médico do HBDF fala em esgotamento de vagas e pede lockdown

Em áudio encaminhado por WhatsApp para a equipe do Hospital de Base do DF, médico da unidade afirma que o sistema de saúde está perto de colapso e que vagas da rede pública e privada estão esgotadas. A gravação, a que o Correio teve acesso, é atribuída ao cirurgião Lucas Seixas, que é gerente geral de assistência do HBDF e está no gabinete de crise do hospital.

“Eu quero lhes informar que o Hospital de Base está 100% lotado, o HRAN, 100% lotado. Santa Maria, 100% lotado. Na realidade, o grande problema também é falta de medicamento”, diz o médico. “Pela velocidade nós vamos ter um esgotamento em breve.”

Na mensagem enviada à equipe, ele afirma que a situação será difícil nos próximos dias e que foi encaminhada sugestão de lockdown para o GDF. “Vamos aguentar firme todos unidos porque o pico chegou e esta semana será muito difícil. Fizemos uma sugestão de lockdown para as instituições de alta gestão, secretários, gabinete do governador etc. a partir de terça (30/6) até dia 14 para que a gente tenha diminuição gradativa dos leitos com ventilação e a segunda quinzena de julho seja mais tranquila é necessário porque se esgotaram as vagas privadas, as públicas e nós estamos criando mais.”

Em entrevista ao Correio, Seixas afirmou que o problema não é restrito ao DF e que a preocupação é com a falta de insumos, como sedativos, nas próximas semanas. Ele assegurou que atualmente não há desabastecimento.

“Não está faltando nada. O temor é que vá faltar nos próximos dias. Não tem onde comprar pela falta de oferta mundial. É algo que está acontecendo no mundo inteiro. Se não diminuirmos o fluxo de pacientes, não adianta ter dinheiro nem adianta nada, porque o que falta é matéria prima. Isso não é só no DF, todos os centros que estão tratando a covid-19 passam por essa preocupação”, disse.

O áudio, disse Seixas, era voltado para a própria equipe. “Foi uma ordem aos meus subordinados para economizar, racionalizar porque está tendo falta mundial. Em 15 dias, podemos ter colapso em virtude disso. Ou a gente racionaliza esses medicamentos ou não adianta ter 800 respiradores, fazer o maior sistema e, no fim, faltar medicação.”

Ele também afirmou que quando falava em esgotamento se referia à questão dos insumos e não à falta de leitos. “Eu disse que esses hospitais estavam lotados no sentido de estar consumindo esses medicamentos. Meu foco são os insumos. Se faltar os medicamentos, não adianta todo o esforço brilhante que o secretário Francisco Araújo e o governador Ibaneis vêm fazendo. Quero deixar claro que esse problema dos medicamentos não dependem do Iges, da Secretaria ou do GDF, é uma questão mundial.”

Lockdown

Ao Correio, o governador Ibaneis Rocha afirmou que desconhece o áudio citado e, questionado sobre a análise de lockdown, declarou que não tratou desse assunto.

Na sexta (26/6)o GDF analisava a possibilidade de decretar lockdownem todo o DF até segunda-feira para tentar conter o avanço da covid-19. Após a chegada de mais 150 respiradores, no entanto, Ibaneis declarou que o estudo foi suspenso.

Por meio de nota oficial, o Iges-DF afirmou que os dados divulgados no áudio não procedem. “No Hospital de Base (HB) 66 leitos de UTI para atendimento exclusivo de pacientes referenciados acometidos pela covid-19 foram abertos e, nesse momento, 58 deles encontram-se ocupados. No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) 100 leitos de UTI para atendimento exclusivo de pacientes referenciados acometidos pela covid-19 foram abertos e, nesse momento, 81 deles encontram-se ocupados. Apesar de as liberações desses leitos serem dinâmicas, o IGESDF estuda meios de poder disponibilizar mais vagas para atender um número maior de pacientes e dar mais suporte a rede pública de saúde do DF”, diz o texto.

Também por meio de nota oficial, a Secretaria de Saúde afirmou que desde o início da pandemia, “vem ampliando o número de leitos de UTI e de retaguarda, além de aumentar a carga horária dos servidores e fazer novas convocações e contratações para garantir o atendimento aos usuários do serviço público”.

Colaboraram Walder Galvão e Roberta Pinheiro – ℂ𝕠𝕣𝕣𝕖𝕚𝕠 𝔹𝕣𝕒𝕤𝕚𝕝𝕚𝕖𝕟𝕤𝕖

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