Pesquisa da UnB indica que há desaceleração do contágio no DF

Hoje, no DF, 100 pessoas transmitem o vírus para outras 112. No início de junho, esse número chegou a 130. Redução indica desaceleração no contágio

Produzida pelo Observatório de Predição e Acompanhamento da Epidemia Covid-19PrEpidemia da Universidade de Brasília (PrEpdiemai), a quinta edição do Boletim Covid-19 DF, publicada nesta quarta (8/7), indica que há uma leve desaceleração na transmissão do coronavírus no Distrito Federal.
Montado por um grupo de 26 pesquisadores que integram uma equipe multidisciplinar de especialistas de áreas como matemática, farmácia, engenharia elétrica, gestão ambiental, estatística, ciências biológicas, educação e outras, o boletim aponta que a taxa de transmissão do vírus teve uma redução nos últimos 14 dias. O número indica que, embora os números de contaminados continuem crescendo, há uma aparente redução no contágio.
De acordo com o boletim, a R(t), ou taxa de transmissão, passou de 1,18, registrada em  junho, para 1,12. A R(t) é a taxa de disseminação da doença, ou acapacidade que uma pessoa infectada tem de transmitir o vírus para uma certa quantidade de pessoas suscetíveis. Quando ela chega a um, quer dizer que 100 pessoas transmitem o vírus para outras 100. É um índice fundamental para os gestores públicos planejarem reaberturas, lockdowns e políticas públicas de saúde.

No caso do índice atual do DF, 100 pessoas transmitem a covid-19 para outras 112. Boa parte dos países que planejaram as reaberturas consideraram o R(t) para implantar as medidas e muitos deles, como Alemanha e França, apontaram índices abaixo de zero como faixas seguras de contágio.
O R(t) permite avaliar a progressão ou regressão da pandemia: quanto maior for esse índice, mais novos casos haverá por dia. “No geral, R(t) teve redução compatível com o aumento esperado da imunidade de grupo. Recomenda-se a manutenção das medidas atuais de contenção ou substituição dessas por medidas sustentáveis e com efetividades equivalentes ou superiores no enfrentamento da doença e adoção de Inteligência Epidemiológica para a identificação dos focos de contaminação”, diz o estudo.
Paulo Angelo Alves Resende, um dos coordenadores do PrEpidemia, explica que a redução no R(t) não signifca redução de infectados. “Isso se deve ao fato da gente estar alcançado a imunidade de grupo, não quer dizer que está baixando o número de infectados porque as medidas estão mais efetivas ou a população se cuidando mais, mas porque estamos atingindo a imunidade de grupo”, garante.
“De 1% a 25% da população do DF já contraiu o vírus e está imune. Também revela que estamos chegando próximo ao pico da doença. Em algumas cidades, estamos praticamente no pico, como Ceilândia e Taguatinga. Com um volume de habitantes grande, elas tiveram uma quantidade significativa de infectados.”
Segundo o boletim, o DF viu a sua maior taxa de contágio, até agora, na semana de 8 de junho, quando o R(t) estava em 1,3. Naquele momento, 100 pessoas contaminavam outras 130. Desde então, esse número tem diminuído, o que pode indicar a proximidade de um pico. “(…) a redução de R(t) demonstra uma desaceleração da pandemia, que não necessariamente se deve a alterações nas medidas de contenção”, explica o boletim do PrEpidemia. “Essa redução aparenta estar relacionada ao aumento da imunidade de grupo e não à alteração do nível de controle.”
Os cenários analisados apresentam dados de intervalos de 14 dias e a leve desaceleração não implica relaxamento de medidas de contenção. “É importante frisar que no pico não quer dizer que pode relaxar, o que nós temos que fazer é continuar com o mesmo nível de controle e que a tendência agora é a epidemia ir regredindo naturalmente. Se relaxar, a reprodução vai manter nesse valor sem regredir, contaminando outras pessoas, o que seria um platô”, avisa Paulo Angelo Alves Resende.
No Brasil, de modo geral, o R(t) vem crescendo e está em 1,11, segundo estudo do Imperial College.

Letalidade e IDH

O documento do PrEpidemia também apresenta um gráfico de criticidade do avanço da pandemia no DF e uma análise dos índices de letalidade de acordo com as regiões e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada uma. Há quatro níveis de classificação que sugerem fases como acompanhamento, atenção, alerta e emergência.
Se considerado o DF inteiro, o momento atual seria de atenção, sendo que a condição de alerta foi observada entre 11 de maio e 10 de junho. Mas essas fases mudam de acordo com a região administrativa e podem chegar a um estado de emergência, como ocorre, no momento, com Riacho Fundo 2. O Plano Piloto passou pelo estado crítico em maio e agora estaria, segundo o estudo, em alerta. Quanto à letalidade, ela é maior em áreas menos desenvolvidas e de menor poder aquisitivo, chegando a 1,8% em Ceilândia e a 2,1% em Planaltina. No Plano Piloto, a taxa de letalidade está em 1,1%.
Colaborou Roberta Pinheiro 

Por Nahima Maciel – Correio Brasiliense

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