Exclusivo: relatório diz que reforma na Papuda seria “tão inadequada como glacê em bolo mofado”

CDP é apontado como “edificação antiga, frágil e inadequada por ser construída com materiais impróprios”. Só novo prédio resolveria

Enfraquecidas por quase meio século de intempéries, as paredes do Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda, estão esfarelando. Literalmente. Os cerca de 3,4 mil presos provisórios encarcerados na unidade perceberam as vulnerabilidades do prédio e protagonizaram 15 tentativas de fugas somente entre janeiro e outubro de 2020. Duas investidas tiveram sucesso, uma delas envolvendo 17 internos, que escaparam por um buraco no frágil teto de uma das celas.

Metrópoles teve acesso, com exclusividade, a um documento que narra, em detalhes, a situação na qual se encontra o presídio mais antigo do DF. Inaugurado em 1973, o CDP – antes conhecido como Núcleo de Custódia de Brasília –, é apontado como uma “edificação antiga, frágil e inadequada, uma vez que foi construída com materiais impróprios e planejada fora dos padrões atualmente exigidos”.

Pior que isso, a análise destaca que a reforma de uma estrutura envelhecida se mostra tão inadequada “quanto se colocar glacê novo em um bolo mofado”.

O estudo ressalta que o CDP, em 47 anos de existência, passou por várias reformas que não foram suficientes para adequar as instalações, garantir a mínima segurança contra fugas e zelar pela integridade física de detentos e servidores que trabalham no local.

A reportagem obteve imagens (em destaque e abaixo) das alas mais comprometidas pela ação dos internos, que usaram estoques e pedaços de vigas da própria estrutura para abrir buracos nas paredes, em diferentes alas dos Blocos 1 e 2 do CDP, onde ocorreram as últimas tentativas de fuga.

Servidores preocupados

As constantes tentativas de fuga, a falta de efetivo e o risco iminente de uma rebelião ou até situações em que servidores possam ser feitos reféns preocupam os policiais penais lotados no local.

“De cada 100 policiais penais que trabalham no CDP, 100 querem deixar os postos. E o mesmo ocorre com servidores convidados para trabalhar lá. Todos recusam. Os policiais penais sabem do risco de trabalhar naquele barril de pólvora. O pavor e a tensão emocional são enormes”, disse uma fonte do sistema prisional ouvida pela reportagem.

Na manhã do dia 14 de outubro, logo após a fuga dos 17 detentos ocorrida na Ala C do Bloco 1, integrantes da cúpula da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) estiveram no local para vistoriar as condições das celas. A situação era pior do que imaginavam.

Fonte: metrópoles

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