Doria cobra retomada de testes da Coronavac: “Anvisa é órgão técnico”

São Paulo – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o “efeito adverso grave”, alegado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a suspensão dos testes clínicos da vacina Coronavac, não está relacionado ao imunizante de origem chinesa, aposta do tucano para combater o novo coronavírus. E cobrou a retomada imediata dos testes.

“A Anvisa é um órgão técnico. Confio que testes com a vacina do Butantan serão retomados de imediato. O objetivo do Butantan é viabilizar vacina segura para todos os brasileiros”, afirmou Doria em seu perfil oficial no Twitter.

 

A declaração do governador Doria enfatiza posição do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, que diz que o “evento adverso grave” alegado para interromper os testes com a Coronavac não tem relação com a vacina e que não foi notificado adequadamente da decisão tomada pela Anvisa.

“A notícia [da suspensão] preocupa os voluntários, causa surpresa, insegurança e até indignação”, afirmou. O instituto, segundo Dimas, recebeu um e-mail da Anvisa às 20h40 dessa segunda-feira (9/11) para tratar do assunto em uma reunião, e 20 minutos depois a notícia estava em rede nacional.

Deputados federais, como Joice Hasselmann (PSL) e Orlando Silva (PCdoB), apontam “uso político” da Anvisa pelo presidente Jair Bolsonaro, que vem disputando com João Doria protagonismo sobre o imunizante ideal para frear a pandemia do coronavírus no Brasil.

Após o embargo dos testes clínicos da Coronavac, Bolsonaro chegou a declarar em redes sociais que “ganhou” a disputa com o governador João Doria.

Bolsonaro diz que ganhou do Doria

A empresa Sinovac Biotech, responsável pela vacina, afirmou em nota que conversou com o Instituto Butantan e declarou também que não há relação entre o “evento adverso grave” e a vacina. A empresa chinesa informou que os estudos clínicos são feitos de acordo com as exigências do Good Clinical Practice (GCP, boas práticas clínicas, em tradução livre).

Não é de hoje que o Instituto Butantan tem problemas com a Anvisa. Em outubro, a entidade estadual acusou o órgão federal de retardar a importação da matéria-prima para produzir a vacina da farmacêutica Sinovac.

Dimas Covas disse ao jornal Folha de S.Paulo no dia 22 de outubro que pediu a liberação excepcional da importação da matéria-prima no dia 23 de setembro, mas recebeu a informação que o assunto só seria tratado em reunião marcada para 11 de novembro. Dois dias antes do encontro marcado, a Anvisa suspendeu os testes com a Coronavac no Brasil.

Fonte: Metrópoles

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