Exclusivo. Médico do HFA pode ser o primeiro caso de reinfecção por Covid-19 no DF

O Distrito Federal pode estar prestes a ter o primeiro caso de reinfecção por Covid-19 confirmado. Testes de um médico do Hospital das Forças Armadas (HFA) recebidos pelo Metrópoles indicam que o servidor voltou a ter resultado positivo para a doença cinco meses após ter sido considerado livre do vírus.

De acordo com os exames, o médico teve a confirmação de Covid-19 em 2 de junho. Após duas semanas, realizou novo teste, que não detectou mais a presença do vírus. Assim, o servidor voltou a trabalhar normalmente.

Em agosto, o profissional de saúde sentiu-se mal outra vez. Estava com sintomas parecidos com os relacionados ao novo coronavírus. Uma nova verificação foi feita e o resultado do exame foi negativo.

No início de novembro, no entanto, o homem apresentou novo mal-estar. Sem olfato, com tosse e sentindo-se muito cansado, o médico foi submetido a mais um teste para detecção da Covid-19. E novamente o resultado foi positivo para a doença. O servidor está afastado do trabalho e se recupera em casa.

A identidade do paciente não será revelada para garantir sua privacidade.

Confira a sequência de exames feitos pelo profissional de saúde:

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Só em novembro o médico voltou a sofrer com Covid-19
Acionado pela reportagem, o HFA garantiu realizar, “periodicamente, a testagem dos seus servidores para o novo coronavírus e reitera que, até o momento, não foi possível constatar, cientificamente, qualquer caso de reinfecção”.

Ainda conforme nota enviada ao Metrópoles, o hospital destacou: “No momento, há poucos médicos afastados pela Covid-19. Todos estão em bom estado de saúde e em tratamento domiciliar”.

A reportagem aguarda manifestação da Secretaria de Saúde sobre registros e investigações de casos de reinfecção no DF. O espaço está assegurado.

Caso em Aracaju (SE) deve ser o primeiro do Brasil

Os casos de reinfecção pelo coronavírus levantam dúvidas sobre quanto tempo dura a imunidade à doença. Essa é uma das questões mais importantes tanto para o desenvolvimento de vacinas como para as medidas que deverão ser seguidas para controlar novas ondas da Covid-19. Até agora, apenas cinco casos de reinfecção foram comprovados no mundo: em Hong Kong, Bélgica, Holanda, Equador e Estados Unidos.

A comprovação se dá por uma comparação entre o código genético do vírus da primeira infecção e o da segunda – caso sejam diferentes, está confirmado que o paciente pegou a Covid-19 duas vezes. A dificuldade dos cientistas em comprovar suspeitas se dá justamente porque, em boa parte das vezes, o material genético não é preservado, o que dificulta a comparação.

O primeiro caso de reinfecção de Covid-19 comprovado no Brasil será enviado para avaliação e publicação pela revista científica The Lancet, uma das mais importantes da área. A paciente é uma técnica de enfermagem de 40 anos de Aracaju (SE), que teve dois resultados positivos para o coronavírus com 54 dias de intervalo. Ela apresentou sintomas leves e não precisou ser internada.

As amostras genéticas foram sequenciadas pelo virologista Gubio Santos e analisadas por uma equipe da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – o vírus da segunda infecção era de uma linhagem diferente e passou por seis mutações.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, outros 95 casos de reinfecção estão sendo investigados, mas as equipes de pesquisa têm dificuldades em encontrar as amostras da primeira infecção, uma vez que são frequentemente descartadas pelos laboratórios. Apenas 14 exames foram recuperados.

Apesar de não ser um consenso entre os especialistas, a análise genética dos vírus é uma condição para publicação em periódicos científicos. Além de não conseguir acesso aos exames, outro entrave para o desenvolvimento da pesquisa é que poucos centros de saúde possuem a tecnologia necessária para fazer o sequenciamento do SARS-CoV-2, o vírus da Covid-19.

Casos no DF

Desde o início da pandemia, o Distrito Federal notificou 218,5 mil casos e 3.797 óbitos em decorrência da Covid-19. Nas últimas 24 horas, foram nove mortes e 686 novas infecções.

A média móvel de mortes por Covid-19 no DF ficou estável nessa quinta-feira (12/11), chegando a 9,9. Houve crescimento de 9,5% no índice, em comparação à média móvel apurada há 15 dias. Isso indica estabilidade na quantidade de mortes decorrentes do novo coronavírus na capital. É a primeira vez, desde 16 de outubro, que o indicador é maior do que o apurado duas semanas antes.

Fonte: Metrópoles

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