Corpo achado em propriedade da Casa Dom Inácio de Loyola é de japonesa desaparecida, diz perícia

A Polícia Técnico-Científica confirmou na tarde desta terça-feira (17) que o corpo achado na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal, é da japonesa Hitomi Akamatsu, de 43 anos, que estava desaparecida há uma semana. Um jovem foi preso e confessou ter assaltado e matado a estrangeira.

A corporação informou que a identificação foi feita por meio de impressões digitais. De acordo com a polícia, membros da Embaixada Japonesa no Brasil estão a caminho do Instituto Médico Legal (IML) de Anápolis, distante 36 km de Abadiânia, acompanhados de policiais, para fazer a liberação do corpo e os demais procedimentos necessários.

O corpo foi localizado na segunda-feira (16), escondido entre pedras e terra, a cerca de dez metros de uma cachoeira que fica na propriedade. Segundo a Polícia Civil, a vítima fazia tratamento no local há dois anos.

Também nesta terça, a corporação prendeu o jovem que admitiu ter cometido um assassinato no local, além de ter escondido o corpo da vítima. Porém, ele não tinha informado se tratava-se de Hitomi. Segundo a corporação, o rapaz ainda não apresentou advogado.

João de Deus

 

Conhecida internacionalmente por receber pessoas em busca de tratamento espiritual, a Casa Dom Inácio de Loyola foi fundada por João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus.

Atualmente, ele está cumprindo prisão domiciliar em Anápolis, pois foi condenado pela Justiça por cometer crimes sexuais contra mulheres que iam ao local para atendimentos espirituais. João de Deus nega as acusações, e a defesa dele recorreu das sentenças.

Os advogados informaram que o cliente “está afastado da instituição desde 2018, por ordem judicial, e portanto, não tem conhecimento dos fatos além daqueles já noticiados pela impressa local”.

João de Deus foi condenado pela Justiça pode crimes sexuais cometidos na Casa Dom Inácio de Loyola, mas sempre negou acusações — Foto: Renata Costa/TV Anhanguera

João de Deus foi condenado pela Justiça pode crimes sexuais cometidos na Casa Dom Inácio de Loyola, mas sempre negou acusações — Foto: Renata Costa/TV Anhanguera

Investigação

Delegado responsável pelo caso, Albert Peixoto Salvador disse que não há indícios de que haja qualquer envolvimento de João de Deus ou de algum membro da instituição com o crime.

Segundo a Polícia Civil, o desaparecimento foi denunciado por um amigo, no domingo (15), mas ela já não era vista há cinco dias. O corpo foi encontrado por uma equipe de bombeiros com cães farejadores que buscavam por Hitomi, na segunda-feira.

As investigações levaram a um jovem de 18 anos, morador da cidade – cuja identidade não foi divulgada. Segundo a polícia, ele confessou o crime ao ser detido.

“O preso contou que estava sendo cobrado por uma dívida de drogas e foi ao local, que sabia que era frequentado por muitos estrangeiros, para tentar assaltar alguém. Ele disse que encontrou essa mulher, ela ofereceu resistência e, com medo de ser denunciado, ele a enforcou usando a própria camisa”, explicou.

 

Ainda de acordo com o delegado, o jovem disse que não encontrou nada de valor com a vítima, por isso, levou uma peça de roupa dela e outros pertences e os queimou. Albert detalhou que, no depoimento, o rapaz contou ter achado um litro de combustível, o qual usou para atear fogo aos objetos.

Suspeito aparece em vídeo

 

Imagens de câmeras de monitoramento mostram o jovem que confessou o crime logo depois do assassinato. O vídeo é da câmera de segurança de um casa que fica nas proximidades da cachoeira, localizada dentro da Casa Dom Inácio de Loyola.

Na gravação, o jovem aparece pedalando uma bicicleta e está com uma roupa branca jogada sobre o ombro direito. Segundo a Polícia Civil, a peça de vestuário pode ter sido roubada da vítima.

Jovem preso suspeito de assaltar e matar japonesa é filmado logo após deixar o local do crime — Foto: Reprodução

Fonte: G1 Goiás

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