Mandante pagaria até R$ 500 mil para suspeitos matarem advogados dentro de escritório em Goiânia, diz polícia

Com a prisão do suspeito de mandar matar dois advogados dentro de escritório em Goiânia, a Polícia Civil divulgou nesta terça-feira (17) os valores que os supostos executores do crime receberiam em duas situações diferentes. Caso os suspeitos não fossem presos depois dos homicídios, receberiam R$ 100 mil, e se fossem encontrados e capturados pela polícia, o valor subiria para R$ 500 mil. Um vídeo mostra o momento da prisão, em Palmas (TO), de um suspeito de participar do planejamento das mortes (assista acima).

G1 não conseguiu localizar o advogado de defesa dos presos até a publicação desta reportagem.

A polícia efetuou a prisão nesta terça-feira do fazendeiro Nei Castelli, de 58 anos, em um posto de combustível na BR-050, em Catalão, no sudoeste de Goiás. Ele foi o último suspeito de envolvimento no crime preso pela polícia.

Fazendeiro Nei Castelli é preso suspeito de mandar matar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Fazendeiro Nei Castelli é preso suspeito de mandar matar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

 

O crime aconteceu em 28 de outubro, por volta de 14h30. De acordo com a Polícia Civil, dois homens agendaram horário com os advogados. Ao chegarem ao escritório, no Setor Aeroporto, eles entraram e esperaram. Ainda conforme o relato, a secretária os levou até a sala dos advogados, momento em que os criminosos colocaram as vítimas de costas e disparam.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o motivo do crime seria disputa por terras em São Domingos, no nordeste de Goiás. Os advogados mortos trabalhavam em processos judiciais contra familiares do fazendeiro Nei Castelli.

Da esquerda para a direita, advogados Marcus Aprígio Chaves e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/OAB-GO

Da esquerda para a direita, advogados Marcus Aprígio Chaves e Frank Alessandro Carvalhaes de Assis, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/OAB-GO

Os cinco suspeitos de envolvimento na morte são:

  • Pedro Henrique Martins: suspeito de ter matado os advogados. Ele foi preso em Porto Nacional (TO), no último 30 de outubro;
  • Jaberson Gomes: suspeito de marcar horário com os advogados e acompanhar Pedro Henrique no dia do crime. Ele foi morto em confronto com a PM de Tocantins em 30 de outubro;
  • Hélica Ribeiro Gomes: namorada de Pedro Henrique, presa em 9 de novembro, Porto Nacional (TO);
  • Cosme Lompa Tavares: suspeito de ser o intermediário das mortes, preso em 9 de novembro em Palmas (TO);
  • Nei Castelli: fazendeiro suspeito de ser o mandante do crime. Ele foi preso em 17 de novembro, em Catalão.

Documento obtido com exclusividade pela TV Anhanguera mostra o passo a passo da investigação. Um trecho da decisão que autorizou a Polícia Civil realizar a prisão temporária de duas pessoas diz que uma denúncia anônima relatou que Hélica Ribeiro Gomes já sabia que os advogados seriam mortos em Goiânia.

Hélica é namorada de Pedro Henrique Martins, preso na casa dela em Porto Nacional (TO), no dia 30 de outubro. A mulher foi presa dias depois e em depoimento contou que as mortes foram encomendadas por Cosme Lompa Tavares, de 33 anos. Por esta razão, a polícia pediu a prisão de Cosme.

Investigação

 

Pedro Henrique Martins, um dos suspeitos, foi preso na casa da namorada, em 30 de outubro. Ele estava em Porto Nacional, no Tocantins. Segundo o delegado Rhaniel Almeida, que integra a força-tarefa, o homem é um dos maiores matadores de aluguel daquele estado.

De acordo com os investigadores, o outro suspeito, Jaberson Gomes, morreu em confronto com a Polícia Militar do Tocantins, também em 30 de outubro. Gomes foi a pessoa que ligou, agendou e monitorou a rotina dos advogados em Goiânia. Segundo o delegado, Pedro Henrique atirou nos advogados dentro do escritório. Ao todo, foram quatro tiros: três em uma das vítimas e um em outra.

Pedro Henrique Martins Soares, suspeito de assassinar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Pedro Henrique Martins Soares, suspeito de assassinar advogados em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Crime planejado

 

Segundo o delegado Rhaniel Almeida, o crime foi planejado e a dupla viajou mais de 1 mil km de Tocantins para Goiânia. Pedro Henrique e Jaberson Gomes chegaram à capital no dia 24 de outubro e se hospedaram em um hotel no Centro da capital até o dia 28, data em que os advogados foram assassinados. O delegado diz que os dois estudaram a rotina das vítimas antes do crime.

Segundo o depoimento de uma funcionária do escritório, um homem marcou horário com um dos advogados dias antes. No dia do crime, um rapaz se identificou com o mesmo nome da pessoa que fez a ligação anteriormente foi até o escritório acompanhado de um colega. Eles esperaram para serem atendidos.

De acordo com Rhaniel, poucas horas após o crime, a dupla fugiu para Anápolis, onde embarcou em um ônibus com destino a Palmas, no Tocantins, mas desceu em Porto Nacional.

Fonte: G1 Goiás

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