“Pandemia reinventou a publicidade digital”, analisa especialista

A divulgação de uma empresa, empreendimento ou serviço pode ser feita de diversas formas e uma das mais tradicionais é a distribuição de panfletos. A presença dos entregadores de panfletos nos semáforos de Goiânia já é uma imagem clichê na paisagem. No entanto, desde o início da pandemia de covid-19, esse modelo de divulgação passou a ser ainda mais questionada.

Além das questões ambientais que envolvem a produção de papel e o seu descarte, que podem gerar inúmeras toneladas de poluição, passou-se a levar em conta também a questão da contaminação pelos panfletos, que são distribuídos manualmente. Com isso, a comunicação digital se fortaleceu, por ser um tipo de publicidade mais segura.

O diretor de Marketing do jornal A Redação, que é especializado em comunicação coorporativa, Sérgio Paiva (ao lado), analisa que a pandemia trouxe de uma forma mais disruptiva o que já estava acontecendo. Muitas empresas já estavam com conteúdos publicitários prontos que, às vezes, envolviam uma produção com modelos, campanhas com várias peças e profissionais envolvidos. Mas, de uma hora pra outra, para poderem se comunicar durante a pandemia, tiveram que parar tudo e rever toda a produção.

“Foi preciso reinventar essa comunicação. Não podiam utilizar mais as peças que já estavam prontas, porque não adianta, por exemplo, em uma pandemia, colocar a Gisele Bündchen com o cabelo maravilhoso falando para as pessoas irem ao supermercado comprar determinada marca de produto, mas podia comunicar que esta marca estava ao lado das clientes. Só esse tipo de substituição já foi uma grande mudança”, avalia Sérgio.

Para o publicitário, as empresas que resolveram manter sua comunicação com seus públicos na pandemia buscaram uma solução digital para tudo e com efeitos práticos. “No meio digital era possível desenvolver peças sofisticadas e elaboradas dentro do contexto que a sociedade estava vivendo, oferecer algum tipo de solução, colocar a sua marca em evidência, mas de uma forma segura, mantendo todos os profissionais em home office, e, mesmo assim, ter resultados positivos.”

Sérgio afirma que neste momento de pandemia, as pessoas e empresas perceberam de maneira mais concreta que a comunicação, a propaganda e a publicidade em meios digitais, além de serem mais eficientes, porque são mais assertivas, trazem números e dados reais da maneira como aquilo está sendo percebido pelo público e permitem fazer alterações de uma maneira muito mais barata.

“A pandemia veio para provar tudo o que publicidade digital já falava, que ela é mais assertiva, trabalha com dados que podem ser avaliados e, se por acaso, precisar mudar toda uma estratégia de comunicação, ela diminui custos. Esse tipo de estratégia deixa os profissionais um pouco mais livres, e, portanto, são mais baratos, e tem total eficiência, principalmente no momento em que as pessoas estão em casa e tentando se proteger ao máximo”, avalia Sérgio.

Os recursos tradicionais de publicidade não permitem uma análise de dados tão eficiente quanto a publicidade digital, além de gastos como papel, água, tinta, combustível, entre outros recursos. “Hoje mesmo eu vi uma equipe de pelo menos cinco pessoas descendo de um carro em frente a um outdoor para colar uma publicidade. Num momento de pandemia, só a produção desse material, que é ir para uma gráfica, imprimir as folhas, colocar a equipe que faz a colagem na rua já é expor ao risco esse público para a produção de uma publicidade tão descartável e que não te traz dados assertivos. Então, se fizermos uma comparação, de um lado você tem a mídia tradicional se agarrando às ultimas coisas que pode fazer e a comunicação digital dando total resposta a essa nova realidade que estamos vivendo”, analisa.

Regulamentação
Na cidade de São Paulo, um decreto publicado em janeiro deste ano proíbe a distribuição manual de panfletos, o lançamento de veículos e aeronaves ou o oferecimento em mostruários. Já em Goiânia a atividade é permitida, desde que realizada com licença expedida pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Para obter a licença para a panfletagem em logradouros públicos, as empresas precisam apresentar a seguinte documentação: certidão negativa de débito junto à Prefeitura de Goiânia e Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), além de cópias das apólices de seguro de vida para cobertura de eventuais acidentes, além do pagamento de uma taxa de cerca de R$ 3,4 mil.


Distribuição de panfletos em Goiânia só pode ser feita com licença expedida pela Amma (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)

Os panfleteiros devem trabalhar uniformizados e os uniformes devem ter as seguintes informações: nome, identificação do permissionário, logomarca da Prefeitura, número da permissão e a data de validade da licença. A Amma é a responsável pela fiscalização, com base no Código de Posturas do Município.

Por A Redação

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