Marília x João Campos: com quem estaria Miguel Arraes? Com o vale-tudo do bisneto ou a teimosia da neta?

A eleição no Recife promete ser uma das mais emocionantes neste segundo turno — senão a mais emocionante. É um drama familiar, claro, que remete à origem da liderança de Miguel Arraes no Estado, anterior ao golpe de 1964, da qual ele foi uma das mais expressivas vítimas.

De um lado, a petista Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, que governou o Estado três vezes.

De outro, João Campos, bisneto de Arraes e filho de Eduardo Campos, que governou o Estado em dois mandados e que faleceu em 2014 num acidente de avião.

É fácil saber com quem estaria Eduardo Campos nesta eleição que expõe um racha familiar, mas e o avô dele, Miguel Arraes?

Jornalismo não é psicografia e, portanto, impossível saber.

Mas há indicações de que a família Arraes se inclina para Marília, a começar pela avó de João Campos, Ana Arraes, ministra do Tribunal de Contas da União.

Segundo a revista Época, ela sinalizou que votará em Marília. O irmão de Eduardo, Antônio, o Tonca, manifestou apoio público a Marília, em razão de divergência política com o sobrinho, alimentada, segundo analistas, pela sede de poder de Renata, viúva de Eduardo Campos.

Em um debate, Marília chegou até a sugerir que, caso João vença as eleições, quem mandaria na prefeitura seria a mãe.

Dois irmãos de Marília votam em João Campos, mas esse tipo de apoio não tem nada de ideológico, nem de preferência familiar. Ambos ocupam cargos de comissão na prefeitura do Recife, comandada pelo PSB.

É a máquina de governo conquistando apoio.

Líderes do partido, aliás, dão sinais de desespero com o possibilidade concreta de perder a prefeitura.

O jornalista Magno Martins, considerando independente no Estado, publicou hoje em seu blog um vídeo em que aparece o secretário de Administração e Gestão de Pessoas da Prefeitura do Recife, Marconi Muzzio, orientando equipe de campanha do candidato João Campos.

Ate aí, tudo bem, desde que não seja no horário de expediente.

O problema é que estariam presentes diversos servidores da administração municipal. Nesse caso, se estaria diante de uma prática vedada pelo Tribunal Superior Eleitoral, por se caracterizar abuso de poder político.

Ele disse:

“Não vamos aqui falar palavras fáceis: é uma eleição duríssima. O resultado do primeiro turno e a reversão da primeira pesquisa e da segunda mostram uma realidade duríssima para a gente enfrentar. A chance que a gente tem de reverter esse quadro é fazendo o que a gente vem fazendo nesses seis dias, sete dias: não tem mais feriado, não tem mais descanso. É todo dia, todo mundo”

Para o tribunal, o detentor do poder não pode se valer de sua condição para influenciar o voto do eleitor. No limite, o beneficiado por essa prática poderia até ter o registo de sua candidatura cassado.

Difícil que ocorra.

A eleição no Recife promete terminar com um racha familiar agravado, o que é lamentável, mas, de outro lado, com uma nova orientação política, sem o vale-tudo que caracteriza a campanha de João Campos, que tem o apoio da mídia local e também do grupo Globo, como se viu com o comentário de Merval Pereira na Globonews, desconectado da realidade, ao dizer que Lula e Zé Dirceu estiveram na cidade e levantaram uma onda antipetista.

Lula não esteve, e fez falta com certeza. A popularidade dele no Estado pode ser decisiva. A questão mais importante, no entanto, é que o comentário de Merval mostra de que lado a Globo está.

Para muitos, este é um motivo importante para votar em Marília Arraes.

A eleição no Recife gera a pergunta. Se vivo, Miguel Arraes estaria ao lado de quem? Do bisneto e sua campanha suja, no estilo vale-tudo? Ou da neta, que só é candidata porque vem teimando desde 2018, quando queria ser candidata a governadora e o PT não deixou?

Para quem acredita, talvez Chico Xavier pudesse buscar a resposta. Mas tem político das antigas no Estado que garante que sabe a resposta.

Basta ver com quem está a avó de João Campos.

.x.x.x.

Veja o vídeo que pode caracterizar abuso de poder político em favor de João Campos:

Por  Joaquim de Carvalho – DCM

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