Contra avanço da Covid-19, estados voltam a endurecer medidas de isolamento

São Paulo – Com o aumento do número de casos de Covid-19, estados como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal, voltaram a adotar regras mais rígidas de isolamento nesta semana, em decisões tomadas logo após as eleições municipais.

O infectologista Renato Grinbaum, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que o país vive um momento de recrudescimento da pandemia. “Se é segunda fase ou segunda onda, isso é semântico. É irrelevante dizer se é segunda onda ou fim da primeira, é uma bobagem. O que interessa é que existe um aumento real de casos no Brasil, que é preocupante”, diz o infectologista.

Um dos estados que retrocederam de medidas de flexibilização da economia é São Paulo, onde, a partir desta quarta-feira (02/11), bares, restaurantes, academias, salões de beleza, shoppings, escritórios, concessionárias e comércios de rua voltam a ter limitações de horário e capacidade de público. Na prática, esse estabelecimentos só poderão funcionar por 10 horas diárias e 40% de capacidade, até as 22h. Todos os eventos com público em pé estão proibidos na fase amarela.

O anúncio foi feito na segunda-feira (30/11), um dia após a eleição, pelo governador João Doria (PSDB), que viu seu apadrinhado Bruno Covas ser reeleito na capital. O atraso na revisão em duas semanas gerou questionamentos de adversários políticos dos tucanos. Segundo o governo paulista, a decisão só saiu agora devido ao apagão de dados do Ministério da Saúde, o que poderia trazer distorções e fazer com que cidades do estado avançasse para uma fase de maior abertura da economia.

Na avaliação de Grinbaum, embora São Paulo ainda tenha uma certa folga na taxa de ocupação dos leitos de UTI, que está em 52,2% no estado, as medidas de restrições deveriam ter sido tomadas antes das eleições.

“O fato de você ter uma taxa de ocupação hospitalar ainda baixa em São Paulo dá uma certa flexibilidade. Por outro lado, você tem uma grande aumento de casos nas últimas duas semanas, que talvez não estejam ainda refletindo nos indicadores da vigilância, mas qualquer profissional da saúde que trabalha em hospital vê. Nós temos notificação de hospitais privados, recebemos comunicados sobre isso, houve cancelamento de cirurgias. Então, na minha opinião, essa medida deveria ter sido tomada antes, porque o reflexo desse atraso nós vamos ver daqui a duas semanas”, analisa.

As aglomerações levaram o governo do Distrito Federal a limitar o funcionamento em bares e restaurantes até as 23h, segundo decreto publicado nessa terça-feira (1º/12). Segundo a Secretaria de Saúde, o índice de transmissão, que vinha se mantendo na casa de 1, evoluiu para 1,3, o que significa que 100 pessoas contaminam outras 130.

“Antes que a situação se agrave, resolvi dar este recado para a população, retomando algumas medidas restritivas”, disse o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse à coluna Grande Angular, do Metrópoles, prometendo ações mais duras se houver piora da pandemia no DF.

 

Fonte: Metrópoles

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