Condenado por matar esposa grávida na frente do filho e alegar assalto deixa presídio em Iporá

O empresário condenado por matar a esposa grávida com um tiro e simular um assalto conseguiu um habeas corpus e deixou a prisão em Iporá, na região central de Goiás. Segundo a decisão, Horácio Rozendo de Araújo Neto, de 37 anos, deve aguardar em liberdade o julgamento de um recurso impetrado pela defesa.

Vanessa Camargo, de 28 anos, foi morta há três anos, na frente do filho do casal, que, à época, tinha dois anos de idade, em uma estrada de Ivolândia, a 80 km de distância de Iporá. Ela estava no terceiro mês de gestação. Segundo a denúncia, a vítima desejava se separar do marido, mas ele não aceitou.

O habeas corpus foi concedido na tarde de quinta-feira (3), pelo desembargador Nicomedes Borges, e, logo depois, o condenado deixou o presídio. Por telefone, o advogado de defesa de Horácio, Palmestron Cabral, disse que entrou com pedido com a alegação de que não havia motivos para que fosse decretada a prisão dele. Ele complementou que Horário havia esperado pelo julgamento em liberdade.

“O habeas corpus se fundamentou na presunção e inocência do réu, por ter aguardado o julgamento em liberdade durante três anos. Ele obedeceu a todas as regras, não colocou em risco a ordem pública nem a garantia da instrução, não fugiu, ou seja, não tinha uma causa que justificasse a prisão dele, já que estava em liberdade há muito tempo” disse a defesa.

Foto de Wanessa e Horácio tirada antes do crime — Foto: Reprodução TV Anhanguera

Foto de Wanessa e Horácio tirada antes do crime — Foto: Reprodução TV Anhanguera

O júri popular que condenou o o empresário aconteceu no dia 7 de novembro deste ano e foi presidido pelo juiz Wander Soares da Fonseca. Horácio pegou 29 anos, seis meses e 20 dias de prisão em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, aborto e fraude processual.

Família revoltada

 

A mãe da vítima, Nilva Camargo Soares, de 52 anos, disse que está revoltada com a decisão da Justiça. Ela contou ao G1 que toda a cidade está comovida com a situação e que o sentimento é de insegurança e descrença.

“Eu como mãe estou descrente. Não tem justiça. Foi um crime de feminicídio. Uma dor muito grande. Nossos filhos estão voltando para casa dentro de caixões, e a Justiça não está fazendo nada”, disse.

 

No dia do julgamento, cerca de 70 pessoas, entre amigos e familiares, fizeram uma manifestação em frente ao prédio para pedir a condenação do réu. Naquele dia, a condenação foi comemorada em carreata pela cidade.

Amigos e familiares fazem protesto pedindo por justiça em frente ao Fórum de Iporá, Goiás — Foto: Arquivo pessoal Lizi Dalenogari

Amigos e familiares fazem protesto pedindo por justiça em frente ao Fórum de Iporá, Goiás — Foto: Arquivo pessoal Lizi Dalenogari

Fonte: G1
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