Ministro da Saúde diz que ‘pandemia não acabou’ 1 dia após Bolsonaro falar em ‘finalzinho’

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o Brasil vive um “finalzinho de pandemia” – apesar da alta nas mortes por coronavírus no país – o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta sexta-feira (11) que “a pandemia não acabou”.

“A pandemia não acabou. Ela prossegue, vamos conviver com o coronavírus. Vamos chegar próximo a uma normalidade quando tivermos as vacinas, os antivirais que combatem efetivamente a doença”, disse Pazuello em evento em Goiânia.

 

Bolsonaro falou em “finalzinho de pandemia” na quinta-feira (10), durante visita a Porto Alegre. “”Me permite falar um pouco do governo, que ainda estamos vivendo o finalzinho de pandemia. O nosso governo, levando-se em conta outros países do mundo, foi aquele que melhor se saiu, ou um dos que melhores se saíram na pandemia”, disse.

Das 27 unidades da federação, 22 estão com tendência de altas nas mortes, segundo o consórcio de veículos de imprensa: PR, RS, SC, ES, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, AC, RO, RR, TO, BA, CE, PB, PE, PI, RN e SE.

O número total de mortes no país se aproxima de 180 mil. Em média, 642 pessoas morreram por dia por coronavírus no país na última semana, número que é 35% superior ao registrado há duas semanas, o que indica alta.

Vacinação

 

Durante a visita a Goiânia, o ministro da Saúde disse ainda que “nenhum estado da federação será tratado de forma diferente” e que “nenhum brasileiro terá vantagem sobre outros brasileiros”, afirmou.

Há alguns dias, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que a vacinação no estado deve começar em 25 de janeiro de 2021.

O governo federal ainda não tem um calendário de vacinação.

As imunizações, porém, dependem de registro das vacinas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que ainda não aconteceu. Na quinta (10), a agência aprovou uso emergencial da vacina contra Covid, mas nenhuma fabricante obteve essa autorização até agora.

Pazuello disse que vai cobrar agilidade nessa análise. “Não há no mundo, até hoje, nenhuma vacina registrada. O que estamos vendo na Inglaterra é a autorização emergencial de uso para grupos restritos e com assinatura de responsabilidade individual. Essa mesma autorização emergencial foi assinada ontem nos EUA e será solicitada à Anvisa no Brasil”, disse.

Durante sua fala, o ministro disse que já está em busca de recursos para comprar as doses necessárias. “Determinei também que nós tivéssemos contratos, não vinculantes inicialmente, mas memorandos de entendimento com todos os fabricantes de vacina que se disponibilizarem no nosso país. […] A responsabilidade é das autoridades que estarão oferecendo a vacina, oferecendo de forma gratuita e voluntária”, disse.

O prefeito de Hidrolândia e presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM), Paulo Sérgio Rezende, foi a São Paulo com a intenção encomendar vacinas. “A vinda a São Paulo é para protocolar o ofício junto ao diretor do Butantan para que seja atendido, assim que seja liberado a vacina através da Anvisa, para que cada município que quiser adquirir a vacina, se tiver condições financeiras, entrar na fila”, disse.

A atitude foi reprovada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). “De repente, demagogicamente, o presidente da Associação Goiana dos Municípios diz que está fazendo também um agrupamento de prefeitos para solicitar a compra. Mas comprar o que, da onde, de quem, se a produção do Butantan não é de São Paulo, a da Fio Cruz não é do Rio de Janeiro. A produção dessas vacinas é da União”, disse.

Autorizações

 

A Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou na quinta-feira (10) as regras para a autorização temporária de uso emergencial, em caráter experimental, de vacinas contra a Covid-19. Na prática, a medida abre caminho para que empresas possam fazer esse pedido de emergência.

“A autorização de uso emergencial é um mecanismo que pode facilitar a disponibilização e o uso das vacinas contra Covid-19, ainda que não tenham sido avaliadas sob o crivo do registro, desde que cumpram com os requisitos mínimos de segurança, qualidade e eficácia”, disse Alessandra Bastos Soares, diretora da Anvisa.

A agência ainda não recebeu nenhum pedido de uso emergencial nem pedido de registro de vacinas. Soares ressaltou que esse pedido deve ser feito pela empresa.

O ministro Eduardo Pazuello disse na quarta que poderá haver vacinação contra a Covid-19 ainda neste mês de dezembro, ou no início de janeiro de 2021, se a Pfizer conseguir a autorização emergencial junto à Anvisa.

Maternidade Célia Câmara foi inaugurada oficialmente, em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Maternidade Célia Câmara foi inaugurada oficialmente, em Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Maternidade

 

Participaram da solenidade de inauguração da Maternidade Célia Câmara, além do ministro da Saúde, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), o governador Ronaldo Caiado (DEM), e o presidente do Grupo Jaime Câmara, Jaime Câmara Júnior.

A unidade já estava sendo usada desde abril para tratamento de pessoas com Covid-19. De acordo com a prefeitura, são 15 mil metros quadrados de área construída, com 176 leitos. A estrutura tem capacidade para realizar até mil partos por mês. No primeiro momento, a ala materno-infantil terá 68 leitos.

O espaço destinado para o tratamento de pessoas com Covid-19 será mantido com 50 vagas de UTI e 42 de enfermaria.

Fonte: G1
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