Onça queimada em incêndio no Pantanal se cura dos ferimentos, mas não consegue mais caçar e não voltará à natureza

A onça-pintada Amanaci, que recebeu tratamento para queimaduras nas patas em Corumbá de Goiás, se recuperou dos ferimentos e foi para uma “casa nova”, um ambiente criado especialmente para ela dentro do Instituto Nex, onde recebeu o tratamento. Segundo profissionais do local, o animal teve danos permanentes nas patas que o impedem de voltar ao Pantanal.

Amanaci retirou as botas que protegiam as patas e recebeu alta dos tratamentos na terça-feira (8). O veterinário Thiago Luczinski, que acompanha o caso dela desde o início, contou que ela já explorou o ambiente, caminhou pelo espaço novo, está se alimentando bem e tem quadro geral muito bom.

Luczinski disse que o local onde ela está foi projetado especialmente para Amananci. O ambiente foi pensando, segundo ele, para que ela tenha uma vida confortável, com um lago do qual ela possa entrar e sair sem dificuldade, por exemplo.

O profissional também explicou que os tendões que ela precisa para expor e usar as garras foram queimados, por isso, mesmo recuperada, ela não pode voltar à vida livre.

“Tem tendões que fazem a unha ser exposta quando ela precisa caçar, escalar, segurar uma presa – como os gatos domésticos fazem. Todos foram queimados. Então, ela perdeu a capacidade de usar essas garras. Isso compromete muito o retorno dela para a natureza”, explicou.

 

Símbolo da resistência das queimadas, Amanaci foi levada o Instituto Nex no final de agosto, logo após sofrer as queimaduras nas patas durante um incêndio no Pantanal. Foram feitas mais de 30 aplicações de células-tronco para ajudá-la na recuperação das queimaduras graves que sofreu.

Ousado

 

Além de Amanaci, outra onça-pintada queimada no Pantanal foi levada a Corumbá de Goiás para receber tratamento contra queimadura nas patas: o macho batizado de Ousado. Com ferimentos menos graves, ele passou por sessões de laser e ozônio para se recuperar.

Depois de tratado os ferimentos, o felino foi solto no dia 20 de outubro, no mesmo local onde foi socorrido, na região de Porto Jofre, na cidade de Poconé, em Mato Grosso.

Um vídeo mostra quando Ousado sai da caixa de transporte. Após olhar em volta, ele deixa a estrutura de forma calma e corre em direção à mata. Dias depois, o Instituo Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) informou que ele parecia estar se readaptando bem.

Ousado foi visto com rádio-colar usado para monitorar readaptação no Pantanal — Foto: Eduarda Fernandes/Instagram

Ousado foi visto com rádio-colar usado para monitorar readaptação no Pantanal — Foto: Eduarda

 Fonte: G1 
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