Ativistas expõem o atraso do Brasil pelo aborto legal: “Lidamos com casos brutais”

Oito dezenas de comprimidos Cytotec: foi essa a quantidade de pílulas ministradas para uma mulher, ao longo de 21 dias, em um hospital público no Centro-Oeste. A bomba de medicamento – o abortivo mais usado no mundo – não foi suficiente para realizar o aborto, garantido por lei naquele caso.

Após três semanas internada, ela passou por uma cesariana de emergência, com risco de hemorragia e histerectomia (retirada total do útero), para poder abortar o feto que carregava no ventre e, assim, tentar sobreviver. A paciente, que não pode ter o nome revelado nem outros detalhes por questão de sigilo, agora passa bem.

Ela procurou o Milhas Pela Vida das Mulheres para ter respeitado o seu direito ao aborto legal, seguro e gratuito, previsto pela legislação brasileira – em casos de estupro, em que há risco à vida da mulher ou anencefalia fetal. A iniciativa nasceu em setembro de 2019 para ajudar brasileiras que desejavam abortar em segurança a viajar para outros países onde a prática é legal, como a Colômbia, o Chile e, agora, a Argentina, que aprovou legislação referente a este procedimento na quarta-feira (30/12).

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