Leitos para Covid-19 se esgotam na rede privada, em Goiás

A rede particular de saúde do Estado chegou ao limite com a falta de vagas de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e vive cenário assustador. De acordo com o presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, esta semana deve ser uma das mais difíceis para o combate à pandemia da Covid-19. Isto porque não há previsão para abertura de novas vagas, o que pode levar o sistema ao colapso.

Estado tem 380 leitos disponíveis e 335 estão preenchidos, o que representa 91,78% de ocupação. O maior hospital dedicado a Covid-19 de Goiás, o Hospital de Campanha de Goiânia, registrou 100% de ocupação nas 100 vagas disponíveis da unidade. “As pessoas vão para balada ou saem sem máscara na crença de que se ficarem doentes haverá uma rede de proteção. O que nós precisamos fazer é o que o resto do mundo fez. Vamos testar todo mundo, vacinar todo mundo e isolar os contaminados”, ressalta.

Ele afirma que a abertura de novos leitos não é suficiente se a população não colaborar. “Suponha que em um passo de mágica nós conseguamos criar 100 leitos. Quanto tempo esses leitos durariam nessa velocidade de contaminação? As autoridades devem assumir a responsabilidade e as pessoas criarem consciência”, frisa. O presidente ressalta que, se as pessoas continuarem se comportando como estão, o sistema de saúde enfrentará mais dificuldades.

O problema da falta de leitos vem se repetindo nas últimas semanas na Ahpaceg. Segundo a entidade, os leitos encontram-se ocupados ou bloqueados para pacientes graves já em atendimento nos hospitais, por isso, não podem ser abertos para novas internações. “Antes, assim como na primeira onda, ainda conseguíamos transferir pacientes entre os hospitais associados, garantindo as internações necessárias. Mas, agora, o momento é crítico e não há vagas”, afirma em nota.

Sem condições financeiras

Além disso, a Associação ressalta que os hospitais estão descapitalizados e sem condições financeiras para novos investimentos. “Essa situação decorre de problemas, como o aumento dos custos assistenciais em 2020, quando nossos gastos com medicamentos, pessoal e Equipamentos de Proteção Individual, por exemplo, aumentaram expressivamente e não tivemos apoio dos governos ou contrapartida das operadoras de planos de saúde”.

A suspensão de cirurgias sugerida pelo Estado também não é vista com bons olhos pela Ahpaceg. Conforme explica a entidade, a medida “vai apenas agravar a situação da rede hospitalar e deixar pacientes sem atendimento, o que pode comprometer a saúde dessas pessoas”, diz.

Caos

Em áudio, um médico da rede privada de saúde da Capital, que prefere não se identificar, descreveu a situação dos hospitais. “Neurológico lotado, Hospital dos Acidentados lotado, Garavelo, Santa Bárbara, IOG, Amparo, Santa Helena, Hospital do Coração, tudo sem uma única vaga sequer. Então, agora não é hora de pegar Covid-19. Fica quieto em casa. Ficar quieto em casa é cada um no seu quadrado, não adiantar juntar uns com os outros. Não tem vaga em lugar nenhum, nem no SUS. Está o caos do caos”, afirmou.

Novos leitos

Diante do cenário crítico, o Estado prepara a abertura de mais 50 Unidades de Terapia Intensiva (UTI), em diferentes regiões de Goiás, para garantir tratamento adequado aos pacientes com Covid-19. A expansão se faz necessária devido ao aumento sustentado da taxa de ocupação hospitalar. Para esta semana, está prevista a abertura de 11 leitos de UTI em Quirinópolis, no Sudoeste goiano; nove em São Luís de Montes Belos, na região Oeste; e 10 em Itumbiara, no Sul do Estado.

 De acordo com o Estado, até 1º de abril, outros 20 serão abertos no Hospital das Clínicas Dr. Serafim Carvalho, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), localizada em Jataí. Atualmente, a rede estadual conta com um patamar de leitos superior à primeira onda, em unidades próprias e conveniadas. Essas estruturas estão distribuídas em 20 hospitais, localizados em 15 diferentes municípios de todas as cinco macrorregiões de saúde goiana. (Especial para O Hoje)

 

 

 

Fonte: O Hoje

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