Todas as quedas de um Gigante

Caos financeiro, perda de relevância, redução de torcida e inferioridade perante rivais: entenda como o Vasco passou de potência a coadjuvante em 20 anos

Vasco Queda 2001 a 2021

Por Fred Gomes e Raphael Zarko – Rio de Janeiro

Com as constantes pancadas levadas pelos vascaínos nos últimos 20 anos, uma frase entrou recentemente no vocabulário de torcedores e até de veículos oficiais do clube: “O Vasco é pra quem acredita”. Quem acreditaria que uma camisa que vestia nomes como Romário, Edmundo, Felipe, Pedrinho e os Juninhos no fim do século passado estaria representada hoje por jogadores desconhecidos e com rara presença na Seleção?

Do quarto título nacional em janeiro de 2001 ao iminente quarto rebaixamento em fevereiro de 2021, o que deu errado? Há seis meses, em agosto, o Vasco chegou a liderar o Brasileiro, mas nem de perto lembrava aquele esquadrão do fim dos anos 90 e início de 2000, que começou com fórmula caseira em 1997, além de desconhecidos oriundos de times pequenos, e foi impulsionado com o aporte do Bank of America – antes chamado Nations Bank.

A parceria que começou em abril de 1998 terminou em fevereiro de 2001 com uma série de processos judiciais, acusações de falta de pagamento do banco ao clube e dívidas milionárias. Antes, permitiu o retorno de Edmundo (comprado à Fiorentina em 1999) e Romário – então os dois atletas mais bem pagos do país – e outros reforços badalados como Juninho Paulista, Euller, Viola, Júnior Baiano e Jorginho.

 

De 1997 a 2000, o clube empilhou taças. Estadual (no início dos anos 1990 chegou ao inédito tricampeonato), Rio-São Paulo, dois Brasileiros, Libertadores e uma Mercosul inesquecível pela virada contra o Palmeiras por 4 a 3, após estar com desvantagem de 3 a 0. O Vasco entrava no século 21 como, indiscutivelmente, uma das maiores potências esportivas do Brasil.

Pois voltemos a 2021, prestes a alcançar o quarto rebaixamento e com apenas um título nacional no século. Se era o clube carioca com mais participações em Libertadores até 2001 – sete contra seis do Flamengo -, hoje o Vasco vê o rival aumentar sua vantagem ano a ano. Na próxima temporada, a equipe rubro-negra disputará a principal competição continental pela 17ª vez, contra nove participações vascaínas.

Vasco enfrenta o Racing em 2018: em sua última participação na Libertadores, time acabou eliminado na fase de grupos - André Durão

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Fora de campo, o clube que iniciou o século com um dos principais patrocínios do país vive há anos em penúria financeira. Em 2019 – os balanços de 2020 ainda não foram divulgados -, o Vasco teve apenas a 12ª maior receita do Brasil, bem atrás de equipes de torcida consideravelmente menor, como, por exemplo, Internacional, Athletico-PR e Fluminense.

Nessas duas décadas, o que não mudou em São Januário foi a briga pelo poder. Presidente do clube em 11 dos últimos 20 anos, Eurico Miranda, sempre amado e odiado, morreu em 2019, mas sua imagem ainda divide fileiras, como mostrou a última eleição. Roberto Dinamite, entre 2008 e 2014, e Alexandre Campello, de 2018 a 2020, foram os outros presidentes vascaínos no século – Jorge Salgado assumiu no dia 22 de janeiro deste ano.

Eleição de 7 de novembro foi interrompida antes do fim pela Justiça. Depois das luzes religadas - o então presidente Campello ordenou o desligamento -, dois candidatos seguiram no pleito e decidiu-se contar os votos - Hector Werlang

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Com taças de Brasileiro conquistadas nas três últimas décadas do século passado, o Vasco chegou a quatro títulos nacionais em janeiro de 2001 – em final remarcada depois da queda do alambrado em dezembro de 2000, contra o São Caetano. Desde 1971, quando a competição ganhou o nome de Campeonato Brasileiro, o time era superado apenas pelo Flamengo (com uma Copa União) em número de taças. Hoje também foi superado por Corinthians, Palmeiras e São Paulo – o Santos é outro com mais títulos do que o Vasco porque a CBF passou a considerar as conquistas da Taça Brasil.

Figurante nas principais competições do país nos últimos 20 anos, o clube acumula novas dívidas, sustentou fama de não pagar salários em dia e, para sobreviver, recorre a venda precoce por valores irrisórios da ainda resistente fábrica de craques de São Januário.

Marrony comemora gol pelo Atlético-MG: mais um nome na lista de jogadores que o Vasco perdeu para o mercado interno - Pedro Souza

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Dentro de campo, o Vasco superou os rivais em apenas uma categoria neste século: número de rebaixamentos. Dos 12 clubes de maior torcida do país, é o único que está na iminência de cair pela quarta vez nos últimos 20 anos. Apenas o Botafogo, com três quedas, segue de perto o rival no quesito.

Fonte: Globo Esporte

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