Débora Falabella sobre ansiedade: “Já tive crises, mas hoje lido muito bem”

Débora Falabella se identificou em vários momentos com as situações que sua personagem Dani enfrenta em Depois a Louca Sou Eu, lançado nos cinemas na quinta (25). O filme, dirigido por Julia Rezende, conta de forma leve e humorada a história de uma jovem escritora e seu processo, desde a infância, para lidar com as crises de ansiedade.

“A ansiedade é o mal do nosso tempo e a Dani é uma personagem muito contemporânea. Temos vivido um tempo muito acelerado, onde nos é cobrado que a gente produza muito o tempo inteiro. Temos sofrido um pouco com a falta de tempo. É comum que as pessoas ao nosso redor lidem com uma certa ansiedade e angústia. Então, conhecia esse tema por vive-lo e também por conhecer pessoas ao meu redor que passam por isso”, conta.

“Sou uma pessoa ansiosa, claro que em graus diferentes da Dani. Já tive algumas crises, mas hoje em dia resolvo e lido muito bem com isso fazendo terapia. Há dez anos faço analise, que é um lugar aonde me conheço, posso falar dos meus medos, das minhas fragilidades. É algo que para mim é muito importante.”

Na pele de Dani, Débora mostra mais uma vez sua versatilidade em transitar pelo drama e pelo humor. Quem assiste ao filme se emociona com as tentativas frustradas da personagem de se encaixar no padrão de comportamento considerado “normal” pela sociedade e também dá gargalhadas com as situações que ela cria para fugir de seus medos, como o de dar a sua primeira entrevista. Tímida assumida, Débora buscou um pouco de sua experiência pessoal para imprimir essa ansiedade à personagem.

“A Dani passa por muitas situações que eu me identifico, não que eu tenha passado por elas da mesma forma. O resultado não foi parecido com o meu, mas o nervosismo que a Dani sente ao dar uma entrevista, por exemplo, acontece na minha carreira. Me sinto muito à vontade representando e no ambiente de trabalho, mas quando tenho que divulgar o projeto e ser eu mesma, também tenho esse nervosismo e ansiedade que a Dani tem. Talvez nem sempre eu fale tudo o que tenha para falar em uma entrevista por causa do nervosismo, que às vezes me atrapalha muito. Me identifico um pouco neste lugar”, explica.

PARCERIAS NA VIDA E NA TELINHA
A personagem, que veio de uma adaptação de Gustavo Lupstzein do livro autobiográfico da escritora Tati Bernardi, ganha ainda mais força por sua relação com a mãe Silvia, interpretada pela talentosíssima Yara de Novaes. Integrantes do grupo de teatro Os Três e com parcerias de grande sucesso como Contrações, Love, Love, Love e Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante, Yara e Débora também mostram toda a sintonia como mãe e filha das telonas.

“Eu tenho uma história com a Yara muito grande. A gente tem uma companhia de teatro e trabalha já há muitos anos. Estender isso para o cinema foi maravilhoso. A gente já tinha uma relação próxima também na vida pessoal, meio que de irmãs ou de mãe e filha. Levar isso para o cinema nos deixou muito à vontade. Construir essas personagens juntas e pensá-las juntas foi muito lindo. É muito bom ter essa troca e cena porque seu personagem depende do outro personagem para existir”, celebra Débora.

“É uma alegria estar contracenando com Débora. A gente tem uma relação afetiva na vida e no trabalho. Exerço uma função maternal para ela porque sou bem mais velha. A Silvia surgiu a partir daí”, complementa Yara.

Na trama, a personagem também vive uma história de amor com Gilberto, interpretado por Gustavo Vaz, ex-namorado de Débora.

“O personagem do Gustavo foi um lugar que a Dani encontrou para não se sentir tão sozinha no mundo. Ela encontrou alguém com os mesmos dramas que ela. Para isso, a gente precisa ter um ator muito bom ao nosso lado e acredito que o Gustavo seja esse ator. Também tive uma troca muito grande com ele. Temos um elenco todo muito bom e tenho muito orgulho dos meus parceiros de cena.”

Gustavo também reforça a qualidade do elenco. “Estava em volta de mulheres tão incríveis e em um set extremamente feminino. Não teve um dia em que fui embora chateado com alguma cena. Quando eu fui fazer a minha primeira cena, eu estava ainda me recuperando de uma intoxicação alimentar. Antes de entrar na cena, estava passando mal e tomando água de coco. Na hora da ação, acontecia um milagre, tudo fica bem e era divertido”, conta Gustavo.

Débora Falabella e Gustavo Vaz  (Foto: Divulgação)

Débora Falabella e Gustavo Vaz (Foto: Divulgação)

HUMOR
Fazer com que assuntos sérios e dramáticos fossem visto por uma perspectiva mais leve não foi um desafio para Débora. Ela afirma que mesmo não pensando em ser engraçada, a própria situação já levava a cena para um lado mais cômico.

“Não foi um desafio porque não sentia que tinha que fazer algo para ser engraçada. Tinha vezes em que a cena acabava indo para um lugar tão absurdo que já tornava aquela situação engraçada. Esse é o grande mérito do texto da Tati (escritora do livro), que consegue rir de si mesma. Mas tiveram muitas cenas bem dramáticas e difíceis”, avalia Débora.

Já Yara acentuou as características de uma mãe muito zelosa, que geram muitos risos, com sua experiência pessoal. “A Silvia é uma mãe arquetípica. Eu sou mãe de um de 28 anos e outro de 22 anos e o ponto de partida para a construção desta personagem foi eu mesma. Chega um ponto da vida que a gente vira uma pessoa folclórica, os filhos lidam como se a gente fosse falar uma bobagem a qualquer momento, independentemente de sua trajetória de vida”, diz Yara.

INSPIRAR
O elenco pretende inspirar com o filme outras pessoas que passam por crises de ansiedade. Ela até faz uma conexão do tema do longa com a pandemia.

“Esse momento de pausa (distanciamento social) teve um lado importante porque fez a gente ver que não dá mais para levar a vida como antes. A gente não pode viver mais em um mundo tão acelerado e sem olhar o reflexo das nossas ações na pandemia. A pandemia é um pouco decorrência disso, desse mundo tão acelerado e desembestado. Essa pausa serviu para a gente ver o que está fazendo com a nossa vida, com o outro e com o planeta.”

 

Fonte: Revista Quem

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