Vacina é a solução para acabar com o lockdown, dizem entidades

O lockdown entrou em vigor em Goiânia e outras sete cidades da região Metropolitana da capital na última segunda-feira (1). O objetivo era evitar a propagação do vírus nas cidades que estão com alto nível de transmissibilidade da doença. Esse diagnóstico foi possível após a Secretaria de Estado da Saúde (SES) dividir Goiás em 18 regiões para apontar em que nível ela se encontra: alerta, crítica e calamidade, onde, atualmente, 17 regiões estão inseridas.

Por causa disso, muitas entidades ligadas ao ramo do comércio instruíram os empresários a aderir ao novo decreto, mas negociaram que as normativas das prefeituras das cidades que adotaram os fechamentos de serviços não essenciais deveriam ser de, no máximo, sete dias. O objetivo é evitar maiores prejuízos aos comerciantes que ainda tentam se reerguer dos impactos da pandemia.

Por isso, Sandro Mabel, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), acredita que a vacinação é o passo mais importante para evitar que os empresários tenham maiores prejuízos. “A vacina é importante. Recentemente o governo estadual aprovou um empréstimo de R$ 60 milhões para a aquisição de 1 milhão de doses. Mas ficou uma incógnita de parte dessa vacina ir para o governo federal e Goiás receber apenas 1%. Isso não é viável”, conta.

Sandro conta que a negociação dos dias fechados se fez necessária para evitar colapso nas indústrias. “Muitas estão funcionando pois elas produzem para serviços essenciais, como a farmacêutica, mineração, alimentação. Isso ajuda em uma cadeia de demais serviços que se fazem necessários para ajudar no trâmite da produção até chegar no consumidor final. A negociação aconteceu e esses ainda se fazem necessários para acontecer pois um supermercado, por exemplo, em dois dias já acaba o estoque”, ressalta.

Para tentar ajudar a reverter a situação de super ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Sandro conta que a Fieg fará doações de capacetes respiratórios que auxiliam no lugar da intubação do paciente. “Boa parte desses capacetes serão encaminhados para o interior e são de extrema importância para o tratamento  dos pacientes que estão com a doença”, reforça.

Fercomércio

Marcelo Baiocchi, presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), afirma que o fechamento sempre trará prejuízos para os empresários que ainda se recuperam dos impactos da pandemia. “A gente contribuiu porque a prefeitura de Goiânia e Aparecida sempre foram muito parceiras e sabemos que o real momento não é de brincadeiras. Mas nos preocupamos se o fechamento ultrapassar os sete dias, pois será o decreto de falência de muitos comércios, ressalta.

Segundo ele, não é possível precisar valores de prejuízos dos empresários já que muitos atuam de forma autônoma. “Uma empresa de eventos afeta o espaço de festa que não abre, o buffet, o decorador, o animador. É uma cadeia de profissionais que se prejudicam e acabam ficando sem nenhum tipo de renda. Essa é a nossa  grande preocupação”, destaca.

Marcelo, assim como Sandro, também acredita que a vacina é a melhor forma de acabar com o lockdown. “A vacina é a nossa maior arma. Eu não tenho prioridade para falar sobre o fato de levar as vacinas para o governo federal, mas a minha opinião é que as vacinas devem ser voltadas para imunizar a população goiana”, finaliza. 

Fiscalização chega em 250 comércio e notifica 15 

No primeiro dia de fiscalização do novo decreto, a Central de Fiscalização da Covid-19 vistoriou, até o fim da manhã da última segunda-feira (1º), 250 estabelecimentos comerciais a fim de verificar o cumprimento das restrições determinadas. A Central também notificou 15 estabelecimentos por descumprirem as normas vigentes.

Diego Moura, diretor de fiscalização da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), explica que como a Central de Fiscalização atuou na cidade. Segundo ele, a junção de vários órgãos foi de extrema importância. “Auditores estão espalhados em todas os setores de Goiânia atendendo sobretudo, às denúncias que recebemos no aplicativo Prefeituras 24 horas e vistoriando as principais avenidas nos períodos matutino, vespertino e noturno para verificar se, de fato, o decreto está sendo cumprido”, ressalta.

O diretor reforça que a participação da população é fundamental nesse momento. “A gente espera, por parte da população, a disciplina, a cidadania, a compreensão nas regras estabelecidas pelo decreto para que juntos, possamos superar esse momento de pandemia e logo podermos estar de volta com todas as nossas atividades em regime normal”, sublinha.

A Central de Fiscalização da Covid-19 conta com equipes da Vigilância Sanitária, Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA), Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Diretoria de Fiscalização. As denúncias podem ser feitas pelo aplicativo Prefeitura 24 horas.

A multa para estabelecimentos que descumprirem os protocolos é de R$ 4908,30. A prefeitura conta que encaminhará os casos críticos ou reincidentes diretamente à Polícia Civil e Ministério Público para apuração da infração ao artigo 268 do código penal [infringir determinação do poder público e propagação de doença contágiosa], que prevê como pena de 1 mês a 1 ano de detenção, além de multa.

Taxa de ocupação

A taxa de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 aproxima-se dos 100% a passos largos. Por volta das 15 horas desta segunda-feira, chegou a 97,05%. É a maior taxa de ocupação desde o início da pandemia. Os leitos de enfermaria estão com 84,51% de ocupação.

Goiás conta com 407 leitos reservados a pacientes com covid. O número cresceu exponencialmente pois, no último dia 14 de fevereiro, eram 274 leitos ofertados para tratamento da doença. É importante ressaltar que os números são dinâmicos e mudam em tempo real.

O drama atinge a família de políticos que estão na linha de frente da pandemia. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB), revelou que cinco tios com mais de 60 anos estão com Covid-19 e estão com dificuldades para conseguir leitos. (Especial para O Hoje) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Hoje

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