Mesmo com ordem da Justiça, família não consegue UTI para mulher com Covid-19: ‘Medo de ela morrer na fila’

A família da produtora rural Maria José Tavares dos Santos, de 52 anos, que está com Covid-19, aguarda uma vaga de UTI para ela mesmo após obter uma liminar da Justiça de Goiás, nesta quarta-feira (3), determinando a transferência imediata da enfermaria, onde está internada, para o leito especial.

“Como o quadro vai piorando, a gente tem medo de ela morrer na fila de espera. Se tivesse vaga, era mais fácil, não precisava recorrer à Justiça. Mas se não tem leito, do que adianta a liminar? É uma situação muito complicada”, desabafa a sobrinha dela, Ana Gonçalves.

 

A Secretaria Estadual de Saúde disse em nota que acompanha o caso da Maria José Tavares junto ao complexo de regulação.

Maria José testou positivo para a doença na última quinta-feira (25) e foi internada no mesmo dia com falta de ar, em Rubiataba, no Vale do São Patrício. No dia seguinte, com o agravamento dos sintomas, ela foi entubada na enfermaria e aguarda o leito especial.

A sobrinha da paciente conta que a espera tem levado piorado o quadro clínico de forma geral, ao ponto em que as funções renais estão quase em falência.

O estado tem 419 leitos de UTI na rede pública com 95% de ocupação. Na enfermaria, são 459 vagas e 81% estão ocupadas.

Goiás teve recorde de registros de mortes por coronavírus em 24 horas, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Foram 169 óbitos registrados de um dia para o outro. O total de mortes chegou a 8.714 e 404.965 pessoas contraíram a doença.

Na terça-feira (2), Goiás registrou o recorde de casos de coronavírus em 24 horas. Foram 4.359 pessoas infectadas.

Pacientes na fila de espera

 

A idosa Oneide Messias e o filho dela Carlos Messias também buscam vagas em UTIs há mais de cinco dias. A família, que é de Crixás, tenta encontrar leitos especiais e mesmo com plano de saúde, não consegue.

“Estou peregrinando de hospital em hospital. Não tem vaga nem na rede particular. Só isso que eu quero, a vaga, mais nada. Pelo amor de Deus, socorre”, diz a filha da idosa Seila Tavares Messias.

 

Na rede pública, mais pacientes à espera de vaga. A idosa Tereza dos Santos, de 81 anos, está no Cais de Abadia de Goiás há mais de uma semana esperando o leito. O pedido foi feito em 23 de fevereiro.

“Ela está muito debilitada. O estado é gravíssimo. Não conseguimos até hoje a vaga. Ela não está aguentando, está com muita falta de ar”, relata a neta da idosa Aparecida do Socorro.

Pedidos na central de regulação

 

Os pedidos de leito de UTI feitos por cada unidade de saúde chegam a Central de Regulação. É uma fila de espera virtual que tem aumentado nos últimos dias. Nesta quarta, cerca de 300 pacientes aguardam uma vaga.

A superintendente de Regulação de Goiás, Neusilma Rodrigues, diz que a primeira tentativa é buscar vaga em unidade próxima à residência da família, mas nem sempre é possível.

“Onde tiver leito de Covid-19, a gente faz uso dele. Mas a gente sempre quer buscar atender a necessidade”, explica Rodrigues.

O médico e supervisor do complexo de regulação, Lucas Adorno, diz que o momento é bem complicado. “Tem várias famílias passando por momentos de dificuldade porque estão com entes em hospitais esperando vaga.

“Todo cuidado que a gente tem em relação a essa doença, neste momento, é crucial”, acrescentou Adorno.

 

O governo estadual vem alertando que a segunda onda de Covid-19 está mais forte que a primeira em Goiás, principalmente após a secretaria identificar três variantes do vírus entre a população.

“O estado é de calamidade. O sistema de saúde nunca esteve tão pressionado. Sem dúvida, estamos no momento mais crítico que a saúde vive desde o início da pandemia”, destacou o secretário de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino.

Novos leitos de UTI

 

O Ministério da Saúde liberou R$ 6,7 milhões para abrir 146 leitos de UTI em Goiás. As vagas serão abertas em nove municípios:

  • Formosa – 5 leitos
  • Anápolis – 5 leitos
  • Catalão – 7 leitos
  • Itumbiara – 8 leitos
  • Mineiros – 5 leitos
  • Rio Verde – 10 leitos
  • Jataí – 10 leitos
  • Aparecida de Goiânia – 30 leitos
  • Goiânia – 66 leitos

 

A prefeitura de Goiânia também assinou acordo com o Hospital das Clínicas para abrir 50 novos leitos de UTI e 50 de enfermaria a partir de segunda-feira (8).

Embora as vagas vem sendo abertas nos últimos dias, o número de doentes não para de subir. Em apenas 24 horas, o estado registrou o salto de 1.787 internados para 2.559.

Hospitais lotados

 

Com o avanço do vírus entre a população goiana, 13 hospitais da rede estadual de saúde registraram 100% de ocupação dos leitos de UTIs nesta quarta-feira:

  • Jataí/Hospital das Clínicas
  • Trindade/Hutrin
  • Formosa/Hcamp
  • Goiânia/HDT
  • Jaraguá/Hospital Estadual
  • São Luís de Montes Belos/Hcamp
  • Catalão/Hospital Nars Faiad
  • Hospital Ortopédico de Goiânia
  • Hospital Ruy Azeredo de Goiânia
  • Gastro Salustiano de Goiânia
  • Santa Casa de Misericórdia de Goiânia
  • Hospital Jacob Facuri de Goiânia
  • Clínica do Esporte de Goiânia

 

A média de ocupação de todos os 29 hospitais da rede, somado aos conveniados, bateu 95% nesta quarta-feira. Na enfermaria, o índice é de 81%.

O índice de ocupação da rede de saúde de Goiânia é de 97% das UTIs e 96% das vagas de enfermaria em uso.

Fonte: G1 Goiás

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