Professor de filosofia morre dias após fazer vídeo para acalentar alunos preocupados com o avanço da Covid-19 em Goiânia

O professor de filosofia Elis Soares Narciso, de 38 anos, morreu dias depois de gravar um vídeo para acalentar alunos que estavam preocupados com o avanço da Covid -19 em Goiânia. Nas imagens, publicadas nas redes sociais, o professor canta a música “Aleluia” enquanto uma amiga toca piano, cada um em suas respectivas casas. A gravação agora serve para os alunos e amigos matarem a saudade do educador.

O professor, que também era diretor do Centro de Ensino em Período Integral Professora Olga Mansur, contraiu a doença e foi internado em um hospital particular no início desta semana. A morte foi confirmada por familiares na tarde de quinta-feira (4).

“A gente se vê sem chão, sem rumo, porque ele se tornou muito mais que um diretor, um colega de trabalho. Ele se tornou um amigo. É muita dor. Nosso coração está dilacerado. Vá em paz, meu amigo “, disse a colega de trabalho Danielle Barreto.

 

Nesta semana, a Covid-19 também tirou a vida do motorista da Secretaria Estadual de Educação Jean Carlos Moraes de Oliveira Cordeiro, de 31 anos. A morte foi na madrugada de quarta-feira (3). Ele trabalhava na secretaria desde o ano de 2017.

Professores denunciam irregularidades

 

Profissionais de ensino, que preferem não ser identificados, dizem que estão preocupados com a quantidade de casos e denunciaram as condições de trabalho impostas pelas escolas. Professores ouvidos pela TV Anhanguera relatam que estão sendo convocados para trabalhar presencialmente.

Em entrevista à TV Anhanguera, a superintendente de Organização e Atendimento Educacional da Secretaria Estadual de Educação, Patrícia Coutinho, negou que estejam ocorrendo atividades presenciais: “Todos os nossos professores e coordenadores pedagógicos estão trabalhando de casa”.

O Sindicato dos Professores de Goiás é contra o ensino presencial neste momento da pandemia.

“Nós fazemos um apelo à sociedade e às autoridades para que olhem para os professores que, neste momento, estão com suas vidas em risco”, disse o presidente do sindicato, Railton Nascimento Sousa.

 

 

 

 

Rede particular

 

Professores da rede particular denunciam que as escolas não estão respeitando o limite de 30% da capacidade de alunos nas atividades presenciais. Eles afirmam que têm sido difícil controlar o uso da máscara nas crianças do ensino infantil e fundamental.

Segundo relato dos profissionais, há até pedidos para adulterar itens de proteção, por parte da direção das unidades.

“A gente já teve situações onde foi ordenado que a gente colocasse água dentro dos borrifadores de álcool, para diluir, para render mais, para a escola economizar. Não tem higienização de carteiras, de sala como um todo”, denuncia uma profissional.

 

Em um áudio gravado por um professor, que prefere não se identificar, ele contou ainda que alunos estão frequentando as aulas com as mesmas máscaras todos os dias e sem higienização.

“A gente tem aluno que vai com a mesma máscara todos os dias, visivelmente, é uma máscara que não é higienizada, uma máscara encardida, uma máscara suja. A gente fica sofrendo pressão da escola, porque fala que é frescura, que estamos utilizando disso de má-fé pra ganhar dias de folga”, relatou.

Conforme dados da Secretaria de Saúde, até fevereiro deste ano, 45 casos de Covid-19 foram confirmados em escolas particulares da capital, sendo 18 em professores. O presidente do Sindicato dos Estabelecimento de Ensino Particulares Flávio Roberto disse que está acompanhando a situação e orienta as escolas associadas a seguirem as medidas sanitárias para evitar o contágio da Covid-19.

Fonte: G1 Goiás

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