Tempo de espera por UTI aumenta para 12 horas em Goiânia

As pessoas que precisam de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) precisam esperar por cerca de 12 horas para uma vaga. Anteriormente o período máximo era de seis horas, conforme explica o titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, Durval Pedroso. A espera é devido ao aumento de casos positivos para o Coronavírus aliado à escassez de leitos de UTI para atender toda a população. Ontem (8) a taxa de ocupação na rede municipal atingiu 99,53%.

Segundo o secretário, a Capital caminha para um colapso. Entre os principais problemas da Saúde estão a demora no tempo de espera, sobrecarga no transporte de pacientes e pedidos de transferências de pessoas da rede particular para o Sistema Único de Saúde (SUS). “Em janeiro, tínhamos 140 leitos de UTI abertos e uma taxa de ocupação em torno de 60%. Depois que passou para 70% fomos programando novas aberturas. Ainda assim, há uma dificuldade não só de equipamentos, mas de recursos humanos”, alerta.

Durval Pedroso reforça que a população de maneira geral precisa entender que estamos frente a uma doença de transmissão altamente infecciosa, porém acreditava-se que ela atingiria somente os pulmões, mas não é. “Ela é, na verdade, uma doença inflamatória imunológica”. A taxa de ocupação da Rede Municipal de Saúde está, neste momento, em 99% de ocupação dos leitos de UTI e 99% dos leitos de enfermaria.

A única maneira de lidar com esse tipo de doença é com a prevenção da infecção, diz ele. “No caso da Covid-19, a prevenção pode ser feita de duas formas: a primeira é a prevenção primária com vacina, que é o item fundamental para proteger a população, e a segunda é conter a disseminação da doença usando máscaras, higienizando as mãos frequentemente e restringindo as aglomerações”, explicou.

Falha do Ministério da Saúde 

A Saúde de Goiânia aponta que houve uma falha muito importante por parte do Ministério da Saúde (MS) na aquisição e distribuição das vacinas. “Essa demora propiciou a mutação do vírus, que é de maior contágio, e tem atingido as pessoas mais novas entre 20 a 49 anos. O cenário de hoje é preocupante e nós não conseguimos imunizar a população”, comenta.

Quanto mais leitos de UTI existirem e mais pessoas necessitarem de tal internação, infelizmente o número de óbitos só tende aumentar, porque a taxa de letalidade das pessoas que são internadas em leito de UTI ainda é de 50%, afirma Durval. Por isso é fundamental que eu reafirme isso, precisamos diminuir a circulação das pessoas que ainda é grande em Goiânia”.  A realidade da capital goiana também demonstra hoje uma taxa de 20% de positividade em pessoas assintomáticas, o que justifica a adoção de medidas rígidas de distanciamento social.

Rede estadual 

Na rede estadual, a taxa de ocupação de leitos para pacientes com Covid-19 está também em quase 100%. A superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Flúvia Amorim, fez projeções ainda mais severas em relação à pandemia ao afirmar que não há previsão boa para os próximos dias.

Segundo ela, dois fatores têm contribuído para acelerar a transmissão do vírus: as aglomerações e as novas variantes já detectadas no Estado (a de Manaus e do Reino Unido), que se propagam com mais intensidade e rapidez. Flúvia Amorim enfatizou que enquanto as pessoas não tiverem plena consciência do tamanho do problema e fizerem sua parte no cumprimento dos protocolos de distanciamento social, de uso de máscara de higienização de mãos, não será possível conter o problema. “O que se percebe é que muitas pessoas banalizam as medidas sanitárias, mas elas são fundamentais. (Especial para O Hoje)

Fonte: O Hoje

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