Brasil Lula: “Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos”. Siga

Lula está preso na PF, em Curitiba, desde 7 de abril de 2018 — Foto: Reprodução

São Bernardo do Campo – Pela primeira vez após ter tido as condenações anuladas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz um discurso, seguido de entrevista coletiva. A manifestação do petista ocorre nesta quarta-feira (10/3), no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Antes de fazer o pronunciamento, subiu ao palco Wagner Santana, presidente do sindicato, pouco depois das 11h. Ao abrir o discurso, Lula disse esperar que todos estivessem de máscara. “Espero que todo mundo esteja de máscara, esteja se cuidando e que brevemente todos vocês tomem vacina.”

O ex-presidente lembrou o tempo em que esteve preso e afirmou que se entregou contra a vontade, mas não iria aparecer como fugitivo. “Como eu tinha clareza das inverdades contadas sobre mim, tomei a decisão de provar a minha inocência dentro da sede da PF, perto do juiz [Sergio] Moro”, disse.

“Eu sei que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história”, continuou.

O petista afirmou também que tem razão para ter “muitas e profundas mágoas”. “Mas não tenho. Não tenho porque o sofrimento que as pessoas pobres estao passando é infinitamente maior do que qualquer crime que cometeram contra mim”, disse, em relação à crise no Brasil provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Durante quase uma hora e meia de discurso, Lula criticou a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido) frente à crise provocada pelo novo coronavírus, defendeu a ampla vacinação da população contra a Covid-19 e agradeceu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

Discurso adiado

Lula falaria na terça-feira (9/3), mas adiou após o Supremo Tribunal Federal pautar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro.

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça foi o responsável pela condenação em primeira instância do processo que tornou o ex-presidente inelegível.

Lula ficou preso 580 dias por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Nesse processo, ele foi condenado em 2018 a 12 anos e um mês de prisão na segunda instância. Ano passado, foi condenado novamente em segunda instância, desta vez no caso de Atibaia.

Em decisão unânime, o petista foi condenado a 17 anos e 1 mês de prisão também pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Com a decisão de Fachin, essas duas condenações foram imediatamente anuladas.

Entenda a decisão

O ministro do Supremo entendeu que as ações envolvendo o ex-presidente não poderiam ser julgadas pela Justiça Federal do Paraná, uma vez que os fatos apresentados não têm relação direta com o esquema de desvios na Petrobras, do qual Lula é acusado.

Fachin também argumentou que, desde o início da Operação Lava Jato, vários processos deixaram a Vara do Paraná pelo mesmo motivo.

Sendo assim, o ministro definiu que cabe à Justiça Federal do Distrito Federal decidir se os atos realizados nos processos envolvendo Lula podem ser validados ou reaproveitados.

A decisão de Fachin tem caráter processual. O ministro não analisou o mérito das condenações.

Fonte: Metrópoles

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