Desafio financeiro, maratona de jogos e protagonismo: o que o Palmeiras planeja para 2021

Por Felipe Zito — São Paulo

A temporada de 2020 foi de dificuldades fora de campo e de sucesso esportivo para o Palmeiras. Para 2021, a projeção do clube é de enfrentar mais um ano de desafios na parte técnica, com sequência de jogos, e também na parte administrativa.

Nem mesmo os mais de R$ 200 milhões só em premiações, sem considerar descontos de impostos, pelo desempenho da equipe nas competições servem para resolver o impacto provocado pela crise financeira causada pela pandemia do coronavírus.

– A temporada de 2020 teve impacto negativo muito grande para todos os clubes. Para o Palmeiras não foi diferente. Houve uma queda de receita expressiva, mas, com muito esforço e dedicação de todos, obtivemos sucesso esportivo, conseguimos manter as nossas obrigações em dia e não demitir nenhum funcionário – disse o presidente Mauricio Galiotte.

– Por tudo que se apresenta até o momento, encontraremos as mesmas dificuldades na temporada 2021, como falta de tempo para treinamento e jogos sem torcida, mas seguimos com os nossos objetivos esportivos de sermos protagonistas, brigar por todos os títulos, consolidar a utilização dos atletas da base no profissional e valorizar a nossa marca – acrescentou.

Maurício Galiotte e Anderson Barros no Allianz Parque — Foto: Marcos Ribolli

Maurício Galiotte e Anderson Barros no Allianz Parque — Foto: Marcos Ribolli

A ideia do Palmeiras ainda é a de minimizar perdas, inevitáveis também em 2021. A queda na arrecadação deve se repetir na atual temporada, principalmente pela ausência de bilheteria.

Ainda não há previsão de retorno dos torcedores ao estádio, o que representava até 2019 uma importante fonte de receita de todos os clubes. Em 2018, quando chegou até as semifinais da Libertadores e da Copa do Brasil, foi finalista do Paulistão e campeão brasileiro, o Verdão registrou R$ 86,1 milhões em arrecadação de jogos.

– Com a pandemia ainda avançando, não conseguimos projetar a volta do público aos estádios em curto prazo, o que nos afeta em bilheteria e no Sócio Avanti, receitas que são diretamente ligadas ao departamento de futebol – explicou Galiotte.

A ideia da diretoria é reforçar o elenco. Essa também é uma vontade de Abel Ferreira, que em entrevista coletiva após a final da Copa do Brasil afirmou que espera que o clube não venda nenhum atleta. O treinador, porém, disse entender o momento de dificuldade, e a saída de algum jogador de destaque não está descartada.

Sem torcida, Verdão venceu a Copa do Brasil no Allianz Parque — Foto: Eduardo Rodrigues

Sem torcida, Verdão venceu a Copa do Brasil no Allianz Parque — Foto: Eduardo Rodrigues

Na previsão orçamentária, o Verdão prevê arrecadar pelo menos R$ 80 milhões em negociações de atletas. Uma coisa é certa: o Verdão buscará reforços pontuais e continuará dando espaço aos jovens da categoria de base – Danilo Barbosa pode chegar para o meio de campo, e Borré é o principal alvo para o setor ofensivo.

Depois de uma rotina intensa de jogos e decisões, Abel Ferreira recebeu dez dias de folga. O clube tenta administrar o desgaste do time, com descanso para parte do elenco no mês de março. Mas a realidade de 2021 será mais uma vez de partidas em sequência.

São 16 jogos confirmados até o fim de abril, quando termina a fase de grupos do Paulistão. Até lá, o Verdão terá as disputas da primeira fase do torneio estadual, da Recopa Sul-Americana, da Supercopa do Brasil e o início da fase de grupos da Libertadores.

Além de não ter semana livre neste período, há ainda a necessidade de acertar uma data do Paulistão: a partida contra o Santo André estava prevista para ocorrer no dia 11 de abril, mesmo dia da Supercopa do Brasil, contra o Flamengo.

Fonte: Globo Esporte

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