Indústria encolhe em janeiro e informalidade avança em Goiás

O ano de 2020 encerrou-se com desemprego elevado, avanço na informalidade e perda de renda para os trabalhadores, diante dos efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho e sobre a economia em Goiás. O início de 2021, no entanto, não vem trazendo notícias mais auspiciosas. A produção industrial experimentou o quinto retrocesso consecutivo e, para agravar o cenário, registrou uma aceleração no ritmo das perdas em janeiro, demonstrando fragilidade muito acima da média quando considerados os demais Estados acompanhados pela pesquisa mensal da produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A indústria sofreu recuo de 0,5% em janeiro, na comparação com dezembro de 2020, um mês já tradicionalmente fraco para o setor diante da virtual paralisação em geral experimentada no período em função das festas de fim de ano, evitadas pela maior parcela da população no ano passado. Na comparação com o mês imediatamente anterior, a produção vem caindo desde setembro do ano passado, quando experimentou recuo de 0,3%. Os meses seguintes registraram quedas de 3,4%, de 1,3% e de 0,9% em outubro, novembro e dezembro, respectivamente. Desde junho de 2020, conforme a série estatística do IBGE, a produção da indústria goiana acumula retração de 6,8%. O tombo foi mais severo na comparação com janeiro do ano passado, atingindo um retrocesso de 9,3% no primeiro mês deste ano.

Sete entre os nove segmentos industriais investigados pelo IBGE no Estado anotaram perdas frente ao primeiro mês do ano passado. As maquiladoras de veículos (sim, a indústria instalada no Estado importa de motores, câmbios, freios e componentes eletrônicos e de inteligência embarcada até acessórios de valor agregado mais baixo) encolheram nada menos do que 59,5% – uma queda que vem na sequência de meses de perdas já severas para o setor. A indústria de farmoquímicos e de produtos farmacêuticos, que chegou a apresentar desempenho positivo nos primeiros momentos da pandemia, desandou ao longo da segunda metade do ano passado e despencou 23,5% em janeiro, com perdas mais severas no setor de medicamentos.

 

Sinal vermelho

Também ficaram no negativo as indústrias de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos), com baixa de 13,2%, a indústria extrativa, que encolheu 6,6% (reflexo da menor produção de minérios de cobre e de fosfato), assim como a metalurgia, em baixa de 5,0%. Embora as quedas tenham sido duras, chamaram mais a atenção as baixas experimentadas pelas indústrias de alimentos e de biocombustíveis (etanol e biodiesel), que puxaram o freio de mão no primeiro mês do ano, anotando baixas de 7,7% e de 6,0% pela ordem. Conforme o IBGE, o setor alimentício foi afetado pela retração na produção de leite em pó, farelo e óleo de soja, principalmente (lembrando que as exportações do Estado de soja em grão, farelo e óleo estiveram em baixa nos dois primeiros meses deste ano).

 

Balanço

Como exceções, os segmentos de “outros produtos químicos” (adubos e fertilizantes) experimentou salto de 14,5%, com alta de 11,2% para a indústria de produtos não metálicos (asfalto, cimento e concreto, telhas e tubos entre outros produtos típicos da indústria de construção).

Em conjunto, a indústria de transformação, que já havia experimentado perdas de 4,2% e de 5,7% em novembro e dezembro de 2020 (na comparação com períodos idênticos de 2019), encolheu mais 9,5% em janeiro deste ano, claramente acelerando o ritmo das perdas – uma tendência preocupante, porque o setor, considerado como essencial, foi mais poupado do esforço de distanciamento social (que na verdade já havia sido afrouxado no Estado desde o final do primeiro semestre de 2020). O agravamento descontrolado da pandemia, neste momento, eleva o nível de risco para a indústria em geral e para a economia como um todo.

O mercado de trabalho, diante desse quadro, não deverá trazer qualquer tipo de contribuição no sentido de amenizar a crise. Ao contrário. A tendência é de uma piora no setor, com o fechamento parcial das atividades, afetando mais severamente, como já havia ocorrido em 2020, o setor de serviços, que, juntamente com o comercio e o setor de reparação de veículos, respondeu por quase 70% do total de pessoas ocupadas no último trimestre de 2020.

Os dados da edição trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, mostram ligeiro avanço do total de ocupados, que saíram de 3,038 milhões no terceiro trimestre para 3,099 milhões no último quarto do ano passado, num acréscimo modesto de 60,0 mil vagas (+2,0%). A questão a ser observada é que praticamente todo esse incremento foi decorrência de um crescimento da informalidade, ou seja, de trabalhadores sem registro, sem direitos, com baixa remuneração e elevada insegurança.

No total, o número de informais no Estado avançou de 1,245 milhão para 1,325 milhão nos dois últimos trimestres de 2020 (mais 80,0 mil e variação de 6,4%). A informalidade passou a responder por 42,8% do total de ocupados diante de 41,0% no terceiro trimestre.

O desemprego recuou de 13,2% para 12,4%, mas manteve-se no nível mais elevado para um quarto trimestre em toda a série histórica do IBGE, saindo de 10,4% no final de 2019. O total de desempregados recuou de 461,0 mil para 440,0 mil entre o terceiro e o quarto trimestres (-4,6%), mas subiu 11,0% em relação ao último trimestre de 2019 (396,0 mil). O emprego, ao contrário, caiu 9,0% nesta mesma comparação, com o encerramento de 307,0 mil vagas.

A taxa de subocupação (que inclui desempregados, desalentados e subocupados por insuficiência de horas trabalhadas) baixou de fato de 24,0% para 20,9% nos dois últimos trimestres do ano passado, mas continuou muito acima dos 16,8% atingidos entre outubro e dezembro de 2019.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Hoje

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