Mancini diz que Corinthians precisa “jogar mais” para ser campeão e comenta polêmica com Jô e Otero

Por Ana Canhedo e Bruno Cassucci — São Paulo

Técnico do Corinthians, Vagner Mancini fez uma longa análise da vitória de 1 a 0 sobre o São Caetano, neste domingo, pela quarta rodada do Campeonato Paulista. Entre elogios e preocupações, ele admitiu: o time precisa jogar melhor para ser campeão estadual.

– Depois de duas semanas, o Corinthians está reencontrando seu caminho. É muito pouco para nossas ambições. Para ser campeão paulista, o Corinthians tem que jogar mais, criar mais, chegar mais à frente, não pode dar tanta oportunidades aos adversários, mas diante das dificuldades encontradas nas últimas semanas, estamos pau a pau tentando ressurgir. Não foram dias fáceis. Tivemos tranquilidade para absorver tudo o que aconteceu e seguir em frente – disse o treinador.

Mancino também falou sobre os casos específicos de Jô e Otero. A dupla esteve em um resort na folga da última segunda-feira e postou nas redes sociais registros sem máscaras e perto de pessoas também desprotegidas, mesmo diante de um surto de Covid-19 no Corinthians. Atualmente, são 11 jogadores afastados ou voltando após ter a doença.

Durante a semana, a diretoria corintiana não se pronunciou publicamente sobre o caso. Mas, de acordo com Mancini, houve “muita conversa e muita cobrança” nos atletas. Ambos foram titulares contra o São Caetano.

– Não tenha dúvida de que tudo o que acontece hoje, mesmo fora do clube, é conversado internamente. A gente é severo até demais em algumas coisas, ainda mais em cima de disciplina. É óbvio que, internamente, o assunto foi tratado. Não temos por que exteriorizar, mas internamente houve muita conversa e muita cobrança em cima disso – disse o técnico.

Vagner Mancini em São Caetano x Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Vagner Mancini em São Caetano x Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O Corinthians agora volta seus olhos para a Copa do Brasil. Na próxima quarta-feira, o Timão enfrenta o Salgueiro, em Pernambuco, pela primeira fase do torneio, em jogo único.

– O jogo de hoje (domingo) foi uma prévia do que vamos encontrar em Salgueiro. Eu já tive oportunidade de jogar no estádio, contra o Salgueiro, há alguns anos. O estádio é acanhado, o campo não é como estamos acostumados, então espero dificuldades. O Salgueiro sempre forma bons times, é o atual campeão do Pernambucano, por isso temos que respeitar. E acima de tudo levar para lá a concentração de uma equipe que vai para competir, que sabe o risco da Copa do Brasil. A única vantagem que temos é o empate – ponderou Mancini.

– A gente tem que fazer uma viagem longa, vamos jogar num campo diferente do que estamos acostumados, estádio acanhado, viagem de ônibus… Mas o Corinthians consegue nestes momentos se superar, a história do Corinthians fala muito forte nesses momentos, é nisso que estou tentando mobilizar todos os atletas, para que a gente possa ir lá fazer um grande jogo, buscar a vitória. Até para que a gente não sofra, mas sabendo que é um cenário que pode ser de uma equipe que pode lutar o jogo inteiro pelo resultado. Mas estou muito entusiasmado e confiante de que, na quarta-feira, a gente vai buscar a vaga num grande jogo. É muito do que foi visto no jogo contra o São Caetano, acho que foi uma prévia do que vamos encontrar lá – completou.

Veja outros pontos da entrevista coletiva de Vagner Mancini:

Dificuldades contra o São Caetano
– Todo jogo te mostra alguma coisa, mesmo quando você vence. Não é porque venceu que não vamos enxergar alguma coisa. Acho até importante falar sobre o jogo. O jogo foi extremamente difícil, porque encontramos um time voluntarioso do outro lado. O Corinthians teve que competir bastante na partida, e fez isso muito bem. Acho que faltou um pouco de construção, de parte técnica, mas também é fruto do que vivemos nessas últimas duas semanas. Eu não podia exigir mais dos atletas, eles se empenharam. Era importante a gente vencer a partida, porque a vitória torna mais fácil o seu dia a dia em termos de ajustes. Não é porque vencemos que não faremos ajustes, tudo é anotado e visto.

– Em termos de preocupação, eu tenho certeza de que, diante de tudo o que foi visto nos últimos jogos, o Bruno jogando de lateral-esquerdo, o João Victor de lateral-direito, o Otero de segundo homem (do meio de campo)… É óbvio que a equipe teve modificações que, de certa forma, acabaram pesando. Hoje encontramos o campo diferente dos campos a que estamos acostumados a jogar, eu não gosto desse tipo de muleta, mas acho importante falar que o campo fugiu muito daquilo em que o Corinthians vem jogando nos últimos 40 jogos. Ainda não tínhamos jogado num campo fofo, pesado, em que a bola demora a correr, em que o quique é diferente. Acaba gerando uma adaptação diferente.

– Por outro lado, o Corinthians jogou diante do Palmeiras e da Ponte Preta debaixo de muita água e soube se sair bem. Hoje jogou com um campo pesado, demorou um pouquinho no primeiro tempo, mas também se saiu bem e acabou chegando à vitória. Neste momento, é muito mais importante ganhar e fazer os ajustes do que se tivesse tido um resultado negativo.

Demora para mexer no time
– A partir do momento em que eu vi a atmosfera, o palco do jogo, eu sabia que seria importante que tivéssemos uma adaptação rápida ao gramado. Era um campo muito pesado. Quem vai entrar durante o jogo sente demais, porque não está acostumado. Nenhuma equipe que joga a Série A do Brasileiro está acostumado a jogar num campo tão diferente. É normal que haja uma readaptação dentro da própria partida. Até pela experiência que temos, o jogador que vem do banco de reservas demora um pouco a entender o jogo. O time demorou de 15 a 20 minutos no primeiro tempo para entender o que era o jogo. Depois que entendeu, o São Caetano não chegou mais. Por mais que não tenha sido um jogo vistoso, a gente possa ter ficado devendo na parte técnica, sobrou vontade, dedicação, mostramos competitividade. Por isso as trocas foram feitas em momentos cruciais.

O que viu de positivo e negativo?
– Não tenha dúvida que vi muita coisa boa nesse início de Campeonato Paulista, vi meninos que entraram de forma interessante. Hoje vi a entrada de bons valores, o Vitinho, o Gabriel Pereira, mesmo a manutenção do Rodrigo, que tem nos dado uma cara diferente. Vi um time que lutou, brigou, foi competitivo. Isso vai ser importante na quarta-feira, diante do Salgueiro. Eu vi uma equipe que vinha de uma sequência sem vencer e, de repente, teve uma reviravolta, hoje estamos há seis jogos sem derrota. Uma equipe que parou de tomar gols bobos… Tem muita coisa acontecendo, é como se tivesse que fazer os ajustes semanalmente. Em todas as partidas, temos um leque de coisas positivas e negativas também. Tentamos fortalecer o positivo e corrigir rapidamente o negativo.

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