Cerca de 2 mil médicos tiveram erro no registro de vacinação contra Covid-19, admite Secretaria de Saúde de Goiânia

Pasta disse que solicitou exclusão dos dados inseridos de forma errada ao Ministério da Saúde e que nem o profissional nem o grupo prioritário serão prejudicados, já que a dose não foi aplicada. Três médicos denunciaram a falha.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) admitiu na terça-feira (16) a inclusão equivocada de uma dose da vacina da Astrazeneca no cartão de vacina virtual de cerca de 2 mil CPFs de médicos. Três denunciaram o erro aos órgãos competentes ao perceber a quantidade de três doses gravadas no aplicativo Conecte SUS, enquanto os profissionais de saúde foram vacinados com duas doses.

A diretora de Vigilância Epidemiológica da capital, Grécia Pessoni, disse que não houve má-fé do profissional de saúde, que tem a vacina registrada no seu nome, nem da Secretaria Municipal de saúde.

Houve mesmo uma falha no registro de uma lista de médicos que trabalham para um plano de saúde. A diretora ressalta que os profissionais não tomaram essa dose e que a vacina não foi desviada para outra pessoa.

“Mas nós do município não temos acesso a esse sistema do Ministério da Saúde para excluir os dados. Somente o Ministério da Saúde pode excluir um dado errado de vacina da Covid-19. Já repassamos a solicitação de exclusão para o ministério e para a Secretaria Estadual de Saúde e aguardamos o acesso de Goiânia para fazer a exclusão dos dados”, explicou a diretora.

Em nota, a SMS afirmou que a dose nunca foi aplicada, mesmo que ela apareça no aplicativo dos médicos. Por isso, a pasta reforçou que o caso não vai prejudicar o profissional, nem a quantidade de doses disponíveis na secretaria.

Uma terceira médica, que preferiu não se identificar, denunciou o erro nesta terça-feira. Na segunda (15), duas profissionais realizaram a mesma reclamação, inclusive ao Conselho Regional de Medicina (Cremego). A entidade informou em nota que o caso é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, assim, também informou a Secretaria Estadual de Saúde.

A carteira física de vacinação mostra que a médica recebeu a primeira dose da Coronavac em 19 de janeiro e a segunda em 9 de fevereiro. Ela disse ter recebido uma ligação de um hospital de Brasília, onde trabalha e onde tomou as doses da vacina, questionando se ela tomou a suposta terceira dose da Astrazeneca em Goiânia.

“Fui surpreendida ao receber uma ligação da Vigilância Epidemiológica do hospital em que eu trabalho porque eles foram registras as minhas doses no Conecte SUS e se depararam com a informação de que eu havia realizado também uma dose da Astrazeneca, mas isso jamais aconteceu”, disse a médica.

O documento que mostra a dose da Astrazeneca mostra que a médica tomou a vacina em 2 de fevereiro em Goiânia, onde ela também trabalha.

“Não sei como agir nem a quem relatar sobre esse equívoco nessas informações relacionadas ao meu CPF em que eu tomei três doses da vacina”, desabafa a profissional.

Denúncias

Uma das médicas, que preferiu não se identificar, afirma ter recebido duas doses da Coronavac no hospital onde trabalha, em janeiro e fevereiro, num intervalo de quatro semanas. Ela teme que alguém possa ter sido prejudicado com um suposto erro de aplicação da dose de Astrazeneca que está relacionada ao cadastro dela.

“Na hora que eu vacinei, chequei tudo direito. Na ampola era Coronavac, estava tudo ok. Então acho que aconteceu um erro grave que não pode acontecer. É um prejuízo para outra pessoa que poderia estar recebendo se ela estiver esperando”, disse a médica.

Uma outra médica mostrou o cartão físico de vacinação, onde constam duas aplicações da Coronavac: uma em 27 de janeiro e outra em 24 de fevereiro. Quando ela olhou no aplicativo do SUS, as doses estavam confirmadas, mas apareceu uma primeira aplicação da Astrazeneca em 4 de fevereiro, a qual ela garante não ter recebido.

“Na verdade, esse erro existe não só comigo, mas com outros colegas também e acho que é passível de ser averiguado”, pondera a médica.

 

 

 

 

Fonte: G1 Goiás 

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