Variante brasileira mais contagiosa da Covid-19 predomina entre os casos positivos de Goiânia, diz secretário

A variante P1, identificada pela 1ª vez em Manaus (AM), já predomina entre os casos positivos de coranavírus registrados em Goiânia nas últimas semanas. O secretário municipal de Saúde, Durval Pedroso, anunciou nesta quarta-feira (17) que esta cepa foi identificada em 28 de 30 amostras colhidas de forma aleatória em pacientes de todas as regiões da capital.

“Apesar de ser uma amostragem pequena, esse dado de positividade, do ponto de vista epidemiológico, traduz em prevalência maior. Na hora que transformo essa amostragem de 30 para o cenário da capital e tenho 93% do achado, fica praticamente definida que seja essa cepa a predominante em Goiânia”, declarou o secretário.

 

Essa linhagem também foi encontrada em pacientes de Anápolis, Catalão e Águas Lindas de Goiás, onde uma idosa de 60 anos morreu com a doença. A Superintendente de Vigilância em Saúde do estado (SES), Flúvia Amorim, informou que ela está em estágio de transmissão comunitária no estado.

Segundo Pedroso, a P1 tem maior poder de contágio e provoca a internação de pessoas mais jovens, diferentemente do que se observava na onda anterior, no ano passado, quando pessoas mais idosas e com comorbidades eram as que mais precisavam ser hospitalizadas.

“Hoje, o cenário mostra pessoas mais jovens em estado grave, isso é o reflexo dessa cepa mais agressiva. As pessoas devem se preocupar em saber que a gravidade da doença que castigou Manaus, hoje, encontra-se em Goiânia”, alertou o secretário.

 

Pedroso alerta que a taxa de letalidade dentro das UTIs é alta, de até 60%. “Dessas 300 pessoas internadas, a grande chance de 150 virem a falecer é muito grande”.

A taxa de ocupação das UTIs da rede de saúde da capital chegou a 99% nesta quarta-feira, ou seja, apenas uma vaga estava disponível para ocupação. A situação das enfermarias também é crítica, com 96% de leitos ocupados.

Restrições

 

Para evitar o avanço da doença, desde o início de março a prefeitura determinou o fechamento do comercio não essencial. Até esta quarta-feira, já foram realizadas mais de 10 mil autuações de vigilância por parte da fiscalização, segundo o secretário.

“Vários estabelecimentos foram fechados e, mesmo assim, pessoas insistem em participar de festas clandestinas e expor a vida de outras pessoas e a sua própria dessa forma”, ponderou.

 

O decreto que está em vigor foi publicado na última segunda-feira (15) e prevê que, após 14 dias de fechamento, as atividades fiquem liberadas pelo mesmo período.

O secretário pondera que as restrições precisam ser obedecidas como a única forma de controlar a disseminação do vírus diante das poucas opções a serem adotadas. Para Durval Pedroso, neste momento, apenas as vacinas e o isolamento social podem ajudar no controle da pandemia.

“A população não observou a necessidade das restrições que propuseram os primeiros decretos e que essa realidade da taxa de diminuição de circulação do vírus ainda não pode ser percebida. Por isso, a importância desses próximos 14 dias serem fundamentais para a contenção da taxa de transmissão da doença e para que o sistema de saúde continue atendendo as pessoas”, destacou.

Covid-19 em Goiás

 

A ocupação da rede estadual de saúde, nesta quarta, é de 97% e de 87% na enfermaria. O estado registrou 103 mortes e 3.639 casos positivos de coronavírus em um dia, segundo balanço do governo. Ao todo, o estado contabilizou 444.509 pessoas contaminadas e 9.910 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia.

Os dados do consórcio de imprensa que analisa a média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil, do qual o G1 faz parte, mostraram que Goiás registrou a maior média do país nestes últimos quatro dias, ou seja, teve mais mortes do que o restante das unidades da federação. Nesta quarta-feira (17), a média goiana era de alta de 210%, enquanto Sergipe, que ocupa a segunda posição, está com 122%.

Fonte: G1

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