Economistas publicam carta crítica a atuação do governo na Pandemia

No último domingo, 21, grandes milionários e banqueiros do país publicaram uma carta aberta, em que eles afirmam que a gestão da crise sanitária no Brasil tem sido desastrosa, e isto já afeta a economia. A publicação não cita diretamente o nome do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), mas faz duras críticas ao governo federal, comandado pelo mesmo.

Em um trecho dela, é ressaltado que a má gestão dos recursos disponíveis, a negligência a evidência científica e os desdenho com as ações que podem contribuir para a diminuição dos casos são atos freqüentes da administração federal. “Esta recessão, assim como suas conseqüências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal.”, em trecho da carta.

Segundo a avaliação dos economistas, no ritmo atual de vacinação, irá levar mais de três anos para conseguir imunizar toda a população do país. ” No momento, o Brasil passa por escassez de doses de vacina, com recorrentes atrasos no calendário de entregas e revisões para baixo na previsão de disponibilidade de doses a cada mês. Na semana iniciada em 8 de março foram aplicadas, em média, apenas 177 mil doses por dia.”

Outra preocupação é com o surgimento de novas variantes, como a P.1, que foi comprovado por infectologistas que tem maior potencial de transmissão e é mais agressiva a saúde do indivíduo.

Na ponta da caneta

De acordo com uma simples conta publicada na carta, os recursos federais para compra de vacinas somam R$ 22 bilhões, uma pequena fração dos R$ 327 bilhões desembolsados nos programas de auxílio emergencial e manutenção do emprego no ano de 2020.

“Vacinas têm um benefício privado e social elevado, e um custo total comparativamente baixo. Poderíamos estar em melhor situação, o Brasil tem infraestrutura para isso. Em 1992, conseguimos vacinar 48 milhões de crianças contra o sarampo em apenas um mês. Na campanha contra a Covid-19, se estivéssemos vacinando tão rápido quanto a Turquia, teríamos alcançado uma proporção da população duas vezes maior, e se tanto quanto o Chile, dez vezes maior. “, em outro trecho da carta.

Quando se pensa em três dimensões, o investimento pesado nas vacinas é a solução para conter as percas que a economia nacional vem tendo. Atualmente segundo os banqueiros, há uma negligência impressionante com a aquisição dos imunizantes, pois o gasto geral desembolsado pelo goberno foi de mais de 528 bilhões com a pandemia.

Eles comentam que com a redução de atividades, houve uma perda de arrecadação em âmbito federal de quase 7%, ou seja, quase 58 bilhões de reais. O prejuízo que o atraso da vacinação irá custar por renda não gerada, de acordo com a carta, é estimado em R$ 131 bilhões, só em 2021.

“Nesta perspectiva, a relação benefício custo da vacina é da ordem de seis vezes para cada real gasto na sua aquisição e aplicação. A insuficiente oferta de vacinas no país não se deve ao seu elevado custo, nem à falta de recursos orçamentários, mas à falta de prioridade atribuída à vacinação.”

 Perspectiva

Se os prefeitos e governadores não forem apoiados nas medidas que tem tomado para tentar equilibrar a economia e diminuir os casos da doença, o quadro atual poderá se deteriorar ainda mais.

“A controvérsia em torno dos impactos econômicos do distanciamento social reflete o falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável. Na realidade, dados preliminares de óbitos e desempenho econômico sugerem que os países com pior desempenho econômico tiveram mais óbitos de Covid-19.”

Como afeta a classe menor

A partir de uma analise da carta, as esperanças são mínimas quando olhamos como referência pequenos empresários, classe trabalhadora. Pois já há uma grande dificuldade na busca do sustento pessoal por esta classe, e por conta disto, geralmente são eles que mais brigam contra as medidas restritivas.

A questão é que de fato a imunização é a única solução a médio e longo prazo, mas de nada adianta se no momento não forem seguidas as orientações de especialistas, que tem sido implantadas por diversos governadores e prefeitos, como tem feito Ronaldo Caiado (DEM) em Goiás, por exemplo.

Estes empreendedores menores tem sido contaminados pelo discurso raso e ineficiente da atual gestão federal, e acaba sem esperanças para o presente e futuro, por estarem com uma visão totalmente distorcida pelo que vem pregando Jair Bolsonaro. Talvez a responsabilidade principal de um líder de estado é a de direcionar o povo, se o mesmo faz isto para o lado errado, as conseqüências podem ser desastrosas, e partindo da analise dos fatos atuais, somada aos dados mostrados na carta dos banqueiros, é o caminho que o Brasil tem tomado.

Causas da crise sanitária

Demora na negociação dos imunizantes. “Perdeu-se um tempo precioso e a assinatura de novos contratos agora não garante oferta de vacinas em prazo curto. É imperativo negociar com todos os laboratórios que dispõem de vacinas já aprovadas por agências de vigilância internacionais relevantes e buscar antecipação de entrega do maior número possível de doses. ” cita a carta.

Falha no incentivo a população de seguir as medidas de higiene e distanciamento social. Poderia ter sido realizado, desde o começo, a distribuição de máscaras a população mais carente, campanhas que ressaltassem a importância de se tomar as medidas básicas de prevenção.

Evitar aglomerações, ou mesmo deixar de incentivá-las. O presidente diversas vezes, desde o começo da pandemia, foi flagrado em atos em que provocava aglomerações, não orientava sobre distanciamento, e até incentivava a ignorar estas orientações, como mergulhando no mar para encontrar seguidores, em feiras, ou mesmo em eventos oficiais.

Outra ação que faltou ser realizada, foi criar um mecanismo em âmbito nacional que fosse direcionado por uma comissão dos governadores ou ministério da saúde. Este seria orientado por cientistas e especialistas para tomar de maneira rápida e eficiente, medidas para auxiliar na diminuição da contaminação pelos casos da doença.

Assinam a carta banqueiros e economistas, como Roberto Setubal, Pedro Moreira Salles, Armínio Fraga, Pedro Malan e muitos outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Hoje

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