Morte de jovens por Covid-19 segue em crescimento em Goiás

Dos 10.364 óbitos registrados em decorrência da Covid-19 em Goiás, 119 são de pessoas com idades entre 20 a 29 anos. Na faixa etária seguinte, dos 30 aos 39 anos, o índice é de 381 mortes registradas. No entanto, estes números estão em tendência crescente, diante do cenário de transmissão elevada e da vacinação a passos lentos. Comportamento dessas populações e sistemas hospitalares em colapso também interferem para o aumento dos casos e dos óbitos.

Segundo Sérgio Zanetta, médico sanitarista e professor de Saúde Pública do Centro Universitário São Camilo, o elevado número de casos na população mais jovem pode ser explicado pelo aumento expressivo da transmissão. “Justifica-se isso com o comportamento de organização de festas, raves e encontros que romperam os cuidados de isolamento e distanciamento social. Jovens em grande número se aglomeraram sem máscara e distanciamento, e o vírus soube aproveitar disso”, afirma.

Além disso, Sérgio Zanetta explica que a situação foi agravada pela circulação de novas variantes do vírus. “Há agora variantes com velocidade de transmissão mais alta, então, além da versão original aproveitar desses encontros para transmissão, as novas variantes mais são mais rápidas, então a velocidade de transmissão é maior”, destaca.

Preocupação

As pessoas mais jovens têm casos mais leves, normalmente, ou casos pouco sintomáticos e até mesmo assintomáticos, expõe o médico. “Há um percentual pequeno que fica grave também, então se eu disser que 2% das pessoas ficarem mais graves, 2% sobre 100 casos, são apenas 2 casos. Mas 2% sobre 10 mil, são 200 casos. Então com o maior número de contaminados jovens, houve um aumento nos doentes e mesmo mantendo um percentual baixo, o número absoluto foi aumentando e isso sobrecarregou o sistema”, explica.

Para ele, o cenário é preocupante porque os números de contaminados e de óbitos, apesar de aparecerem juntos, significam coisas diferentes. “Os casos de Covid-19 não contam sobre o contágio, que aconteceu há cerca de 14 dias. Já os casos de morte, contam a história de início da doença, dos sintomas, ou seja, de um mês, 40 dias atrás. É assombroso o número de casos e de óbitos, e o fato de estarem altos hoje vai sustentar o número de mortes de duas a quatro, cinco semanas também alto. É uma catástrofe”, pondera.

O que pode ser feito

De acordo com o especialista, há duas medidas possíveis para conter a transmissão. “Uma é realizar a vacinação em massa, como ocorreu em Israel e no Reino Unido, de modo menos expressivo, além de ter a iniciativa que os EUA estão tendo na imunização. Já a segunda medida é impedir fisicamente o contato, com isolamento social e lockdown”, pontua Sérgio.

Dados

Semana passada, Goiás atingiu a triste marca de 10 mil vidas perdidas para a Covid-19. Segundo o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), no dia 19, o Estado já registrava 450.165 casos confirmados de Covid-19. Destes, 10.234 são óbitos confirmados. A taxa de letalidade chegou a 2,27% e outros 272 óbitos suspeitos estão sendo investigados.

Em relação à vacinação, de acordo com dados preliminares da SES, Goiás têm, vacinadas com a primeira dose, 316.766 pessoas, o que corresponde a 4,86% da população. Tratando-se da segunda dose, receberam o imunizante 97.126 pessoas, o que representa um total de 1,49% dos goianos.

 Até o momento, com relação ao recebimento e distribuição de vacinas, o Estado de Goiás já recebeu 718.680 doses, sendo 599.680 da CoronaVac e 119.000 da AstraZeneca. Destas, foram distribuídas 577.060 doses, sendo 458.060 da CoronaVac e 119.000 da AstraZeneca.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Hoje

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