Em 7 dias, Aparecida registra mais de 2 mil novos casos

Aparecida de Goiânia registrou, na última semana, mais de 2 mil novos casos de Covid-19, segundo levantamento realizado pelo O Hoje entre os dias 14 a 21 de março e baseado nos dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Até o último domingo (21), a cidade contava com 54.573 casos da doença, sendo 1.177 casos ativos e 52.545 pessoas recuperadas.

Ainda de acordo com a SMS, 228.366 testes já foram realizados e 851 pessoas perderam a vida para a doença na cidade. O painel destaca que a maioria dos casos foram registrados em pessoas que têm entre 30 a 39 anos (25%). Em seguida, vem a faixa etária de 20 a 29 anos (22%), 40 a 49 anos (20%) e 50 a 59 anos (12%).

A cidade está classificada no risco laranja, mas há dois bairros classificados como vermelho: Jardim Buriti Sereno com 2.462 casos, e Cidade Vera Cruz com 2.305 positivações. Outros cinco bairros da cidade já contam com mais de 1 mil casos registrados doença: Jardim Tiradentes (1.779), Setor Garavelo (1.455), Garavelo Residencial Park (1.180) Sítios Santa Luzia (1.126), Parque Veiga Jardim (1.072) e Setor Independência Mansões (1.028).

Restrições

O prefeito da cidade, Gustavo Mendanha (MDB), decidiu manter o isolamento intermitente escalonado por região. O escalonamento funciona da seguinte forma: a cidade foi dividida em dez macrozonas e quatro são fechadas diariamente de segunda a sexta. Sábado, os comércios devem funcionar até as 13 horas e no domingo o funcionamento é terminantemente proibido.

A decisão de manter a cidade nesse regime veio em reunião na última quinta-feira (18). O regime adotado pelo emedebista vai em choque ao decreto estadual estabelecido na última semana em que determina que todas as atividades não essenciais fechem por 14 dias e, posteriormente, abra por mais duas semanas seguidas. Gustavo já sinalizou que não irá adotar a normativa estadual e teve o apoio dos comerciantes locais.

O Ministério Público interveio na ação e afirmou que irá atuar nas cidades que não acatarem o decreto estadual, já que, nesse caso, a normativa sobrepõe a municipal. “Não depende de decisão judicial para reconhecer a autoridade do decreto estadual […]. O que as prefeituras podem fazer é suplementar a decisão estadual caso tenham medidas que sejam necessárias”, informou o procurador-geral Aylton Vechi.

Aparecida de Goiânia encontra-se em estado laranja após avaliação feita pelo Comitê de Prevenção e Enfrentamento à Covid-19 da Matriz de Risco. Isso significa que o município encontra-se em risco alto. O cenário será analisado semanalmente e as medidas serão mantidas enquanto se fizer necessárias para conter a transmissão do vírus da cidade.

Com isso, as atividades tidas como não essenciais estão suspensas, como eventos públicos e privados de qualquer natureza e que envolvam aglomeração de pessoas. Cinemas, anfiteatros, museus, bibliotecas e clubes recreativos e assemelhados não podem funcionar. Academias, atividades de condicionamento físico e ensino esportivo de todas as modalidades, reuniões de condomínios – inclusive nas áreas de churrasqueira, quadras poliesportivas, academias e piscinas, atividades de clube recreativo e parque aquáticos não podem acontecer.

A decisão ainda prevê a suspensão de aulas presenciais em instituições de ensino públicos e privados em todas as modalidades. Salões de beleza e similares também devem se manter fechados.

A Matriz de Risco da cidade leva em consideração os seguintes aspectos para a tomada das decisões: o número de casos ativos, o percentual de positividade nos exames RT-PCR, a taxa de transmissibilidade do vírus, da letalidade, da ocupação de leitos e a média do afastamentos dos profissionais. Os dados são apresentados em Nota Técnica da SMS. Além do cenário laranja, os demais estágios são: estável (verde), moderado (amarelo) e alto (vermelho).

Aglomerações

Apesar de todo o esforço tomado, muitas irregularidades são encontradas em várias partes da cidade. A Secretaria do Meio Ambiente de Aparecida de Goiânia (Semma) afirma que 1.010 festas com a presença de som mecânico foram encerradas apenas em 2021. Segundo a pasta, as festas ocorreram em casas, locais públicos, áreas comerciais e chácaras.

A Semma ainda afirma que mais de 1,2 mil denúncias de festas clandestinas foram efetuadas. O número de reincidências foi baixo: apenas quatro voltaram a realizar os encontrados. Mais de 90% das denúncias foram atendidas.

Três motéis da cidade foram interditados na última semana. Em um deles, segundo a pasta, contava com uma festa onde 30 pessoas ouviam som automotivo. Todos os envolvidos foram levados ao pátio de apreensão da Semma. O local foi multado, mas o valor da infração não foi divulgado. 

Longa fila se forma em porta do shopping 

Outro fato que chamou atenção foi a longa fila que se formou na porta do Buriti Shopping. O estabelecimento ficou 16 dias fechado devido ao decreto de restrições. A reabertura foi possível após a nova normativa do rodízio das macrozonas. O centro de compras faz parte da macrozona Vila Brasília que, segundo o documento, pode funcionar de quarta a sexta-feira e aos sábados até as 13 horas. A fila, entretanto, contava com o distanciamento entre os clientes.

Segundo a administração do centro de compras, a fila se formou devido ao fato do local estar com a capacidade máxima de pessoas e, com isso, foi-se necessário que algumas pessoas aguardassem do lado de fora do estabelecimento.

“Para que o shopping garanta o cumprimento da portaria e esse número não seja ultrapassado, está realizando bloqueios de forma intermitente, fazendo o monitoramento do fluxo de pessoas em tempo real, mantendo filas na parte externa do centro de compras, garantindo o distanciamento seguro e prioridade aos idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Importante ressaltar que o shopping oferece serviços essenciais como farmácias, clínicas, supermercados, correios, bancos e lotéricas”, diz a nota.

Além disso, o texto reforça que o centro de compras segue todos os protocolos recomendados pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) que consiste no “controle do acesso de clientes, disponibilização de álcool em gel, uso obrigatório de máscara, além da limpeza e sanitização dos ambientes.”

O gerente de marketing do shopping, Guilherme Hara, reforça a orientação para que o público vá ao shopping em caso de necessidade. “Estamos fazendo uma força-tarefa para oferecer toda a segurança para os nossos clientes, mas ressaltamos que não é o momento para passear. Inclusive vários serviços estão suspensos como o cinema, salão de beleza e academia. O nosso apelo é que as pessoas que sejam do grupo de risco fiquem em casa, se protegendo, e que só compareçam ao shopping, caso seja realmente necessário”, pontua.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Hoje

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