Secretaria Estadual de Saúde pediu duas vezes que MS estendesse tempo de operação do HCamp de Águas Lindas de Goiás

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) pediu duas vezes – uma em forma de ofício e outra verbalmente – ao Ministério da Saúde (MS) para que extendesse o período de atividade da estrutura do Hospital de Campanha de Águas Lindas de Goiás, o primeiro a ser construído pelo governo federal. A solicitação era para que a unidade funcionasse até dezembro, mas só conseguiu que a atividade fosse encerrada em outubro ao invés de setembro – ou seja, 30 dias a mais que contrato original. O HCamp funcionou por quatro meses, tinha 200 leitos e recebeu 771 pacientes.

A informação sobre os pedidos de prolongamento das atividades da unidade foi divulgada no último dia 19 de março, em resposta ao Ministério Público Federal (MPF), que solicitou dados sobre as atividades de todas as unidades de saúde deste modelo no estado.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde, por e-mail, às 12h, pedindo um posicionamento sobre a situação e aguarda retorno.

Os prefeitos da região do Entorno do DF, justamente as cidades mais beneficiadas pelo funcionamento do HCamp, decretaram recentemente medidas mais rígidas às atividades não essenciais, com o intuito de conter o avanço da Covid-19 na região.

Na segunda-feira (22), uma estudante de 20 anos morreu a espera de um leito de UTI em Luziânia, cidade próxima a Águas Lindas de Goiás.

Segundo o documento enviado pela SES ao MPF, o acordo era de que a estrutura, de caráter temporário, fosse construída pela instância federal e a adminsitração feita pelo estado. Foi acordado que o hospital deveria funcionar até 22 de setembro de 2020.

A SES informou que, no início de setembro, enviou um ofício ao MS pedindo que o HCamp continuasse em funcionamento até 31 de dezembro daquele ano, acreditando ser uma medida necessária no enfrentamento da pandemia.

No entanto, a pasta disse que recebeu uma resposta negativa do órgão, com uma contraproposta de que a extensão fosse de 30 dias após o vencimento original do contrato.

Em outra ocasião, também de acordo com a SES, o chefe da pasta, Ismael Alexandrino, esteve em reunião com representante do Ministério em que pediu uma definição sobre a extensão. Segundo o documento, a resposta foi de que o HCamp funcionaria por um mês além do combinado inicialmente, ou seja, seria desativado em 22 de outubro – como de fato ocorreu.

A SES explicou que realizou “a desmobilização sem qualquer risco aos pacientes, que foram distribuídos nas unidades de saúde estaduais”.

Coronavírus em Goiás

 

O sistema de saúde do estado tem operado no limite, com lotação dos leitos próximo a 100%. Só nos hospitais geridos pelo estado, as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) destinas exclusivamente para tratamento de Covid-19 estavam 99% ocupadas no início da tarde desta terça-feira (23), de acordo com monitoramento da SES.

Ao todo, o estado contabilizou 454.076 pessoas contaminadas e 10.414 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia.

Também de acordo com dados da SES, foram aplicadas 335.186 primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 em todo o estado. Desse total, 107.023 também já receberam a segunda dose.

Em relação ao recebimento e distribuição de vacinas, Goiás já recebeu 847.780 doses, sendo 715.280 da CoronaVac e 132.500 da AstraZeneca.

Fonte: G1 Goiás

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