Caiado confirma retorno de atividades não essenciais após 14 dias de fechamento mesmo com ocupação de leitos em 90%

O governador Ronaldo Caiado (DEM) afirmou que deve manter o compromisso de autorizar a reabertura do comércio não essencial em Goiás a partir de quarta-feira (31), após os 14 dias de fechamento determinados em decreto estadual. O gestor disse que isso deve ocorrer mesmo com as altas taxas de ocupação dos hospitais no estado. Na manhã desta sexta-feira (26), dos 1.250 leitos públicos e privados destinados a casos de Covid-19, 90% estavam ocupados.

“Existe uma base científica do modelo que nós adotamos. Vamos enfrentar essa realidade dentro do nosso decreto. Se não cumprirmos o que nos comprometemos também perdemos a condição de pedir a eles [população] que possam aderir ao isolamento nos outros 14 dias”, disse.

A Prefeitura de Goiânia está elaborando um novo decreto para regular o funcionamento de atividades não essenciais na cidade diferente ao que prevê o estado. O documento ainda não foi publicado, mas a previsão da gestão municipal é de separar a capital em zonas e estabelecer um rodízio de funcionamento.

Quando questionado sobre essa diferença entre o que determina o estado e o que determina o município, Caiado disse que não opinou sobre as decisões sendo tomadas pela gestão da capital.

“Não fui consultado sobre o que a prefeitura vai fazer, então não posso opinar. Cabe a mim, como governador, manter o que eu disse: o que eu me comprometi a fazer eu vou fazer. Em relação ao que a Prefeitura de Goiânia vai decidir, eu não fui comunicado”, afirmou.

Desde a publicação do decreto estadual, em 16 de março, há um debate sobre qual orientação seguir em cada cidade, já que nem todos os municípios goianos determinaram que as fiscalizações passassem a ser feitas com base no documento elaborado pelo governo de Goiás.

Na época da publicação do decreto, Caiado disse que todos as cidades que estivessem em situação considerada de calamidade por causa da pandemia deveriam seguir os critérios estabelecidos pelo estado ou impor medidas ainda mais restritivas, mas não flexibilizar o funcionamento das atividades não essenciais.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) também ponderou que, nos casos dos municípios que não cumprirem as medidas impostas no decreto estadual seria buscado um diálogo, mas que poderiam ser abertas ações judiciais em casos extremos.

Ao ser questionado sobre essa disparidade nas instruções que acaba por confundir a população, o governador disse que não deve se posicionar sobre o que cada prefeitura decide, mas que a busca é por um objetivo comum de conter o avanço da doença.

“Se o município decide uma coisa ou outra, não pode virar um estado policialesco. [O importante] é buscar uma conscientização. [Na pandemia,] cada erro é pago com vidas”, afirmou.

Secretário de Saúde do estado, Ismael Alexandrino acredita que a procura por leitos destinados a pacientes com Covid-19 continuará alta durante o mês de abril, porque o efeito do período de atividades não essenciais suspensas leva cerca de duas semanas para ser “percebido”.

“Esse período que estamos vivendo de 14 dias mais restritivos só vai refletir após 14 dias. Nós imaginamos que a gente ainda subirá um pouquinho [a procura por leitos], mas numa velocidade um pouco mais lenta do que a atual, mas ficaremos certamente acima dos 90[% de ocupação] durante abril inteiro”, detalhou.

As avaliações dos gestores foram feitas durante coletiva após a chegada de 119.200 vacinas contra a Covid-19. Goiás recebeu mais 25,2 mil doses da AstraZeneca e 94 mil da CoronaVac.

A expectativa do governo é conseguir imunizar as pessoas 65 anos ou mais com as doses que chegaram. Como anunciado anteriormente, as remessas estão sendo enviadas semanalmente pelo Ministério da Saúde (MS) ao estado.

Coronavírus em Goiás

 

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) contabilizou que foram aplicadas 403.563 primeiras doses das vacinas contra a Covid-19 em Goiás. Em relação à segunda dose, foram vacinadas 115.283 pessoas.

A pasta também registra o número de casos e mortes por infecção do coronavírus. Desde o início da pandemia até agora Goiás já registrou mais de 469 mil infectados e 10,8 mil óbitos causados pela doença.

Fonte: G1 Goiás

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